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Está preso na Penitenciária de Araraquara sob forte esquema de segurança o advogado de Vorcaro, do Master

À disposição do advogado e agora, presidiário, existe cela individual; o sistema de monitoramento passou por manutenção e novas câmeras teriam sido instaladas. Sua guarda também foi redobrada, sendo ele a figura central do esquema bilionário de lavagem de dinheiro que envolve Daniel Vorcaro, do Banco Master.

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Advogado de Vorcaro/Master está preso na Penitenciária de Araraquara

O advogado do Banco Master, Daniel Monteiro, encontra-se detido em uma das celas da Penitenciária de Araraquara. Ele foi preso na semana passada durante uma nova fase da operação Compliance Zero, sendo identificado pela Polícia Federal como uma figura central em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que envolve Daniel Vorcaro.

Conforme apurado pelo RCIA, ele funcionava como um operador de questões jurídicas e financeiras, tendo supostamente estabelecido um “compliance alternativo” para conferir uma fachada de legitimidade às transações realizadas.

O plano operava através do estabelecimento de carteiras de crédito que apresentavam sinais de irregularidade ou careciam de respaldo real, sendo formalizadas com papéis que davam a impressão de legalidade e, posteriormente, comercializadas com o Banco de Brasília (BRB).

Assim, a instituição financeira estatal liberava fundos com fundamento em bens que supostamente eram fraudulentos. Uma fração desses montantes teria sido direcionada ao pagamento de benefícios ilícitos, inclusive através da compra de propriedades de alto valor, que estavam nominalmente vinculadas a empresas fictícias e indivíduos de fachada, com o intuito de esconder os reais beneficiários.

O antigo presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi detido nesta quinta-feira. Ele é investigado por supostamente não adotar medidas adequadas de governança e por autorizar transações com o banco Master sem a devida garantia.

A defesa de Daniel Monteiro, afirmou que ele ficou surpreso com a decisão de sua prisão e a consequente transferência para a penitenciária em Araraquara. Em comunicado, destacou que “sua atuação sempre foi de caráter estritamente técnico, como advogado do Banco Master e de vários outros clientes, sem envolvimento em atividades que não estejam relacionadas ao seu trabalho profissional”.

PLANO DE SEGURANÇA

Daniel Monteiro preso na “Peni” de Araraquara, recebendo o Título de Cidadão Baiano em dezembro de 2024

A Polícia Federal caracteriza Daniel Monteiro como um “intermediário jurídico e financeiro”. Ou seja, sua atuação ia além de ser apenas advogado; ele desempenhava uma função crucial e essencial para a operação do sistema ilegal.

Ele chegou a Araraquara com um rigoroso dispositivo de segurança. Sua mudança ocorreu de maneira discreta, uma vez que o advogado se encontrava sob a guarda da Superintendência da Polícia Federal.

De acordo com a investigação, ele seria responsável por uma espécie de “blindagem jurídica” das operações, com atuação direta na elaboração, na revisão e no ajuste de contratos, declarações e notificações ligadas às carteiras de crédito investigadas — inclusive documentos posteriormente apontados pelo Banco Central como incompatíveis com operações reais.

O escritório de Daniel, o Monteiro Rusu, também funcionava como uma espécie de “compliance paralelo”, fora dos mecanismos formais de controle, conferindo aparência de legalidade a operações consideradas fraudulentas. Essa estrutura permitia dar respaldo jurídico às transações e viabilizar a circulação dos ativos no sistema financeiro.

O advogado ainda é apontado como responsável pela arquitetura de ocultação patrimonial do esquema. Ele teria estruturado empresas de fachada usadas exclusivamente para a compra de imóveis de luxo, definido diretores “de fachada” — entre eles um parente — e operacionalizado a transferência de recursos por meio de fundos de investimento ligados à operação.

A investigação também indica que, diante do avanço das apurações, Monteiro teria participado da estratégia para interromper formalizações e evitar rastreamento, mantendo escrituras de imóveis fora dos registros oficiais.

Mensagens interceptadas mostram que ele era acionado diretamente por Vorcaro para dar andamento às estruturas e que tratava essas operações como parte de um conjunto maior de mecanismos já existentes. Para o STF, há indícios de que o advogado não se limitava à defesa técnica, mas integrava o núcleo da organização criminosa, desempenhando funções indispensáveis para a manutenção e o funcionamento do esquema.

Para dar segurança ao advogado e agora presidiário existe à sua disposição uma cela individual, o sistema de monitoramento passou por manutenção e novas câmeras teriam sido instaladas. Sua guarda também foi redobrada.

Sua permanência extremamente vigiada se assemelha ao esquema de segurança feito para a garantia de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que Marcola permaneceu preso na Penitenciária de Araraquara (SP) por um período exato de 46 dias, entre abril e junho de 2002.