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Treinadora da Ferroviária fala sobre a sua trajetória até a chegada ao futebol feminino

Em entrevista exclusiva ao Portal RCIA Araraquara, Roberta Batista falou sobre o seu laço criado com o esporte para crescer profissionalmente, dos trabalhos feitos no futsal e de sua chegada ao futebol feminino com as Guerreiras Grenás

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Crédito: Jonatan Dutra / Ferroviária S/A

“Bem pequena, eu me deparei com o preconceito dentro do futebol. É algo que me marcou muito. No jardim, quando tinha de quatro pra cinco anos, esperava ansiosamente sexta-feira, que era finalmente o dia para ir pra quadra, mas era sempre a mesma história. Quando eu entrava na fila, a professora falava: ‘Não. Os meninos vão ir para quadra jogar futebol. Menina tem que ir para a sala ficar desenhando’. Ali foi o meu primeiro momento de frustração e ficava vivenciando aquilo. E hoje, poder trabalhar dentro da modalidade e disputar a maior competição de clubes do continente, pra mim, é uma felicidade imensa”, declarou Roberta Batista Bezerra, de 37 anos, atual treinadora do time feminino da Ferroviária.

Natural de São Paulo, Robertinha falou com exclusividade ao Portal RCIA Araraquara sobre a sua trajetória de vida até chegar ao objetivo que mais sonhava. Durante todo este processo, até por conta do preconceito que enfrentou por onde passou, ela também praticou outros esportes até chegar ao futebol e desconhecia a modalidade no feminino.

“Eu praticava outras modalidades dentro da escola. Jogava handebol, joguei um pouco de basquete, mesmo com essa pouca estatura, e representei a escola da prefeitura. Naquela época, eu ainda não tinha a ambição de ser uma jogadora de futebol porque, pra mim, não existia. Não passava na televisão e nem um outro lugar. Eu era aquela criança que ficava batendo bola no domingo à tarde, ouvindo som do rádio com um jogo de futebol, me imaginando dentro de um estádio, mas não era algo que eu pensava em ser”.

Os anos 90 foram importantes para a impulsão do futebol feminino, com a disputa da Copa do Mundo no início da década e também dos Jogos Olímpicos, em 1996, fazendo com que a modalidade começasse a ter transmissões pela TV Bandeirantes em preliminares nos jogos do Campeonato Paulista, popularmente chamada de Paulistana.

“Em 1998, acho que tinha a Sissi e a Formiga no São Paulo, tinha a Márcia Taffarel no Corinthians e foi aí que eu me deparei que tinha futebol para mulheres, mas era algo muito distante pra mim”, contou.

O ÁRDUO COMEÇO

As coisas começaram a mudar a partir do colegial. Em uma das disputas dos tradicionais Torneios Interclasses, ela chamou a atenção jogando futsal e uma colega que acompanhava uma das partidas convidou Robertinha para fazer uma peneira em clube.

“Ela disse que jogava futsal e disputava o Campeonato Paulista pela Federação [Paulista de Futsal]. Simplesmente falei ‘vou’ e acabei conseguindo. Aquilo acabou abrindo muitas portas e comecei a enxergar melhor o que é o futebol e, naquele momento, o futsal feminino, como um meio de, talvez, conseguir concluir uma faculdade com bolsa. Foi dessa maneira que fui pensando na minha adolescência”.

Em 1999, ela teve a sua primeira experiência jogando pela equipe da Ford. No ano seguinte, ingressou na Sabesp, que tinha como treinadora Márcia Taffarel e, em 2001, fez parte da UniSant’Anna, que era treinada por Marcello Frigério, o Tchelo, o qual treinou recentemente o Cruzeiro na disputa do Brasileiro Feminino.

“Lá, tinha um convênio da escola com a faculdade, então eu pude estudar o meu terceiro ano com bolsa de estudos e, posteriormente, fazer os quatro anos da faculdade de Educação Física. Naquele momento, eu via o futebol como maneira de concluir os estudos”.

Naquele período, o Palmeiras tinha uma parceria com a faculdade e Robertinha teve seu primeiro contato, fazendo parte do time feminino de campo, comandado pelo próprio Tchelo. A equipe se sagrou campeã do Campeonato Paulista de 2001, vencendo na decisão a Matonense. Pelos lados do time de Matão, a goleira era Vanessa Cataneo, hoje preparadora de goleiras da Ferroviária.

