Início Geral

Grupo cristão vai a hospital impedir aborto em menina de 10 anos estuprada

Garota foi transferida para Recife para realizar o procedimento, que foi negado no Espirito Santo. O Fórum de Mulheres de Pernambuco foram ao local, para defender o direito ao aborto legal

1583

Um grupo de cristãos se reuniu em frente ao Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), no Recife, em Pernambuco, neste domingo (16), para protestar contra a realização do aborto na menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio, em São Mateus, no Espírito Santo.

Os manifestantes se reuniram no local após a ativista Sara Winter divulgar nas redes sociais o nome da vítima e o local onde aconteceria o procedimento. As informações divulgadas por Sara eram sigilosas.

Do lado de fora do hospital, o grupo deu as mãos em oração, entoou palavras de ordem e chegou a confrontar o médico que seria responsável pelo procedimento, chamando-o de assassino.

“Estamos aqui como grupo cristão, pró-vida. A gente não quer permitir isso, vai acontecer aqui o assassinato de uma criança” disse a deputada estadual pernambucana Clarissa Tércio, que estava com o grupo no hospital, fazendo vídeos para suas redes sociais.

A menina começou os procedimentos de aborto neste domingo mesmo. Não é possível saber quanto tempo irá durar o procedimento, uma vez que depende do estado clínico da paciente e dos efeitos da medicação utilizada.

Antes da violência sexual à que foi submetida, a menina já tinha sofrido a morte precoce da mãe e ausência do pai, que está preso.

ABORTO NEGADO
Embora tenha sido abusada sexualmente no Espírito Santo, a menina foi transferida para o Recife, em um voo comercial, porque o hospital referência em aborto de Vitória se negou a realizar o procedimento. A unidade de saúde alegou que ela já está em “idade gestacional avançada”. A vítima está com 5 meses e duas semanas de gravidez.

O hospital não iniciou os procedimentos para a indução do aborto e simplesmente pediu que a menina retornasse nesta semana para uma nova reavaliação, mas ela desenvolveu diabetes gestacional e corre risco de morrer. Se seguir grávida, ela pode contrair outras complicações clínicas, como pressão alta e fissuras no útero, que colocarão sua vida ainda mais em risco.

A Corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) também abriu investigação para apurar se a Justiça do Espírito Santo resguardou os direitos da criança durante a condução do processo.

DEFESA 

O Fórum de Mulheres de Pernambuco foram ao local. Cerca de 50 ativistas defenderam a interrupção da gravidez. Em conjunto, elas disseram o seguinte: “‘A vida dessa menina estuprada importa para toda sociedade. O aborto legal é um direito. Não vamos abrir mão disso. Não vamos abrir mão da vida de uma menina de 10 anos. Gravidez forçada é tortura. Gravidez aos 10 anos é morte”.