Home Destaques

Tristeza no sul do país: Jornal Diário Popular encerra atividades em Pelotas 133 anos depois

Com muito mais que um século o jornal contava com 58 profissionais; sua última edição acontece em meio a tristeza sulina nesta quarta-feira

2
Jornal mantinha uma tradição familiar no sul

O jornal Diário Popular, de Pelotas, decretou nesta terça-feira (11), o fim de suas atividades. Fundado em 27 de agosto de 1890, o veículo tinha 133 anos de história e segundo a diretora-superintendente, Virgínia Fetter, não foi possível superar a crise provocada pela pandemia de 2020 somada aos problemas causados pela enchente de maio deste ano no Rio Grande do Sul.

“Estamos até hoje pagando caro o preço desses problemas. Agora, com as enchentes, fizemos o impresso apenas nos últimos finais de semana, em Cachoeira do Sul. Foi uma tentativa que não deu certo”, lamenta a empresária que, há 28 anos, se dedica ao negócio, dando sequência à administração de seu avô, Adolfo Fetter, e de seu pai, Edmar Fetter.

Até o prédio mantinha sua arquitetura desde que começou a funcionar

Segundo ela, nos últimos anos foi necessário, inclusive, injetar grandes quantias de recursos próprios e obter empréstimos para manter as operações e honrar os compromissos com os profissionais. Apesar dos esforços, a situação se tornou insustentável, obrigando o fim da publicação, que estava há três gerações na família. “Nossa dedicação exclusiva com o apoio do trabalho de nossos colaboradores foram as únicas forças propulsoras que fizeram movimentar as bobinas e rodar as máquinas”, comenta.

O jornal contratou um escritório de advocacia para proceder com o processo de falência e deve utilizar o prédio que abriga todos os setores da empresa, com valor estimado de R$ 2,9 milhões, para quitar as dívidas.

“Esse processo permite que a própria empresa que, atualmente, contava com 58 colaboradores diretos, encerre suas atividades de forma controlada, tendo como objetivo liquidar seus ativos e quitar suas dívidas. Isso irá beneficiar tanto a empresa, que consegue encerrar suas atividades de maneira regular, como os credores, que têm a chance de receber o que é devido. É uma atitude responsável e que encerra com dignidade uma história de mais de um século”, esclarece Guilherme Caprara, sócio do escritório MSC Advogados, que ficará responsável pelo processo.