
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, deputado federal eleito e ex-prefeito de Araraquara, agradeceu novamente à população de Araraquara e região pelos votos que o elegeram deputado federal e destacou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cidade no segundo turno das eleições como reconhecimento ao trabalho do governo federal e aos mais de R$ 450 milhões destinados a obras e investimentos no município nos últimos anos.
O presidente Lula foi reeleito presidente da República para seu quarto mandato após uma virada histórica e inédita no processo eleitoral brasileiro, com 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64.256.232 votos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), com 59.826.041 votos.
Lula também virou em Araraquara e venceu o segundo turno das eleições presidenciais na cidade com 52,08% dos votos válidos, o equivalente a 68.699 votos. Flávio Bolsonaro (PL) ficou atrás, com 47,92%, totalizando 63.218 votos.
Em entrevista após a vitória do presidente, Edinho reafirmou seu compromisso com a cidade. “Vou honrar todos os dias esse voto de confiança que Araraquara e região me deram”, afirmou Edinho, ao agradecer à população pela oportunidade de representar a região na Câmara dos Deputados. Araraquara volta a eleger um deputado federal após 16 anos.
Edinho também reforçou seu agradecimento aos araraquarenses que votaram em Lula e relacionou o resultado ao reconhecimento à atenção dada à cidade pelo governo federal.
“São mais de 150 obras acontecendo em Araraquara graças aos recursos do presidente Lula, com investimentos de mais de R$ 450 milhões”, ressaltou. Ele também mencionou os recursos destinados à Santa Casa, à Vila Vicentina e a outras entidades conquistados pela cidade nos últimos dois anos, resultado de sua articulação com o governo Lula mesmo após terminado seu mandato de prefeito.
CONFRONTO ENTRE PROJETOS DE PAÍS
Ao analisar o resultado nacional, Edinho classificou a reeleição de Lula como uma vitória histórica, tanto pelo ineditismo da virada eleitoral do primeiro para o segundo turno quanto pela quarta eleição do petista à Presidência da República desde a redemocratização.
Para o presidente nacional do PT, o resultado representa a vitória do campo democrático e popular diante de um projeto que, em sua avaliação, está associado ao conservadorismo e à radicalização política.
Edinho afirmou que a população comparou as experiências de governo e os projetos apresentados durante a campanha. De um lado, citou medidas e políticas do governo Bolsonaro, como o congelamento do salário mínimo e das aposentadorias, os cortes no Benefício de Prestação Continuada (BPC), o enfraquecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) durante a pandemia e o fim do programa Farmácia Popular. De outro, destacou as políticas sociais e a valorização dos serviços públicos associadas aos governos Lula.
“O presidente Lula tem identidade com os programas sociais brasileiros”, afirmou Edinho, ao mencionar a valorização do salário mínimo acima da inflação, a reposição das perdas das aposentadorias, o Bolsa Família, o BPC, a Farmácia Popular, o SUS, a educação, as universidades e a capacidade científica do país.
Na avaliação do dirigente, a vitória também fortalece a democracia diante de manifestações que colocam em dúvida a legitimidade do processo eleitoral. Ele criticou os adversários pelo estímulo ao não reconhecimento do resultado e defendeu o respeito à escolha feita pela população nas urnas.
MOBILIZAÇÃO NAS RUAS E FORÇA DA COMUNICAÇÃO DIGITAL
Edinho atribuiu parte decisiva da vitória de Lula à mobilização popular durante o segundo turno. Segundo ele, os atos de rua registrados em diferentes estados foram históricos e ajudaram a ampliar a participação eleitoral e a conquistar votos de pessoas que não haviam apoiado Lula no primeiro turno.
O dirigente destacou que a abstenção caiu em cerca de três milhões de votos entre os dois turnos, o que, em sua avaliação, demonstra a importância da mobilização para estimular eleitores que não haviam comparecido às urnas na primeira votação.
Com décadas de militância política, Edinho comparou a intensidade das manifestações do segundo turno às grandes mobilizações populares que marcaram sua trajetória, como as Diretas Já e os atos pelo impeachment de Fernando Collor, em 1992.
Edinho relatou ter acompanhado Lula em viagens por diversos estados e disse que testemunhou mobilizações expressivas no Maranhão, em Pernambuco, na Bahia, no Pará, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina, no Paraná e no Rio Grande do Sul, entre outras regiões.
