Araraquara perdeu nesta terça-feira (14) Elidia Pignatti Frare, a matriarca de uma família que se juntava anualmente em uma festa que ela organizava para que os convidados saboreassem o vinho que ela mesmo, por mais de 60 anos, produziu em sua casa na Vila Xavier.
Elidia ao longo do tempo se apaixonou tanto pela produção, que construiu uma adega, e, apoiada pelo marido Hermano Frare era a anfitriã a receber com alegria os amigos, parentes e filhos, netos e bisnetos que vinham de toda parte como Bahia, São Paulo, Santos, São João da Boa Vista, Rio Claro e até da Alemanha.

O encontro seguiu ritual tão forte que lá pelos anos 80 as taças passaram a ser cunhadas caprichosamente com o nome da vinícola caseira: Santa Emília, resgate de um passado encantador, contando sempre que a vinícola de seu pai se chamava Santa Emília talvez em homenagem a avó que se chamava Emília.
Quando a mulher foi batizar o vinho que produzia, não tinha essa lembrança de que a vinícola do pai se chamava Santa Emília e assim deu ao vinho o nome que sempre trouxe a ela doces e ‘embriagadas’ recordações.
Com uma vida simples, o casal na verdade sempre procurou criar os filhos nos laços da união. Elidia comentava com as amizades próximas que para ela, o vinho sempre foi algo sagrado, trazendo gostosa lembrança da infância e dos familiares.
Para os convidados, como num sintoma de discurso à volta da mesa, as pessoas se sentiam verdadeiramente privilegiadas, não só por provarem o delicioso vinho produzido por Elidia, mas pelo efeito e a sensação que ele provocava, brindando a amizade, os laços de família, num festivo momento de alegria por estarem juntos.
Viúva de Hermano por cerca de 8 anos, Elidia foi velada em uma das salas do Memorial Fonteri nesta manhã de quarta-feira e por volta das 10h, sepultada no Cemitério dos Lírios. (Fotos: João Carlos)