
Professora e pesquisadora brasileira recebeu 99 prêmios de diferentes órgãos nacionais e internacionais e possui mais de 15 patentes registradas
Joana D’Arc Félix de Souza e a organizadora da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Câmpus Araraquara, Renata Porto Vanni
Até quarta-feira, 24, ocorre em todo o Brasil a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Em Araraquara, o evento é organizado pelo Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, e teve uma brilhante abertura, comandada pela Professora Doutora Joana D’Arc Félix de Souza, destaque no meio científico no Brasil. O auditório estava lotado e teve presença de alunos do ensino municipal e do próprio Instituto.
Joana nasceu em 1963 na cidade de Franca (175 km de Araraquara) em uma família humilde. A mãe era faxineira e o pai era profissional de um curtume na cidade. Durante a palestra de uma hora e meia, com uma fala doce e calma, típica do interior do estado, contou como começou a ler sozinha aos três anos de idade.
“Minha mãe trabalhava como faxineira na casa da diretora do Sesi de Franca, e como não tinha com quem eu ficar, ela me levava e deixava um jornal comigo e eu ia rabiscando as palavras que eu já conhecia. Certo dia, eu já tinha 4 anos, a dona da casa chegou antes da hora e foi até o quarto dos fundos onde eu estava e me pediu para ler um texto do próprio jornal. Surpresa com a perfeição da minha leitura, ela me levou para a escola e já entrei no primeiro ano”, comenta.
Souza, emocionada, comenta sobre os preconceitos que sofreu em outra escola, onde entrou no terceiro ano do ensino fundamental. “É uma escola estadual, que ficava mais próxima de casa, e a diretora separava os alunos por classe social”, relembra.
“Depois de vários ataques racistas e classicistas, disse ao meu pai que não queria mais ir para aquela escola, pois não tinha mais vontade de estudar, e meu pai sabiamente me falou ‘nunca deixe sua origem limitar o seu futuro, pense sempre mais alto’. Concluí o ensino médio aos 14 anos” disse.
SUPERAÇÃO
Os obstáculos na vida da jovem Joana eram cada vez mais presentes. Racismo, desigualdade de ensino e as dificuldades financeiras não foram suficientes para fazer a menina cheia de sonhos desistir.
“No terceiro ano do ensino médio, ia para a escola de manhã e a tarde estudava uma matéria por dia, sempre com a ajuda das minhas professoras e diretora, que me forneciam os livros para que conseguisse uma boa colocação no vestibular. No final do ano, o dono do curtume onde meu pai trabalhava se ofereceu para pagar três inscrições para diferentes universidades públicas. Uma delas, foi para a Unesp de Araraquara. As outras duas foram USP e Unicamp. Aos 14 anos, passei nos três vestibulares”, afirmou Souza.
“Resolvi fazer minha graduação na Unicamp e aos 17 anos já tinha me formado em Química. Iniciei na própria instituição meu mestrado e concluí aos 19. Em seguida comecei meu doutorado e, na metade do curso, ganhei uma bolsa para termina-lo nos EUA. Após terminar o doutorado, iniciei o pós-doutorado, com 25 anos, na Universidade de Harvard, também nos Estados Unidos”.
Atualmente, ela é pesquisadora e docente da Escola Técnica Estadual (ETEC) Professor Carmelino Correa Junior, em Franca. Conquistou 99 prêmios com suas pesquisas por todo o mundo e possui mais de 15 patentes internacionais com os trabalhos de pele suína e aplicação no couro.
A palestra completa está disponível na página do IFSP Araraquara, no Youtube. Você pode assistir clicando AQUI.