
A principal atualização sobre o caso do piloto araraquarense João Vitor de Lima Franco, desaparecido desde março após viajar para Belém (PA), foi a coleta de DNA da sua mãe em Araraquara em junho para investigar se um corpo decapitado e em avançado estado de decomposição encontrado em Viseu (PA) pertence a ele.
João Vitor, de 25 anos, sumiu em meados de março de 2026 após ir ao Pará em busca de emprego na aviação agrícola. Algum tempo depois, o empresário colombiano Ivan Adel Gois de Los Rios, dono da aeronave que João Vitor pilotava, foi assassinado a tiros no Pará em maio.
O material genético coletado do IML de Araraquara foi enviado para confronto com peritos no Pará, mas a identificação oficial do corpo ainda aguarda o laudo final.
O andamento do inquérito policial aponta para uma complexa rede criminosa, com a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Pará investigando formalmente a conexão direta entre a execução do empresário e o sumiço do piloto.
Os principais avanços e linhas de investigação dividem-se em três frentes principais:
1. A Execução do Empresário Ivan Adel de Los Rios
Ivan foi cercado e morto na madrugada de 16 de maio de 2026, no bairro Umarizal, em Belém (PA). Câmeras de segurança registraram que cerca de oito homens armados em dois veículos participaram da perseguição e execução.
A Polícia Militar chegou a interceptar os criminosos logo após os disparos. Houve confronto físico e troca de tiros, mas os assassinos conseguiram fugir.
O inquérito revelou que o empresário colombiano vinha sendo investigado por transações suspeitas e lavagem de dinheiro, com menções anteriores até mesmo em uma CPI. Em abril, um mês antes de morrer, ele havia prestado depoimento formal sobre o desaparecimento de sua aeronave.
2. A Rota do Avião Desaparecido e a “Cilada”
A principal linha de apuração indica que o piloto araraquarense João Vitor de Lima Franco pode ter caído em uma armadilha.
Quatro dias após chegar a Belém, João Vitor decolou em um avião modelo Meta (de propriedade da empresa de Ivan) e realizou um pouso não planejado em Itaituba (PA), dentro de uma fazenda com pista ilegal ou fechada. Ele chegou a enviar um vídeo à família mostrando o avião e um carro preto aguardando no local.
Após decolar novamente dessa pista clandestina, o sinal da aeronave sumiu. A polícia mapeia que a rota tomada seguiu em direção a áreas de garimpo e fronteiras comumente ligadas ao tráfico internacional de drogas (como Suriname, Guiana Francesa ou Colômbia).
O advogado da família e a investigação apontam indícios de cárcere privado. Mensagens recuperadas mostram João Vitor expressando extremo desconforto com a situação e pedindo ajuda à mãe para voltar para casa, indicando que foi forçado a realizar voos contra a sua vontade.
3. Esforço de Federalização do Caso
Diante da suspeita de crimes transfronteiriços (tráfico de drogas e ocultação internacional de aeronave), a defesa da família de João Vitor acionou o Itamaraty e solicitou formalmente a entrada da Polícia Federal (PF) no caso. O objetivo é fazer varreduras em pistas do interior do Amazonas, do Pará e acionar os consulados dos países vizinhos, sob a forte suspeita de que a aeronave esteja camuflada ou escondida em território estrangeiro.
Ao mesmo tempo, o Ministério Público e familiares cobraram rapidez dos delegados encarregados do inquérito. A Polícia Federal também entrou no caso devido à complexidade da apuração.













