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Agro reclama da falta de defensivos agrícolas no mercado e cobra a Anvisa

Produtores querem que a agência revogue a proibição do herbicida Paraquat no Brasil; indústria reconhece que enfrenta desafios para garantir oferta de produtos

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A preocupação é dupla: envolve falta de produto e preço historicamente alto

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja emitiu uma nota nesta semana alertando para os riscos de prejuízos no setor em função da falta de agroquímicos observada no Brasil. Em especial, os herbicidas usados para o manejo e prevenção de plantas daninhas e dessecação das lavouras, um processo muito comum no campo, que é a pulverização da área para deixar as plantas totalmente secas com objetivo de antecipar a colheita. Segundo a Aprosoja Brasil, a escassez de herbicidas tem relação com a decisão da Anvisa de banir o uso e a comercialização do Paraquat a partir da safra 2021/22. Até a proibição, o produto era um dos mais usados na agricultura brasileira.

Nossos concorrentes na produção de soja mundial, como a Argentina e os Estados Unidos, usam o agroquímico, assim como o Canadá e a Austrália, países onde as agências sanitárias também reavaliaram a permissão para compra e utilização, mas a mantiveram. A associação de agricultores, que representa mais de 240 mil produtores de soja, pediu ao Ministério da Agricultura a liberação emergencial do uso do Paraquat, seguida de revisão da decisão da Anvisa. Nesta quinta-feira, 20, a agência me enviou uma nota reafirmando a proibição do ingrediente ativo para priorizar a saúde do trabalhador diante de evidências e dados científicos disponíveis sobre a toxicidade do herbicida. Vale destacar que há estudos que refutam a tese de danos à saúde, especialmente quando a aplicação cumpre as exigências e uso de equipamento de proteção individual previstos em lei.

De lá para cá, os agricultores têm usado moléculas alternativas como o Diquat, porém há dificuldade de abastecimento no mercado. A Syngenta, que é a titular do registro, reconheceu que enfrenta desafios de curto prazo para garantir a oferta, fato que, segundo a empresa, está relacionado a problemas de suprimento na China, à logística internacional e ao aumento expressivo de demanda desde 2021. Para este ano de 2022, a indústria diz que está buscando opções para sanar esta dificuldade.

Em conversa com o presidente de uma das maiores cooperativas da América Latina, me foi relatado que há problemas de abastecimento que envolvem a família de dessecantes, herbicidas e glifosato. A preocupação é dupla: envolve falta de produto e preço historicamente alto. O Ministério da Agricultura afirma que está ciente do problema e tem feito reuniões com as empresas fornecedoras para encontrar soluções. Acrescenta que, junto ao Ibama e à Anvisa, busca priorizar registros que possam substituir o Diquat ou novas fontes do produto. As lavouras não podem esperar. Há necessidade de abastecimento para manejos essenciais. Os produtores estão fazendo o que dá para equilibrar os problemas de custo alto e escassez, mas o banimento de uma molécula importante mexeu com a cadeia, que viu o desarranjo ser agravado pela crise logística na pandemia.