Quando as coisas começaram a se alinhar, Robertinha, então com 19 anos, acabou recebendo um duro golpe em sua família com a perda da mãe, se mudando de Diadema e indo morar em Vila Mariana, na capital.

“Isso acarretou em muitas coisas dali pra frente. Era um momento em que eu precisava trabalhar, ter meu dinheiro e me sustentar”.

Mesmo com o momento turbulento, ela conseguiu concluir a faculdade. Em 2005, foi convidada por Tchelo para integrar a Seleção Paulista Sub-20 de futsal para a disputa do Brasileiro de Seleções, realizado em São Paulo.

“Dentro deste período, ele percebeu em mim uma vocação para trabalhar com isso e foi me incentivando. Ele pediu pra eu dar treino para atletas mais novas e também para fazer uma análise das adversárias. Eu passava a tarde no ginásio da Federação analisando as outras seleções, quem era a melhor jogadora das seleções, as características, como defendia o escanteio, etc”, declarou.

Em 2006, começou a trabalhar em um projeto social, no Parque da Juventude – área onde ficava localizado o presídio do Carandiru – e foi convidada pela treinadora Maria Cristina de Oliveira e pelo coordenador de seleções, Gilberto Rodrigues, para participar da Seleção Paulista adulta na disputa do Brasileiro de Seleções, em Salvador, sendo a analista da equipe.

No ano seguinte, viveu uma outra experiência, desta vez sendo preparadora física da Sabesp, ajudando a equipe adulta, comandada pela Maria Cristina, e também a Sub-20, da técnica Márcia Honório.

A partir daí, Robertinha criou um grande afeto pelo futsal e almejou ser treinadora. Foi em busca de mais conhecimento sobre a modalidade, frequentando cursos, alguns deles feitos por PC de Oliveira e Paulinho Cardoso.

“Eu acabei fazendo estágio no time da Malwee com o Ferreti. Em 2008, eu tive o convite do São Caetano para treinar a equipe Sub-20 e adulta, e acabo saindo da Sabesp. Já no ano seguinte, o clube faz uma parceria com o Corinthians/Unip. Na disputa dos Jogos Abertos, a equipe representava São Caetano; no Campeonato Paulista, era o Corinthians, e nos Jogos Universitários, era a Unip”.

Dentro deste período, a equipe comandada por Robertinha fazia clássico com o Palmeiras/Osasco/UniSant’Anna. Curiosamente, ela enfrentou por diversas vezes a então jogadora de futsal Sâmia, que hoje está no elenco da Ferroviária.

Ela ainda comandou a Seleção Paulista Sub-20, ficando com o vice-campeonato Brasileiro, perdendo a final para Santa Catarina.

O projeto durou apenas dois anos. A prefeitura de São Caetano acabou cortando parte das verbas que eram destinadas à modalidade e o Corinthians manteve apenas o time masculino.

Ainda em 2011, foi convidada por Marco Antônio “Batata”, coordenador do EC Pinheiros e atual treinador da Seleção Brasileira de Fut 7, a ingressar no clube paulistano para trabalhar nas categorias de base Sub-15 e 17 de futsal masculino.

“Foi uma experiência muito bacana. É claro que o nível competitivo não era o mesmo, pois não disputávamos os campeonatos organizados pela Federação, mas foi um período de muito aprendizado. Foi aonde eu consegui fazer a minha pós-graduação em futebol e futsal, depois em administração e marketing esportivo, então consegui agregar mais conhecimento”, contou.

Em 2016, Robertinha fez um curso de análise de desempenho no futebol e isso a ajudou a abrir novos horizontes dentro do futsal. Foi quando ela conversou com Marquinhos Xavier, atual técnico da Seleção Brasileira de Futsal e que na época comandava Carlos Barbosa, e levou essa ideia até ele.

“Na época, a Liga Nacional usava a plataforma VideObserver, onde se conseguia assistir a partida das equipes, então dava para você fazer a análise. Então, comecei a me inserir no futsal de uma outra maneira, mas também paralelamente ao Pinheiros”.

Mesmo fazendo estes trabalhos, ela não conseguiu um espaço e começou a pensar no futebol feminino.

O SONHO QUE COMEÇOU A SE TORNAR REALIDADE

A modalidade na qual Robertinha pensou que não existia quando criança, começou a passar por um momento de reestruturação na década passada, com o surgimento do Brasileiro Feminino e o cenário paulista se fortalecendo cada vez mais com a disputa do estadual.

