
Enquanto governante, políticos, profissionais da saúde e convidados, envoltos em luxo e poder se deliciavam com músicas de um coral de vozes dentro da 18ª Conferência Nacional de Saúde, etapa municipal, em Araraquara, nesta terça-feira (30), distante dali – uns 5 Km – uma jovem de 20 anos estirada na cama, magérrima, apenas balbuciava – eu só quero comer, preciso do meu suplemento alimentar.
Era esse, tão somente um cenário tétrico para mostrar que a saúde pública no município se degradou com o enfileiramento de pessoas nos corredores de UPAs, unidades de saúde precárias, falta de atendimento médico, carência de remédios, desorganização na prestação de serviços, tornando o evento um sintoma hilariante, ou seja, tudo alegre e divertido. Estavam ali para reunir, não para decidir.
Na verdade, entre a discussão do básico e do necessário para a sobrevivência da Saúde, comentou um dos presentes na conferência, aqui parece se falar do País das Maravilhas em seu todo: “Ora, se a gente não consegue resolver a falta da dipirona em Araraquara, é burrice acreditar que vamos solucionar a doença que faz uma menina-moça chamada Thalyta Rodrigues Macera padecer minuto-a-minuto ante o olhar compadecido da mãe, hoje mergulhada em esmolar favores para conseguir uma lata de suplemento alimentar.
Família simples, Thalyta nasceu com essa deformidade e mendigando ajuda, sua mãe Daniele Rodrigues de Souza invariavelmente se sente no dever de carregar a filha no colo e depois, por quarteirões chegar ao neurologista do Posto de Saúde que vai simplesmente vê-la sem lhe dar a informação básica que o ser humano nestas condições precisa ouvir – “Vamos lhe encaminhar a um tratamento humanizado”.
A jovem adoentada – que tinha o suplemento comprado às custas de um benefício de R$ 900 reais – há três meses teve a concessão barrada por conta da apresentação de um RG que precisava de atualização. Sem advogado para exigir uma reparação urgente do INSS/LOAS e recuperar o benefício, a família deixou de comprar o suplemento nas últimas semanas e, sua alimentação forçosamente se resume no suplemento alimentar.
Contudo, o estado deplorável da vítima – sim ela é uma vítima do descaso da Saúde em Araraquara – coloca por terra o discurso do doutor Lapena na abertura da Conferência Nacional de Saúde: ““Vejo pessoas realmente interessadas aqui, isso é muito importante, essa é uma convenção em que nós podemos trazer novas propostas para melhorar o SUS, então é fundamental estejamos empenhados.”
Ora, Pai – diz o texto bíblico – perdoa‑lhes, pois não sabem o que fazem, tão pouco o que falam. A frase parece escancarar a realidade absurda daqueles que fecham os olhos e se inspiram na combinação com os que não querem ver ou de não se comprometerem em dar guarida aos sonhos e a vontade de viver de uma criança.

OBSERVAÇÃO: Enquanto não é solucionado o impasse com a atualização dos dados cadastrais de Thalyta junto ao LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social), a família roga pelo apoio e solidariedade das pessoas não se importando com o valor da doação para aquisição do suplemento.
PIX 19.996747246 em nome de:
Daniele Rodrigues de Souza
Endereço: rua Maranhão 1641 – Fundos Jardim Brasil













