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Morre o jornalista Carlos Monforte, que ajudou a desvendar a escravidão branca na Fazenda Fortaleza, em Ibaté

Em dado momento no início da sua carreira, o jornalista Carlos Monforte teve uma ligação muito forte com Araraquara e o trabalho do jornal O Diário da Araraquarense. Em 1978 por exemplo, o jornalista Ivan Roberto Peroni, atuou com Monforte (Globo) em reportagem investigativa para mostrar a escravidão branca na Fazenda Fortaleza, em Ibaté. Monforte será sepultado nesta terça-feira.

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Monforte e Ivan Roberto na Fazenda Fortaleza, onde foi levantada a suposta escravidão branca denunciada pelos trabalhadores rurais, em 1978

O jornalista Carlos Monforte morreu, nesta segunda-feira (31), aos 77 anos. O profissional que teve como ponto alto sua passagem pela TV Globo, ainda no início da carreira passou por um estreitamento de amizade com Araraquara através do jornalista Ivan Roberto Peroni, na época editor do jornal O Diário da Araraquarense. Naquele tempo, o fotógrafo João Otero, hoje proprietário do jornal Centro Oeste Regional, em Jaú, o acompanhava em matérias investigativas.

O Diário ao realizar uma série de reportagens – com apoio da Polícia Militar – sobre a polêmica escravidão branca na Fazenda Fortaleza, em Ibaté, chamou a atenção do Jornal Nacional que veio com sua equipe para desenvolver um trabalho de cobertura sobre a ocorrência. Para a fazenda, vinham trabalhadores de diversas partes do Brasil, trazidos por “gatos” de outros estados e eles simplesmente trabalhavam pela alimentação.

Na chegada ao local, o jornalista Ivan Roberto se apresenta aos policiais que deram segurança ao trabalho da reportagem

Ivan Roberto conta que através de uma carta anônima escrita por um dos trabalhadores é que descobriu a forma com que a empresa escravizava os funcionários. Na época, o jornalista chegou a ser ameaçado pelos capangas da fazenda e numa das suas idas ao local teve que se esconder embaixo da cama em um dos barracos dos escravos, contando com o apoio dos trabalhadores.

Ainda que a comunicação fosse considerada extremamente dificultada pela distância entre as cidades, dependendo exclusivamente da telefonia fixa – as reportagens realizadas pelo jornalista Ivan Roberto Peroni ganharam força e espaço na imprensa nacional e Monforte desembarcou em Araraquara com equipe da Globo com o objetivo de propagar o escândalo trabalhista.

Com essa união de forças dentro do jornalismo a escravidão branca se transformou num verdadeiro compromisso do Ministério Público em Araraquara com o apelo dos trabalhadores que eram mantidos escravizados na fazenda. Monforte, recém-formado na Faculdade de Comunicação em Santos, tinha 29 anos de idade, e foi um dos seus grandes trabalhos no jornalismo.

Monforte, um dos grandes do jornalismo brasileiro

O profissional vinha fazendo tratamento contra um câncer, de acordo com a família e o seu velório acontece nesta terça-feira (1°) em Brasília, onde vinha residindo. Ele começou sua carreira na Tribuna de Santos e Estado de São Paulo, se destacando em matérias especiais no Jornal Nacional e Fantástico, onde foi veiculado o caso da Fazenda Fortaleza.

Na época, participou ainda de coberturas importantes como as greves de metalúrgicos no ABC Paulista. Em 1982, ele assumiu a editoria de política do Jornal da Globo. No mesmo ano, virou editor e apresentador do Bom Dia São Paulo.

Com a criação do Bom Dia Brasil, em janeiro de 1983, Carlos Monforte assumiu o cargo de editor-chefe e apresentador do programa. Monforte esteve à frente do telejornal por nove anos.

Em 1998, Monforte atuou no Espaço Aberto, da GloboNews. No final de 2000, assumiu o cargo de coordenador da GloboNews em Brasília e foi apresentador do Jornal das Dez da capital federal.