Longe dos anos 90, mas ao mesmo tempo distante do que se espera atualmente, o futebol feminino alcançou um novo patamar, principalmente com investimentos.

“Eu começo a pensar muito no futebol, pois o futsal feminino regrediu muito de 2009 pra cá. Hoje, está tentando se reestruturar, com novas competições, mas com muitas deixando de existir. Como eu não estava conseguindo mais me inserir com a análise de desempenho dentro do futsal, pensei que o futebol era uma porta que poderia se abrir”.

Sem se distanciar do Pinheiros, Robertinha começou a cursar para tirar licença da ATFA (Associação dos Treinadores do Futebol Argentino), com curso feito a distância, com a prova prática que será feita presencialmente na cidade de Buenos Aires.

Já em 2017, ela entra em contato com o treinador Arthur Elias, na época treinador do Corinthians/Audax, e oferece, de maneira voluntária, a análise de adversários quem disputavam o Brasileiro Feminino e o Paulistão Feminino.

Cada vez mais se aprimorando com a modalidade, por pouco ela não trabalhou na Ferroviária já em 2018, para vaga de assistente técnica na equipe comandada por Celso Boffa e também nas categorias de base, liderada por Anderson Clayton.

Em 2019, as Guerreiras Grenás, sob o comando de Tatiele Silveira, conquistariam o bicampeonato do Brasileiro Feminino e o vice da Libertadores da América.

O clube passava por um momento de transição na coordenação do futebol feminino, saindo Ana Lorena Marche para a entrada de Carol Melo. Foi então que a sua primeira oportunidade no futebol feminino apareceu no final daquele ano.

“Elas entraram em contato comigo para ser a assistente da Tati e também cuidar da parte da formação, como coordenadora metodológica. Fiquei muito feliz pelo convite. Finalmente, em 2020, eu início a minha trajetória no futebol feminino”.

Robertinha fez trabalhos para o técnico Arthur Elias na época de Corinthians/Audax, em 2017 – Crédito: Arquivo/Gabriela Montesano/Audax

INÍCIO PANDEMICO

Justamente no ano em que Robertinha começaria de fato na modalidade profissionalmente, veio a pandemia do coronavírus, fazendo com que todas as competições fossem paralisadas no mês de março, no Brasil.

O agravamento da doença atingiu em cheio a rotina de muitos clubes de futebol do Brasil, afetando o futebol profissional, principalmente o das categorias de base.

“Foi um período difícil. Estava esperando essa oportunidade e, logo no terceiro mês, para tudo. Aí fica a questão do que será, o que pode acontecer. Vamos parar por duas semanas, que depois vira um mês. No fim das contas, foi um longo período de muitas reuniões online, buscando atividades tanto na equipe profissional, quanto na base. Bolamos diversas atividades, desde análise de jogo até brincadeira, como “Stop!”, bingo, aula de zumba. Foi desafiador porque todos estavam presos em casa, mas não podíamos perder o contato. Tínhamos que estar por perto para saber o que estava acontecendo com nossas atletas”.

Quatro meses depois, o futebol masculino retomou as atividades com o Campeonato Paulista, mas as atividades do feminino continuaram paralisadas, retornando apenas em agosto com o término da quarta rodada do Brasileiro Feminino.

“Aí entra um pouco aquela diferença de tratamento. Os caras vão voltar, mas o feminino ainda não se sabe porque não é um esporte profissional ainda, então tem aquela coisa que você começa a sentir na pele, mesmo com o crescimento da modalidade nos últimos anos. Foi difícil pra todo mundo”.

O trabalho nas categorias de base também foi bastante prejudicado, principalmente para o crescimento profissional. Muitas atletas acabaram perdendo parte de uma experiência de quase um ano sem competições e isso causou preocupação.

“Isso afetou o desenvolvimento de algumas meninas que estavam na base e também em um ano bom. Algumas estavam prontas até para disputar o Brasileiro Sub-18, mas acabaram perdendo”.

A GLÓRIA É DELA

Com a Ferroviária parando nas quartas do Brasileiro e sendo vice do Paulistão Feminino, restou a disputa da Libertadores Feminina de 2020, que foi disputada em 2021, na Argentina, por conta da pandemia, com o início de um novo trabalho.

