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Vinda de Gleisi Hoffmann em abril a Araraquara para encontro com petistas foi apenas coincidência

Com quatro rackeadores presos, há nas redes sociais a especulação e a tentativa de se promover uma ligação da visita com a divulgação das mensagens contra Sérgio Moro, só porque os supostos criminosos são araraquarenses

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Gleisi Hoffmann falando aos petistas em abril no Sindicato dos Bancários

A vinda de Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) à Araraquara em abril (15), começa a ser questionada nas redes sociais e mostrar uma suposição de que a visita seria pano de fundo para possíveis tratativas com o hacker Walter Delgatti Neto e vazamentos do Intercept.

Na verdade, os brasileiros têm visto como uma novela a divulgação de mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil revelando bastidores da força-tarefa da Lava Jato. A cada conversa vazada, o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol se tornaram protagonistas de uma trama que revela não apenas o funcionamento da maior operação contra corrupção do país, mas também zonas cinzas do funcionamento do Judiciário, onde as linhas que separam o que é ilegal, imoral e legítimo sob os olhos da Justiça se confundem.

A prisão nesta semana de Walter Delgatti Neto, Danilo Cristiano Marques, do DJ Gustavo Elias Santos e da sua companheira Suélen Priscila de Oliveira, todos araraquarenses, como supostos hackeadores das mensagens entre autoridades brasileiras faz a Polícia Federal acelerar o processo de investigação. Embora sirva de combustível para quem defende a Lava Jato, a lei permite que fechem acordo de delação premiada e revelem o mandante do crime.

Em nota, divulgada na noite desta quarta-feira, 24, o PT afirma que Moro “comanda” o inquérito da Polícia Federal e que seu propósito é “produzir mais uma armação contra o PT”. O texto afirma, ainda, que as investigações da Polícia Federal “confirmam a autenticidade das conversas ilegais e escandalosas que Moro tentou desqualificar nas últimas semanas.”

O posicionamento da legenda é assinado por sua presidente nacional, Gleisi Hoffmann; o líder do partido na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta; e o líder no Senado Federal, Humberto Costa.

EM ARARAQUARA

A vinda de Gleisi Hoffman, presidente nacional do PT à nossa cidade em abril representou a tentativa do partido se reencontrar com suas bases, após a quase inatividade dos seus principais líderes Lula da Silva e Dilma Roussef, ex-presidentes, de políticos renomados como Genoíno, Zé Dirceu, Pallocci, todos envolvidos com a justiça brasileira. Gleisi foi recepcionada em Araraquara pelo prefeito Edinho Silva e pela deputada estadual Márcia Lia, além dos vereadores do partido.

Naquela noite o prefeito Edinho chegou a comentar – “Participei de um momento importante de debate e reflexão junto a representantes de quase vinte cidades da nossa macrorregião. Recebemos, para esta atividade, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann que fez uma análise da conjuntura política e dos desafios para o fortalecimento da democracia”. A declaração foi publicada por Edinho Silva, em sua página nas redes sociais.

Mais adiante disse Edinho: “Penso que momentos como esse, de junção, de reflexão conjunta, de articulação, sejam determinantes para que possamos pautar os desafios que estão colocados para que possamos restabelecer, no Brasil, a sociedade inclusiva e democrática, por meio do legado de programas criados nos Governos Lula/Dilma, que colocaram o país como 6ª economia mundial e que nos tirou do vergonhoso Mapa da Fome”.

Edinho no final destacou que “temos que fazer um debate de fundo sobre o Brasil que tivemos, o Brasil que vivemos hoje e o Brasil que queremos. Obrigado a todos que ajudaram na organização e que estiveram presentes, em especial à amiga e deputada Márcia Lia, ao presidente do PT de Araraquara, Everson Inforsato, ao Gilson Pelizaro, coordenador da Macro de Ribeirão Preto, Silvana Donatti da Executiva Nacional e aos vereadores Paulo Landim Thainara Faria e Toninho do Mel”.

LEMBRANÇAS

Por serem os rackeadores de Araraquara, a visita de Gleisi Hoffmann dois meses antes da primeira publicação do Intercept deve ser vista apenas como coincidência e não um fato proposital para acertos ou envolvimento na liberação das mensagens entre o ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

As especulações ou questionamentos nas redes sociais desta visita, logo após a prisão dos supostos criminosos, certamente serão analisadas pela Polícia Federal, porém há quem diga que essas ligações entre os petistas e os quatro presos de uma cidade considerada ninho petista, estão bem distantes.