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Paciente morre em clínica de reabilitação e Polícia Civil deve investigar ligações com casos de 2025

Morte de um paciente nesta terça-feira pode mudar o rumo das investigações e esclarecer as ligações das clínicas - Santo Expedito, onde morreu o internado Jean Carlos Bastos, no ano passado. De lá também fugiu José Victor Tomé da Silva, que denunciou maus tratos à Polícia Federal. A clínica agora estaria atuando como Comunidade Terapêutica Espaço Sagrado, onde morreu um paciente de 34 anos.

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Fachada da antiga clínica de reabilitação em uma chácara e o advogado Leonardo Ribeiro, da família de José Victor Tomé da Silva que fugiu e denunciou agressões no ano passado à Polícia Federal

Deividnan Rodrigues dos Santos, 34 anos, foi encontrado morto no interior de uma clínica de reabilitação situada no bairro Portal das Laranjeiras, em Araraquara. No mesmo local outras duas situações teriam ocorrido no ano passado sendo o estabelecimento denunciado à Polícia Federal pelo advogado Leonardo Ribeiro, que mantém escritório em Américo Brasiliense e atende principalmente clientes da região central do Estado.

Coincidência ou não, o paciente Jean Carlos Bastos, 35 anos, morreu no dia 05 de maio de 2025 supostamente na mesma clínica; duas semanas depois, outro internado José Victor Tomé da Silva, 44 anos, fugiu do local, após ser mantido para tratamento por pelo menos quatro meses, procurando após a fuga, apoio do advogado Leonardo Ribeiro para denunciar os maus tratos à Polícia Federal.

Deividnan, seria agora, o terceiro caso de violência registrado em menos de um ano, sendo anunciada sua morte nesta terça-feira (18), após ser encontrado já sem vida pelos funcionários da casa de reabilitação que alegaram em boletim de ocorrência que – ele teria reclamado de dores durante o café da manhã, pedindo então que fosse acordado antes do almoço.

Os colaboradores do abrigo, seguindo o combinado, o encontraram horas depois nos aposentos, acionando o atendimento médico, contudo era tarde, ele estava morto. O homem havia sido internado na clínica por conta da dependência química e sua morte começa a ser investigada pela Polícia Civil.

Identificada hoje como Comunidade Terapêutica Espaço Sagrado, seria a mesma dos casos anteriores, funcionando na época com o nome fantasia de Clínica Santo Expedito, que seria a mesma dos casos anteriores. Essa suposta troca de nomes deverá ser esclarecida pela Polícia Civil que está iniciando as investigações.

A Clínica Santo Expedito no ano passado chegou a ser fechada, pesando contra ela a denúncia feita pelo paciente que fugiu e acusação relatada à Polícia Federal pelo advogado Leonardo Ribeiro. No documento ele narra que seu cliente, desde o primeiro dia de sua entrada, passou a vivenciar ambiente de extrema hostilidade, privação e violência.

“Em vez de receber qualquer tipo de tratamento terapêutico legítimo, foi submetido a uma rotina forçada de trabalho análogo à escravidão, sendo coagido a cumprir uma jornada exaustiva de mais de 14 horas diárias na cozinha da clínica, iniciando às 6h da manhã e encerrando somente às 21h, sem qualquer remuneração ou compensação, sob a constante ameaça de punições físicas e psicológicas”, diz a denúncia contra a Clínica Santo Expedito, que poderia ter alterado o seu nome fantasia após os dois casos do ano passado.