Após a saída de Tatiele Silveira, a treinadora Lindsay Camila começou a sua trajetória dentro do torneio continental, com poucos treinamentos e com uma equipe desentrosada pelo seu estilo de jogo proposto.

No primeiro duelo, uma derrota acachapante para o Libertad-Limpeño-PAR por 4 a 0, resultado que fizesse todos a duvidarem sobre o desempenho da equipe na competição.

“Perder a primeira partida por 4 a 0, com muita vergonha de sair do vestiário e voltar para o hotel, fez a gente pensar ‘Poxa vida. E agora?’. Depois, tivemos um empate contra o Peñarol com gol marcado pela Monalisa, deu um fiozinho de esperança”.

Com a rodada derradeira na qual o Libertad-Limpeño era o grande favorito contra o Peñarol, a Ferroviária precisaria reverter a situação de salgo de gols negativo com número de gols marcados contra o líder do grupo, a Universidad de Chile, deixava a situação bastante complicada, mas não impossível.

“Ninguém tinha Internet no celular. O pessoal da comissão técnica que estava fora, não tinha acesso a informação do que tava rolando no outro jogo. Tínhamos na cabeça que precisávamos de cinco gols porque era o que haviam informado. Sabíamos que era muito difícil, mas é uma lição que eu vou levar pra sempre que é acreditar até o fim, no milésimo de possibilidade, o impossível que se tornou possível. Eu não consigo descrever o que foi aquele momento”, declarou a então auxiliar-técnica Robertinha.

As Guerreiras Grenás venceram por 4 a 1 e o Liberta-Limpeño empatou por 0 a 0 contra o Peñarol. Brasileiras e paraguaias empataram no número de saldo de gols (-1), mas o time grená marcou um gol a mais (5 contra 4), por isso ocupou a segunda colocação da chave, indo para as quartas de final até se tornar campeão continental pela segunda vez.

Como auxiliar-técnica, Roberta Batista conquista seu primeiro título profissional na Ferroviária com a Libertadores 2020 – Crédito: Conmebol/Divulgação

ROBERTINHA, A TREINADORA

Mesmo com o título continental, a passagem de Lindsay Camila no comando técnico grená durou até a quinta rodada do Paulistão Feminino e já vinha de uma eliminação na semifinal do Brasileiro Feminino.

Com a vaga deixada em aberto, coube então a Robertinha ter a sua primeira oportunidade como treinadora de futebol em uma equipe profissional feminina. Antes disso, ela havia comandado a equipe Sub-18 grená, obtendo vaga inédita na semifinal do Brasileiro Feminino da categoria, caindo para o Corinthians.

“Vejo que eu havia feito um bom trabalho na base. Muito se olha às vezes para o resultado, mas eu acho que a gente tem que, principalmente, olhar na base como um todo. A equipe evoluiu muito em desenvolvimento de jogo, de qualidade, de propor o jogo, de uma maneira mais apoiada”.

“Logo em seguida dessa eliminação, eu fui procurada para comandar a equipe interinamente. Não vou dizer que assusta muito, mas chegou muito rápido. Eu tinha um plano. O plano era ficar de cinco a seis anos como auxiliar para ir crescendo e desenvolvendo. Mas, passados um ano e nove meses, surge essa possibilidade de assumir interinamente”, completou a treinadora.

Por já conhecer o elenco, isso facilitou o seu trabalho de início, não precisando fazer mudanças radicais na equipe, apenas alguns ajustes para que a equipe fosse melhorando quase que de imediato, por conta da falta de tempo para treinamentos.

Com as Guerreiras Grenás lutando por uma classificação às semifinais do Paulistão Feminino, Robertinha pega o elenco na sexta colocação e consegue saltar para o G4, vencendo um confronto direto diante do Palmeiras, na Fonte Luminosa, o que praticamente garantiu a vaga ao mata-mata.

“O objetivo era chegar entre os quatro, mas tínhamos que brigar com Palmeiras, Red Bull e São Paulo, que estavam na nossa frente. Era o primeiro desafio, mas buscamos mudar um pouco o jogo e depois eu fui entendendo as coisas que estavam faltando no time”.

Nas semifinais, a equipe acabou caindo para o Corinthians, perdendo por 1 a 0 na Fonte e depois por 4 a 1, na Arena Barueri.

MAIS QUE FUTEBOL, UM ANTIRRACISMO

Com a eliminação do estadual, o foco mudou novamente para a Libertadores, que foi disputada no último mês de novembro no Paraguai, com a final sendo realizada no Uruguai.