O presidente nacional do PT também avaliou que a comunicação digital teve papel fundamental na campanha. Ele reconheceu que a agenda presidencial dificultou a realização de vídeos curtos no formato selfie durante o primeiro turno e afirmou que a campanha precisou dar mais atenção a esse tipo de conteúdo na etapa final da disputa.
Nesse contexto, destacou a atuação do deputado federal André Janones na organização do chamado “Exército do Lula” nas redes sociais. Para Edinho, a iniciativa ampliou a capacidade de mobilização digital da campanha e ajudou a formar uma base orgânica de apoiadores.
DESENVOLVIMENTO, EMPREGO E AMPLIAÇÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS
Na avaliação de Edinho, o próximo mandato de Lula deverá combinar a continuidade das políticas sociais com uma estratégia de desenvolvimento econômico, tecnológico e industrial.
Na área econômica, apontou propostas que Lula quer implementar no seu quarto governo para a modernização da indústria brasileira, o aumento da competitividade e da produtividade e a geração de empregos de qualidade para a juventude. Edinho avaliou que o país reúne condições para desenvolver uma estratégia de inovação e tecnologia capaz de ampliar sua capacidade produtiva.
A saúde também foi apontada como uma área prioritária. Edinho defendeu o fortalecimento do SUS por meio da incorporação de tecnologias de alta complexidade e citou, mais uma vez, os recursos federais destinados à Santa Casa de Araraquara para a aquisição de equipamentos e o aprimoramento da capacidade de diagnóstico do câncer.
Para ele, a experiência de Araraquara exemplifica o esforço de modernização da saúde pública e de ampliação do acesso da população a tecnologias que, muitas vezes, estão disponíveis apenas na rede privada.
EQUILIBRIO FISCAL E CAPACIDADE DE INVESTIMENTO
Edinho afirmou que a responsabilidade com as contas públicas é prioridade de Lula e é necessária para assegurar a capacidade de investimento do Estado.
O dirigente defendeu o combate ao desperdício e a modernização da administração pública, inclusive com o uso de tecnologia e o remanejamento de servidores para áreas que apresentam falta de profissionais.
Segundo ele, o objetivo é conciliar a responsabilidade fiscal com os investimentos necessários para fortalecer os serviços públicos, modernizar a indústria e ampliar as oportunidades de emprego e renda.
DIÁLOGO COM O CONGRESSO E PARTICIPAÇÃO POPULAR
Ao comentar os desafios políticos do próximo mandato, Edinho reconheceu que o Congresso Nacional terá um perfil mais conservador, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Ainda assim, afirmou que Lula tem capacidade de diálogo para construir acordos e aprovar propostas de interesse do país.
Como exemplos, mencionou a reforma tributária, medidas de tributação de setores econômicos e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores. Também destacou a mobilização social em torno do fim da escala de trabalho 6×1, que, segundo ele, demonstra a capacidade de pressão da sociedade sobre o Congresso.
Para Edinho, o diálogo institucional precisa ser acompanhado da participação popular, especialmente quando estiverem em discussão mudanças que afetam diretamente a vida dos trabalhadores.
Ele também defendeu reformas no sistema político e no Poder Judiciário, argumentando que as instituições precisam recuperar a credibilidade perante a sociedade.
DEFESA DA DEMOCRACIA E CRÍTICAS À RETA FINAL DA ELEIÇÃO
Na entrevista, Edinho ainda criticou episódios que, em sua avaliação, prejudicaram as condições de participação dos eleitores no segundo turno. Entre eles, citou a atuação das grandes plataformas digitais durante a campanha e a redução da oferta de transporte público em localidades importantes no dia da votação.
O presidente nacional do PT afirmou que a retirada de ônibus dificultou o deslocamento de eleitores e defendeu a apuração dos fatos. Também comentou o pedido de prorrogação do horário de votação, apresentado pelas campanhas diante das dificuldades registradas no transporte público e também em razão das chuvas no Sul do país.
Segundo Edinho, a decisão foi tomada tardiamente, com despacho às 16h30, apenas meia hora antes do encerramento previsto da votação. Observou ainda que cerca de 35 mil pessoas votaram após as 17h e avaliou que a medida teve pouco efeito prático para quem enfrentou dificuldades para chegar às urnas.
Apesar das críticas, Edinho ressaltou que a democracia continua sendo um patrimônio fundamental da população brasileira.
“Não tem nada melhor que a liberdade da gente votar, escolher, da gente manifestar a nossa opinião”, reafirmou Edinho Silva.













