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Em carta pós fuga, Flávio Bolsonaro diz que vai liderar oposição daqui (morando nos Estados Unidos)

Uma carta foi apresentada por Flávio Bolsonaro horas depois do ex-candidato derrotado nas urnas chegar com a família nos Estados Unidos em suas redes sociais. O documento passou por pelo menos quatro revisões de texto e formatação, com Bolsonaro se intitulando em um dos trechos como "líder do Brasil".

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Momento da coletiva de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República nas eleições de 2026, divulgou uma carta pública nesta quarta-feira (28), horas depois de ter chegado aos Estados Unidos, que gerou forte repercussão política devido ao seu teor golpista e recuos sucessivos.

A manifestação ocorreu após o parlamentar deixar o país, descumprindo uma ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a retenção de seus passaportes no âmbito de uma investigação da Polícia Federal.

No texto original distribuído por aliados e publicado nas redes sociais, Flávio afirma: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A declaração foi classificada por analistas como uma tentativa de emular a estratégia de autoproclamação do opositor venezuelano Juan Guaidó.

Cerca de 22 minutos após a primeira postagem, o senador editou a publicação e substituiu os termos “presidente eleito” por “líder do Brasil” e “líder da oposição”. Ao todo, o documento passou por pelo menos quatro revisões de texto e formatação.

A primeira versão do documento em PDF trazia um brasão com a grafia antiga “Estados Unidos do Brazil” (com “z”), símbolo oficial adotado em 1889 logo após a Proclamação da República e que deixou de ser usado em 1967. Nas versões corrigidas que foram ao ar mais tarde, o logotipo foi substituído pelo brasão atual da República Federativa do Brasil.

Sem apresentar provas, Flávio contestou o resultado oficial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva com 51,79% dos votos válidos. Ele alegou “impossibilidade matemática” no crescimento de votos de Lula entre os turnos e criticou a extensão do horário de votação.

Acusou o STF e o TSE de promoverem um “regime” e uma “máquina de perseguição política”, citando nominalmente o ministro Cristiano Zanin e aludindo a Alexandre de Moraes.

O parlamentar negou ter fugido da Justiça brasileira, afirmando textualmente: “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil” e ressaltando que não havia mandado de prisão aberto contra ele.

Agradeceu publicamente o suporte do presidente argentino Javier Milei e do presidente dos EUA, Donald Trump, cujo governo facilitou sua entrada e a concessão de vistos para sua família em território norte-americano.

LIDERANÇA DA OPOSIÇÃO NO EXILIO

Flávio Bolsonaro declarou que pretende coordenar as ações institucionais contra o governo eleito a partir do exterior. Na carta, enviou um recado aos parlamentares e governadores aliados da direita: “Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.”

Ele citou ainda o senador Rogério Marinho (PL-RN) como seu candidato escolhido para disputar a presidência do Senado Federal.

Apesar do tom combativo de Flávio, os principais líderes de seu partido e da sua campanha eleitoral se distanciaram das acusações de fraude. O próprio coordenador da campanha, Rogério Marinho, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, declararam que reconhecem o resultado das urnas validado pelo TSE. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também reconheceu publicamente a vitória de Lula e defendeu o respeito ao processo democrático.