Na defesa do título, a Ferrinha ficou no Grupo A, com Sol de América-PAR, Deportivo Cuenca-VEN e Independiente Santa-Fe-COL, considerado por muitos como o “grupo da morte”.

“Caímos em um grupo difícil, com equipes como Cuenca e Santa Fe, que são de muita força física. Na primeira rodada, ficamos sem muita informação das equipes. O Sol de América conseguimos um ou outro jogo. Santa Fe conta com jogadoras como Tapia, Guarecuco e Robledo e acaba sendo um pouco diferente, assim como Cuenca, que conhecemos uma ou outra atleta. Dentro da própria competição, você acaba conhecendo melhor as equipes”.

Mesmo precisando de uma melhora no setor ofensivo, a equipe faz uma campanha segura  e consegue passar na primeira colocação da chave com sete pontos, mesma pontuação do Santa Fe, que ficou em segundo por conta do saldo de gols.

Nas quartas de final, a Ferrinha encara o Cerro Porteño-PAR, que contou com o apoio da torcida local. Mesmo assim, a equipe elimina as paraguaias ao vencerem por 3 a 0.

Já na semifinal, um novo encontro contra o Santa Fe. Na fase de grupos, as equipes ficaram no 0 a 0. No mata, a história foi diferente e com um final ruim para os lados grenás.

Depois de buscarem o empate por 1 a 1, o time araraquarense sucumbiu nas penalidades e perde por 4 a 2, dando adeus ao sonho do tricampeonato continental.

Restou então a disputa pelo terceiro lugar da competição, o que rendia uma premiação de US$ 30 mil. O adversário seria o Nacional-URU, que foi goleado pelo Corinthians por 8 a 0 pela outra semifinal.

Durante aquela partida, Adriana, atacante da equipe alvinegra, acabou sendo vítima de racismo por uma atleta uruguaia, que não foi identificada até hoje pela CONMEBOL e também não houve manifesto por parte do Nacional.

A partir daquele momento, não se tratou apenas de futebol. Foi uma luta pela igualdade e também contra o racismo por parte das jogadoras e comissão técnica grená.

“Nós vimos o que aconteceu e isso acabou dando algo a mais para a partida. Não foi só a disputa de terceiro lugar que estava em jogo. Aquilo representava muito e sabíamos o que estava rolando nas redes com a hashtag ‘AfeTimãoContraORacismo’, todo mundo estaria de olho neste jogo, com muitos torcendo pra gente por conta de uma causa que é a luta contra o preconceito que não deve ter espaço em nenhum âmbito social. Essa é uma modalidade que sofreu por muitos anos e ainda sofre preconceito e você disseminar com qualquer outro tipo de preconceito é inaceitável. A gente tinha isso e queríamos muito dar uma resposta”.

Jogadoras e comissão técnica com o punho ao alto em protesto contra o racismo na partida diante do Nacional – Crédito: Jonatan Dutra / Ferroviária S/A

Em partida muito disputada, o Nacional conseguiu abrir 1 a 0 na primeira etapa, mas na metade do segundo tempo, Rafa Mineira marcou o gol de empate para as Guerreiras e a decisão se encaminhou para as penalidades.

O roteiro não poderia ter sido melhor. A goleira Luciana defendeu três penalidades e o time araraquarense conquistou o honroso terceiro lugar ao vencer a disputa por 3 a 1.

LADIES CUP

Encerrando a temporada, a Ferroviária se prepara agora para a disputa da Ladies Cup, torneio internacional que terá a primeira fase sendo disputada na cidade de Santana de Parnaíba e a final no Allianz Parque, em São Paulo.

Com a participação de oito equipes, elas foram dividas em dois grupos com quatro. A Ferroviária está no Grupo B, ao lado de River Plate-ARG, América de Cali-COL e São Paulo. A estreia acontecerá no dia 12 de dezembro, domingo, às 18h, diante das Soberanas.

“Sabemos que será um campeonato bastante difícil, com um tempo menor de um jogo para o outro. Passam apenas o primeiro de cada grupo para fazer a final. É uma competição de tiro curto e vai exigir muito do físico da equipe. Por isso, fizemos um levantamento até do que foi feito na Libertadores para fazermos alguns ajustes e o que pode ser melhorado para esta competição”.