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Nos campos do açúcar a forja da sobrevivência

Conhecido e disputado no meio rural, pela honestidade e competência, João Floriano têm feito parcerias com proprietários de terra ao longo da vida.

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Capa certa 01

Conhecido e disputado no meio rural, pela honestidade e competência, João Floriano têm feito parcerias com proprietários de terra ao longo da vida.

Menino de hábitos simples e adepto de prosas, João começou cedo na lida com a terra.  Aos 11 anos após a morte do pai, foi necessário deixar a infância de lado e ir trabalhar na lavoura de cana. Um tempo onde os filhos homens tinham que superar a dor da perda e tomar as rédeas do sustento da família, que na época era composta de cinco irmãos e a mãe agora viúva.

E lá se foi o garoto, que hoje aos 59 anos, ainda chora quando fala sobre a perda do pai, que não teve tempo para o sofrimento, por ser necessário forjar uma nova vida a ferro.

Embora não fosse o irmão mais velho, puxou para si a responsabilidade, onde aos 15 anos já provia o sustento.  E assim o fez, até firmar sua primeira parceria aos 18 anos com a Fazenda Santa Isabel, de propriedade de Eraldo Polez, nos arredores do distrito de Guarapiranga, onde fez sua lavoura de algodão, levando consigo um de seus irmãos Santo Floriano.

Além do algodão, o então garoto,  que já havia trabalhado com a cana-de-açúcar que é a cultura predominante na região seguiu na fazenda por 10 anos.  Já com 28 anos resolveu abrir novos campos e partiu então para a Fazendinha, onde assinou uma parceria com Aparecido Timpani para ajudá-lo no cultivo de suas terras, onde se fixou e continua a trabalhar há mais de 30 anos.

Ficou então conhecido nas redondezas e a partir daí, com muito trabalho e esforço tem hoje uma carteira de mais de 10 propriedades a qual é responsável pelas safras de cana, e outras ainda arrendadas.

O irmão Santo, o companheiro de vida que o ajudava na lida, por uma fatalidade despediu-se das terras em uma manhã chuvosa em novembro de 2001, que ao descer uma serra, o trator a qual dirigia virou matando-o de forma abrupta . E novamente teve que superar a dor e seguir em frente.

Mesmo com muito trabalho, João conseguiu fazer o ensino fundamental, mas carrega na bagagem o que aprendeu durante anos com homens formados pela terra, portanto, uma grande experiência, nada foge ao seu entendimento quando se refere à cana, novas tecnologias, plantios para cada solo e adubação orgânica, sem contar que a internet veio facilitar muitas suas pesquisas.

Adepto do amor a terra e respeito à natureza, diz que a mecanização das lavouras, veio facilitar a vida de muitos, mas dificulta a dos pequenos produtores, onde as terras não tem espaço para o maquinário necessário, sem contar que o pisoteio das maquinas, dificulta a rebrota e afeta a safra seguinte. Diz também que a mão de obra especializada para corte manual é escassa, hoje segundo ele, apenas a Usina Nova Era ainda disponibiliza esse serviço, que caso não houve, pequenos produtores teriam que migrar para outras culturas.

Na verdade, o menino de 11 anos que começou só e sem nada, emprega cerca de 20 pessoas na entre safra e recebe para o corte da cana em média 80 pessoas, tem maquinário especifico, investe em novas lavouras e tecnologias, fazendo com que seu nome seja um dos mais disputados entre produtores que necessitam de parcerias. Em época de safra, além do trabalho diurno, pode-se ver João andando de um lado para outro durante a madrugada para acompanhar a contagem e retirada da cana, “nem durmo, mas sei décor cada caminhão que sai de cada propriedade”- diz ele.

As filhas 01Família que se completa com as filhas, Josiane e Elisangela

Anda pelos canaviais satisfeito com seu trabalho, explicando cada variedade de cana e a variação de trato para cada tipo de solo, sempre de olho em erosões e formigueiros que podem levar abaixo todo o trabalho empenhado. “Trabalhamos com a pressão da natureza, temos que saber lidar da melhor forma”.

Casado com Maria de Lourdes Rodi Floriano, com quem tem duas filhas, Elisangela que é formada em Letras e Josiane que é Fisioterapeuta, tem hoje uma vida estável, fruto de seu trabalho com a terra.  “Eu me sinto realizado, hoje não se ganha muito dinheiro na lavoura, porque costumo dar um passo de cada vez, mas construí meu nome dentro de padrões de honestidade e seriedade, respeito e tenho apreço por todos que ao longo do tempo me ensinaram a ser o que sou hoje”- afirma ele.

A esposa e netosJoão ao lado da esposa Maria de Lourdes com os netos Otávio e Helena

Floriano é um exemplo claro de quem não esperou que nada caísse do céu, além da chuva; trilhou de forma reta seu destino de menino só com responsabilidades de homem grande e se algo ainda o entristece é o fato de não poder ter caminhado pela vida ao lado do pai, deixando-o cedo, para que ele florescesse nos doces campos do açúcar.

Com funcionario 01Com seu funcionário Juliano da Silva que o acompanha desde 2002