
A pesquisa recente realizada em Araraquara pela DataPress e divulgada pelo portal RCIA Araraquara não traz surpresa para quem está nas ruas todos os dias. Ela apenas confirma, em números, aquilo que eu, como vereador, vejo percorrendo os bairros, ouvindo a população, conversando com trabalhadores, comerciantes e famílias: a cidade sente que o governo Lapena não entregou o que prometeu.
Não se trata de narrativa política. Trata-se de realidade vivida.
Os dados são duros e não deixam margem para interpretação otimista. A aprovação do governo é baixíssima, enquanto a reprovação se tornou majoritária e consistente em apenas 16 meses. Isso não acontece por acaso. Nenhum governo chega a esse nível de desgaste sem motivos concretos — e eles estão espalhados por toda a cidade.
Basta andar por Araraquara.
O que a população aponta como principais problemas coincide exatamente com o que vemos no dia a dia: ruas esburacadas, falhas na limpeza urbana, sensação de insegurança crescente e serviços públicos que deixaram de acompanhar as necessidades da população. A pesquisa apenas organiza essa insatisfação em números. Mas o sentimento já estava presente, evidente, pulsando em cada bairro.
E talvez o dado mais grave seja outro: a maioria da população não consegue identificar realizações do governo. Isso não é apenas um problema de comunicação. Quando quase 80% não sabem o que foi feito, e entre os que sabem muitos dizem que “não foi feito nada”, estamos diante de algo mais profundo — uma percepção de ausência de gestão.
Governar é entregar. E entregar é ser percebido.
Outro ponto que não pode ser ignorado é a comparação com a gestão anterior, liderada por Edinho Silva. A maioria da população considera o atual governo pior. Esse dado tem peso político porque revela que não houve avanço — pelo contrário, houve retrocesso na percepção popular. E aqui está o centro do problema: um governo que não consegue mostrar resultados concretos, não consegue comunicar, e ainda perde na comparação direta com o passado, inevitavelmente entra em um processo de desgaste acelerado.
Como vereador, reafirmo: esses números não são frios. Eles têm rosto, têm voz, têm endereço. São as pessoas que cobram melhoria na rua, no posto de saúde, no transporte, na segurança. São demandas legítimas que precisam de resposta.
Araraquara não pode parar.
Um governo que perde conexão com a realidade da população precisa urgentemente rever rumos. Ainda há tempo para corrigir, mas isso exige mudança de postura, prioridade naquilo que realmente importa e, acima de tudo, compromisso com resultados concretos.
Porque a cidade já falou — e agora está registrada em números. E ignorar isso não é mais uma opção.
(*) Alcindo Sabino, vereador e presidente do PT (Partido dos Trabalhadores de Araraquara)
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