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O Direito Brasileiro perde o doutor Tourinho, professor na Uniara por 50 anos

Tourinho se destacou por sua atuação de meio século como professor e jurista, inclusive a Uniara. Deixa como legado uma trajetória de relevantes serviços prestados ao Ministério Público e à sociedade, sendo referência para diversas gerações que ingressaram no Direito. Ele será sepultado em Itapecerica da Serra, nesta terça, 15h.

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Tourinho, quando homenageado na Uniara

Faleceu nesta segunda-feira (2), aos 99 anos, o professor e jurista Fernando da Costa Tourinho Filho, cujas ligações com Araraquara sempre foram amplas, constituindo-se num dos mais antigos mestres da Faculdade de Direito local. “Tourinho” como era identificado nos meios estudantis tornou-se uma das personalidades educacionais brasileiras, ostentando invejável saber jurídico.

Formado em Direito pela Faculdade de Direito da Bahia, Tourinho ingressou no Ministério Público de São Paulo em 27 de outubro de 1954 e se aposentou em 25 de outubro de 1980, após atuar em diversos cargos na instituição.

Ao longo da carreira, se destacou por sua atuação de meio século como professor e jurista. Publicou obras de referência no processo penal, entre elas Manual de Processo Penal, Processo Penal, em quatro volumes, Prática de Processo Penal e Comentários à Lei dos Juizados Criminais.

Certa feita, relatando sua história profissional disse que –  apesar de ser expulso do colégio por brigar com a filha da professora, se dedicou aos estudos com seu pai, em casa. Foi no Mapa-múndi apontado com a regra pelo pai que aprendeu os nomes e “cores” dos países e, depois, outras línguas, como o Francês.

Ao sofrer derrame no Júri, o pai, que era juiz pretor, deixou apenas as economias da época, que “mal davam para viver”. Assim, o menino Fernando teve de começar a trabalhar. A escolha foi a criação de um jornal, O Ateneu, em que publicava sonetos, poesias e biografias. Publicou as biografias de Eça de Queiroz, Cruz e Souza, entre outras.

Terminado o ginásio, Tourinho fez vestibular para faculdade, apesar de não ter dinheiro para pagar. Com efeito, quem tirasse 1º e 2º lugar faria o curso de graça, assim o fez, ao ganhar o 2º lugar.

Depois de formado, o colega de ginásio, Antônio Carlos Magalhães, ex-presidente do Senado, disse a Tourinho que tinha uma vaga na Assembleia de redator de debates e ele conseguiu o cargo.

Algum tempo depois, ao fazer concurso, foi convidado para ser promotor substituto interino. Apesar de não saber bem como era o cargo, aceitou e passou a atuar em Capivari/SP e, depois, em Martinópolis, Santa Rita do Passa Quatro, Dois Córregos e Agudos.

Nesta última cidade, foi convidado para dar aula e só parou em 2022. Na Uniara ele lecionou por 50 anos.

AMANTE DO JÚRI

Fernando Tourinho ressaltava sempre no que mais gostava de atuar: Tribunal do Júri. Muito estudioso e dono de um português impecável, o promotor aposentado contava que discursar era uma paixão e ainda confessava que sabia todos os artigos do Código de Processo Penal de cor.

HOMENAGEADO NA UNIARA

A noite de 25 de maio de 2022, uma quarta-feira, foi marcada por um evento histórico na Universidade de Araraquara – Uniara: a entrega do título de professor emérito ao docente do curso de Direito da instituição, Fernando da Costa Tourinho Filho, que lecionou por cinquenta anos na universidade. A homenagem, que lotou o auditório principal da unidade I da Uniara, também marcou sua despedida da carreira acadêmica.

O velório será realizado na terça-feira (3), das 11h às 15h, no crematório Horto da Paz, localizado na rua Horto da Paz, 191, no bairro Potuvera, em Itapecerica da Serra/SP. A partir das 15h ocorrerá uma cerimônia em memória do jurista.