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Morre o dono do Posto Castelo, tradição na Rodovia Washington Luís

O empresário Luiz de Mattos tornou o Posto e Restaurante Castelo construído nos anos 50 num marcante empreendimento da Rodovia Washington Luís pela sua arquitetura inspirada em antigos vilarejos e castelos do interior da Europa. Ele faleceu aos 70 anos.

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Posto Castelo na Rodovia Washington Luís e a imagem que não se apaga na história dos viajantes

São Carlos acaba de perder o empresário Luiz Dagoberto Gomes de Mattos, sócio-proprietário de um dos mais tradicionais postos de combustíveis do interior de São Paulo, o Posto Castelo, que funciona na rodovia Washington Luis (SP-310), desde 1957.

Ele era casado Maria Cristina Torreta de Mattos, deixando os filhos Luis Gustavo, Daniela e Fernando. Luís foi sepultado no cemitério Nossa Senhora do Carmo e a causa da morte não foi informada. Ele deixa um legado de trabalho, honestidade e amizade.

O POSTO CASTELO E SUA FAMA NA RODOVIA

A inauguração do Castelo foi um marco no desenvolvimento paulista, antes desprovido de serviços de hospitalidade e abastecimento na importante região central do Estado. Alavancou a expansão rodoviária para escoamento da produção entre o norte do Estado de São Paulo e a capital. Para os viajantes que vinham até Araraquara, tornou-se ponto de referência geográfica, “– Estamos próximos a São Carlos, passamos o Castelinho” ou “–Já passamos pelo Posto das Pedras , estamos em São Carlos”.

Viajar naqueles anos de 1950 ou era por trem, ou por automóvel. Mas, o privilégio de poucos proprietários das quatro rodas assemelhava-se ao “off-roading” com longos trechos em estrada de terra batida. A Rio Claro – São Carlos era assim, empoeirada, de pista simples até encontrar à Anhanguera.

Chegado o grande dia em março de 1957, a Aldeia Conde do Pinhal foi inaugurada com Restaurante e Bombas de Combustível Esso. Foi uma festa, registrada em fotos de Thomas Ceneviva com cobertura do jornal A Gazeta.

Prédio foi inaugurado em 1957; ao longo do tempo passou por revitalizações

Com edificações semi-circulares e telhados íngremes, a arquitetura do Castelo tem inspiração em antigas dos vilarejos e castelos do interior da Europa, construídos com blocos de pedra, mais resistentes, notadamente a partir do século XI.

Os autores do projeto foram os próprios proprietários, Martinho Carlos e Yvonne Hanks de Arruda Botelho. Ele, bem sucedido nos Estados Unidos, na indústria cosmética que leva o nome de sua mãe – Alexandra de Markoff – e ela, do oeste americano e ascendência sueca, conduziram cinco anos de construção ciclópica.

Os desafios de prover água limpa, gerar energia elétrica e interligar os prédios com fiação subterrânea foram pequenos se comparados a todas as adversidades da época. Mas foi feito, com a participação de muita gente.

Canteiros espanhóis, especialistas no trabalho artístico com pedras, foram trazidos ao Brasil para trabalhar nas construções da Catedral da Sé, na capital e no Castelo, município de São Carlos. Executaram fachadas, degraus e entalhes em pedra arenito dos ambientes.

O ano de 1957 foi destaque com a inauguração do Castelo, no mês de março, e pela celebração do centenário de São Carlos, em novembro. Ambos fatos atraíram muitos visitantes à cidade, parentes e amigos da família Arruda Botelho, além de autoridades brasileiras e paulistas. Em decorrência das comemorações do centenário e na sequência, Faria Lima, secretário dos transportes do governo estadual de Jânio Quadros, solicitou a pavimentação asfáltica da estrada local que foi interditada.

Luís de Mattos, sócio-proprietário do empreendimento gastronômico e de serviços na beira da estrada

Anos depois, na reabertura oficial da asfaltada, mas ainda de pista única, SP-310, foi batizada de rodovia Washington Luís. O endereço do Castelo na auto-estrada passou então a ser o quilometro 222.

Entalhes homenageiam o avô de Martinho Carlos, o Conde do Pinhal. Ao centro, o brasão de armas da família paulista Arruda Botelho cuja história remonta a meados do século XVII, quando em 1654, da ilha de São Miguel, nos Açores, vieram para o Brasil três irmãos, filhos de Gonçalo Vaz Botelho. Datas importantes para a família e para o Castelo nas rosas dos ventos dos telhados.

De 1957 a 2018, o Castelo registra atendimentos realizados a 45 milhões de clientes, aproximadamente. É testemunha de mais de meio século de fatos brasileiros e de histórias de famílias que, de geração à geração, compartilham o bem-estar que sentem nos ambientes de seu plaza.

Oferece dois restaurantes, grill à la carte e cantina com almoço buffet self-service; alimentação rápida e loja de conveniência 24 horas; hotel pousadas; dois postos de combustíveis, para automóveis e outro exclusivo para caminhões.