
O EP Passado a Limpo, do grupo litero-musical araraquarense Dois Palitos, já está disponível nas plataformas digitais (link Spotify) e marca mais um passo na consolidação de uma proposta artística que une palavra, som e território. Com duas faixas autorais — “Macunaíma” e “A Estação” — o trabalho nasce de um processo colaborativo que integra diferentes olhares e sensibilidades, conectando memória, identidade e espaço urbano.
O Dois Palitos é formado por Rodrigo Vulcano (letras), Fernando Galeane (arranjos e gravação) e Juliano Leite (música, cordas e voz). Rodrigo assina a construção poética das canções, com uma escrita que dialoga com pertencimento e memória cultural. Fernando é responsável pela arquitetura sonora do EP, criando ambiências e texturas que ampliam a experiência sensorial das composições. Já Juliano conduz a expressividade musical, moldando melodias que transitam entre o intimista e o urbano.
A faixa “Macunaíma” parte do universo do modernista Mário de Andrade para propor uma reflexão contemporânea sobre identidade brasileira. Ao evocar o emblemático “herói sem nenhum caráter”, a música estabelece pontes entre tradição literária e sonoridades atuais, reforçando o diálogo entre passado e presente.
Em “A Estação”, o grupo constrói uma paisagem poética inspirada no imaginário das viagens de trem, explorando temas como deslocamento e passagem do tempo. A composição carrega forte influência do artista araraquarense Paulo Mascia, cuja obra retratou a cidade e seus cenários com sensibilidade marcante. Assim como Mascia transformava o cotidiano em memória afetiva por meio da pintura, a música cria imagens sonoras que evocam movimento e pertencimento.
A proposta do projeto vai além do lançamento digital. Intervenções em grafite inspiradas na obra de Mascia foram instaladas em espaços públicos e contam com QR Codes que direcionam o público às faixas, ampliando a experiência estética e democratizando o acesso à arte.
“Com Passado a Limpo, o Dois Palitos transforma a cidade em palco e galeria a céu aberto, reafirmando a arte como instrumento de conexão entre passado e presente e propondo novas formas de vivenciar a música no espaço urbano”, comenta Rodrigo Vulcano.













