
Cinco grandes usinas que ocupam a região central do Estado de São Paulo – Zanin, Serra, Tonon, Santa Fé e Santa Cruz devem moer nesta safra 2026/2027 cerca de 15,3 milhões de toneladas de cana. As informações fazem parte de um levantamento inicial, seguindo estudos e previsões feitas, divulgadas recentemente por setores especializados.
Para a safra de cana-de-açúcar 2026/2027, que se iniciou nos primeiros 10 dias de abril, explicou Luís Henrique Scabello de Oliveira, presidente da Canasol em Araraquara, as projeções indicam um aumento na moagem no Centro-Sul do Brasil, com São Paulo mantendo sua posição como principal produtor.
Na região central do Estado, onde a Canasol tem forte atuação e se destaca pelo número de produtores e fornecedores existe uma tendência de alta na produção que varia de 3% a 3,6% em relação ao ciclo 2025/26, impulsionada pelo rejuvenescimento dos canaviais e renovação de áreas após os incêndios de 2024.
As usinas, incluindo as de São Paulo, segundo consta, tendem a adotar um perfil mais alcooleiro (maior foco em etanol) devido à pressão nos preços internacionais do açúcar, reduzindo o mix açucareiro para cerca de 48% a 48,5%.
Embora os dados se refiram majoritariamente ao Centro-Sul, São Paulo é responsável por cerca de 60% da produção dessa região, o que implica um volume expressivo de processamento no estado para garantir o aumento da safra nacional.
Apesar de uma perspectiva de aumento de 3,15% na moagem total em comparação à safra anterior, o setor – segundo o presidente da Canasol – lida com algumas dificuldades, uma delas as temperaturas extremas, já que as previsões indicam que 2026 permanecerá com temperaturas historicamente elevadas, aumentando o risco de estresse hídrico.
A nossa região é extremamente quente e com isso a produção de cana-de-açúcar sofre principalmente com o estresse hídrico e altas temperaturas, o que impacta negativamente o desenvolvimento da lavoura, diminuindo a produtividade. Embora a cana necessite de calor, a combinação de calor tórrido e seca prolongada prejudica a safra, resultando em plantas mais finas, secas e com menor acúmulo de açúcar.
Por outro lado, analistas de instituições como o Citi e o Rabobank indicam que os baixos preços do açúcar e do etanol devem reduzir o lucro das usinas e produtores, dificultando o planejamento e novos investimentos. Por outro lado, embora alguns insumos mostrem estabilidade, o custo médio por tonelada subiu cerca de 10,7% no Centro-Sul, impulsionado por energia, diesel e logística.
O QUE DIZ A CNA
Com base nas informações do projeto Campo Futuro, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a FAESP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), a análise para a safra de cana-de-açúcar 2026/27 em São Paulo indica uma recuperação na produtividade e aumento na moagem, mas com desafios na rentabilidade para o produtor.
A estimativa de produtividade para uma propriedade modal em São Paulo (região de Araraquara) foi fixada em 75 toneladas por hectare, indicando uma retomada da produtividade no campo, apoiada por melhorias hídricas e renovação de lavouras.
Este tema foi debatido no recente evento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a FAESP (Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo) na CANASOL (Associação dos Fornecedores de Cana) em Araraquara – no formato online – no dia 09, quinta-feira. Na oportunidade aconteceu nova etapa do Projeto Campo Futuro discutindo e avaliando levantamentos dos custos da produção da cana-de-açúcar na região central do Estado.
No final do encontro, Luís Henrique, alertou que a receita projetada para o ciclo 26/27 pode ser insuficiente para cobrir todos os custos operacionais totais, com destaque para os altos custos com tratos soca, especialmente fertilizantes.













