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Receita do setor de máquinas e equipamentos cresce 21,6% e ultrapassa R$ 222 bi em 2021

Abimaq divulgou os principais indicadores do setor nesta quarta (26). Empresas contrataram 42 mil pessoas a mais do que em 2020

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Os segmentos em que as exportações mais cresceram em 2021 foram o de máquinas para logística e construção civil (62,5%), máquinas para agricultura (31,8%) e componentes (26,8%)

O faturamento do setor de máquinas e equipamentos cresceu 21,6% em 2021, divulgou a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) em coletiva nesta quarta-feira (26). Segundo a Abimaq, a receita líquida total do segmento chegou a R$ 222,4 bilhões, ante os cerca de R$ 175 bi de 2020.

O número de empregados no setor de máquinas e equipamentos também aumentou em 2021. Com as 42 mil contratações a mais no ano passado, o segmento passou a empregar 367.545 pessoas, alta de 15,6% em relação a 2020. O presidente da Abimaq, José Velloso, destacou os números positivos do setor no ano passado.

“Foi um ano espetacular. Ano passado foi o ano que o setor de máquinas e equipamentos mais cresceu na história. No mercado interno crescemos acima de 25,3%. É uma coisa bastante importante, a ser comemorada. Na receita total líquida crescemos 21,6%. As exportações cresceram 34,2%, o consumo aparente aumentou 14,8% e o emprego cresceu 15,6%. São todos números superlativos. A gente já vinha com esse otimismo desde a metade de 2020”, comemorou.

Os segmentos em que as exportações mais cresceram em 2021 foram o de máquinas para logística e construção civil (62,5%), máquinas para agricultura (31,8%) e componentes (26,8%).

De acordo com o levantamento, a América Latina foi o principal destino das exportações do setor, correspondendo a 41,5% do total das vendas brasileiras para o exterior. Em seguida, vêm os Estados Unidos, com 26,8%, e a Europa, com 10,6%.

Já as importações tiveram alta de 23,4% em 2021 e tiveram a China como principal origem (25,6%), à frente dos EUA (17,9%) e da Alemanha (13%). Segundo a Abimaq, o crescimento na compra de máquinas e equipamentos se explica pela retomada da atividade econômica.

Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Abimaq, destacou que o segmento cresceu acima dos 40% no ano passado. “Isso se deveu à rentabilidade do agricultor, principalmente para exportação, porque o câmbio foi bastante favorável e o preço das commodities subiu muito no exterior”, explicou.

Investimentos

Apesar da crise econômica por causa da pandemia, é o quarto seguido de desempenho positivo do setor nas receitas. Leonardo da Silva, analista de economia e estatística da Abimaq, ressaltou que o investimento feito pelas empresas em 2021 surpreendeu até as projeções mais otimistas.

“No ano passado, as empresas, por todo o contexto que estavam vivendo, tinham muita incerteza sobre como seria. Elas estimaram que investiram em torno de R$ 8 bi. O consolidado [revela] que investiram mais de R$ 14 bi, um investimento 68,6% maior do que foi previsto. Foi um ano bastante positivo”, disse.

No recorte por tamanho, as micro e pequenas empresas estimaram investimentos em torno de R$ 290 milhões. Ao fim do ano, esses negócios aportaram quase 220% a mais do que o projetado, e investiram mais de R$ 927 milhões. A expectativa é que os investimentos do setor em 2022 cresçam acima dos 6% em 2022. “A previsão se dá em cima de uma base maior e que deve haver mais investimento em 2022”, estima.

Os dois principais motivos para as empresas do setor de máquinas e equipamentos investirem tanto em 2021 foram, conforme a Abimaq, a modernização tecnológica e a ampliação da capacidade industrial. Segundo José Velloso, o resultado é um indicativo de que as empresas brasileiras pretendem aumentar a sua produtividade e não ficar ainda mais para trás na concorrência no mercado internacional.

“O Brasil tem muito o que investir no ganho de produtividade e no ganho tecnológico, muito em função da idade média das máquinas instaladas no Brasil. Estima-se que a idade média das máquinas brasileiras é superior a 17 anos. Uma máquina de 17 anos está totalmente atrasada, principalmente levando em consideração que a velocidade do avanço tecnológico é cada vez maior”, alertou.

Velloso completou afirmando que isso impacta diretamente na produtividade do trabalhador brasileiro frente aos funcionários de outros países. “Nos Estados Unidos, em média, tem 300 mil dólares investido por funcionário. No Brasil, o investimento está em torno de 75 mil dólares por trabalhador. É o estoque de capital fixo. Isso faz com o que o trabalhador nos EUA seja quatro vezes mais produtivo do que o trabalhador aqui, independente do tipo de escolaridade.”

Projeção para 2022

A Abimaq espera que os principais indicadores do setor cresçam também em 2022. A projeção é de que o faturamento aumente 6%, as exportações em 15,6%, o emprego em 5% e os investimentos em 6,4%. “Estou com otimismo mais moderado para 2022. Só de repetir 2021 já seria ótimo, mas vamos crescer ainda mais dentro de uma base [de comparação] bastante alta que é 2021”, acredita o presidente da entidade.

(Fonte: Brasil 61)