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Quem viu, sente saudades do lugar

Por Kiko Lopes

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Parecia uma 5ª feira de março de 2010, pouco antes do almoço é fato. Kiko Lopes está entravado em pensamentos, olhando para os lados, mas sem tirar o foco da sua linha de raciocínio. Acomodado em seu pequeno banco feito à custa de peroba-rosa, o artista vê a desfilar no tempo uma mulher que atravessa a rua com uma bandeja de inox.

Na verdade, ela já havia estado ali na calçada da Rua Gonçalves Dias com a Avenida Duque de Caxias pra dizer ao artista que rapidamente escorregava linhas pontuadas no papel – “Cá estou a mando de minha dona a lhe perguntar, o que fazes aqui, moço?”

Kiko então tira os olhos da casa que desenhava e responde – “Olha, minha senhora, admiro a beleza arquitetônica dessa casa, ela é tão simples e tão grandiosa; vejo nela traços de uma beleza infinita que me conduz aos sonhos de um palacete. E pode dizer a senhora – sua patroa – que estou a pintar o que Deus me deu de belo aos meus olhos”.

Nem bem deu o tempo de 10 minutos e a mulher voltou com a bandeja carregada então de bolachas e um suco de laranja, numa feliz coincidência com os desejos do artista, dada a dimensão da sua fome por ser a hora do almoço. “Aquilo caiu do céu”, exclamou tempos depois.

Até hoje a casa está ali plantada com a mesma beleza que perpetua os caminhos descalços da nossa querida Araraquara, e, faz poetas e seresteiros relembrar os tempos românticos do velho centro da nossa terra.