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Morre Crispim, mecânico que se eternizou preparando carros nos circuítos de rua em Araraquara nos anos 60

Nas competições nas Avenidas Bento de Abreu e Padre Francisco Sales Colturato, a Avenida 36, em 1963 estava Crispim, e, sua vinda ao Baile do Carmo sempre era vista como uma atração. Lendário “mestre da mecânica” em cada pedaço que pisou em Araraquara, conseguia narrar suas emoções. Seu sepultamento vai se dar nesta segunda-feira.

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Crispim e o jornalista Giovani Peroni durante o lançamento do livro em São Paulo

Miguel Crispim Ladeira, que completaria 86 anos de idade em novembro, faleceu neste domingo (19) em São Paulo, onde residia. O seu nome sempre esteve permanentemente atrelado ao automobilismo e a construção de carros para a época, um deles, o Carcará fabricado na Fazenda Chimbó entre Araraquara e Matão, de Rino Malzoni.

Crispim sempre teve uma ligação muito forte com Araraquara. Ele brilhou no  I Circuito de Araraquara (1962) e marcou época na DKW Vemag, também foi protagonista na criação do lendário Carcará, recordista brasileiro de velocidade em 1966. Nas competições nas Avenidas Bento de Abreu e Padre Francisco Sales Colturato, a Avenida 36, sempre estava o lendário “mestre da mecânica” e, cada pedaço que pisou em Araraquara ele conseguia narrar suas emoções.

O respeitado preparador de motores Miguel Crispim Ladeira recentemente lançou seu livro “Nasci Mecânico” no espaço de raridades automotivas de Flávio Gomes, no bairro São Judas, em São Paulo. O evento reuniu inúmeros convidados, entre amigos, pilotos e admiradores do automobilismo, em uma tarde marcada por autógrafos, histórias e celebração da trajetória de Crispim, um dos grandes nomes da mecânica e da velocidade no Brasil.

O nome de Miguel Crispim Ladeira está gravado na memória do automobilismo brasileiro e, em especial, na história esportiva de Araraquara. Preparador de motores, construtor de carros de corrida e inventor de soluções mecânicas ousadas, Crispim desempenhou papel decisivo no I Circuito Automobilístico de Araraquara, realizado em 1962, quando ajudou a equipe da DKW Vemag a conquistar duas das três provas disputadas nas ruas da cidade.

Sob suas mãos, a preparação do DKW Vemag, o piloto Mário César Camargo Filho, o “Marinho”, tornou-se o grande herói da competição na Morada do Sol. Na primeira prova, Marinho cruzou a linha de chegada em primeiro lugar e ainda registrou a volta mais rápida, com média horária de 78,110 km/h. A emoção seguiu na segunda bateria, quando Bird Clemente, pilotando um Landy Jr. – o famoso “charutinho” – conquistou o 3º lugar, marcando o melhor tempo da corrida, com média de 86 km/h.

Crispim empurra o carro de Bird Clemente para o Circuíto de Rua em corrida realizada no começo dos anos 60. A largada acontecia pouco antes do segundo balão da Fonte

A consagração viria na terceira e principal prova: Marinho voltou a vencer, desta vez em uma disputa eletrizante contra Bird Clemente, também da DKW Vemag, com apenas 29 segundos de diferença. O pódio ainda teve Cyro Cayres, em um Simca, em 3º lugar, seguido de mais dois DKW Vemag, pilotados por Roberto Dal Pont e “Áquila”. A rivalidade com Gordini e Volkswagen deu ainda mais emoção às corridas.

O evento reuniu grandes nomes do automobilismo e personalidades de destaque, como o lendário corredor Francisco Landi (Chico Landi), além de autoridades políticas e empresariais: o presidente do certame, vereador Mário Ananias, o comendador Roberto Selmi Dei, Rino e Oscar Malzoni, os deputados Scalamandré Sobrinho e Pereira Lopes, os vereadores Flávio Ferraz de Carvalho e Álvaro Valdemar Colino, além do prefeito Benedito de Oliveira, que deu a largada na Bento.

Mais de seis décadas depois, Miguel Crispim Ladeira ainda mantinha esse tipo de ligação com a cidade. Anualmente, marcava presença em Araraquara, especialmente no tradicional Baile do Carmo, oportunidade em que reencontrava antigos amigos e revivia as memórias de um tempo em que sua genialidade nos motores ajudou a transformar corridas em espetáculos inesquecíveis.

RINO MALZONI, MIGUEL CRISPIM E O CARCARÁ

Na década de 1960, o automobilismo brasileiro viveu um de seus momentos mais ousados com a criação do Carcará, o carro mais veloz do país construído na Fazenda Chimbó entre Araraquara e Matão. O projeto reuniu o talento do advogado e construtor Rino Malzoni, responsável pela carroceria aerodinâmica em fibra de vidro e do preparador de motores a parte mecânica Miguel Crispim Ladeira, que extraiu potência máxima do motor de três cilindros da DKW-Vemag.

Em 29 de junho de 1966, pilotado por Norman Casari, o Carcará atingiu 212,9 km/h na Via Anchieta, quebrando o recorde brasileiro de velocidade.

Mais que um feito esportivo, o Carcará tornou-se símbolo da criatividade e da ousadia da engenharia nacional, eternizando os nomes de Malzoni e Miguel Ladeira Crispim na história do automobilismo brasileiro.

Crispim será sepultado nesta segunda-feira (20), às 15h00, no Cemitério Gethsêmani Morumbi, Praça da Ressurreição, na Vila Sônia, na capital paulista. O velório vai começar às 11h00.