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China vai movimentar o mercado brasileiro de soja na semana

O mercado da soja continua dividindo as atenções entre a nova safra norte-americana e os movimentos da demanda chinesa

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Relatório do USDA de maio chamou bastante a atenção do mercado por trazer os primeiros números da nova temporada (2022/23) (Noticias Agrícolas)

O mercado da soja continua dividindo as atenções entre o clima para o avanço do plantio e desenvolvimento inicial da nova safra norte-americana, finalização da colheita e consolidação da safra sul-americana e os movimentos da demanda chinesa no mercado internacional. Os players também digerem os números do relatório do USDA, que trouxe as primeiras estimativas para a nova temporada. A guerra entre Rússia e Ucrânia e a situação econômica mundial fecham o quadro de fatores.

Os trabalhos de plantio da nova safra dos EUA continuam avançando em um ritmo abaixo da média das últimas cinco safras nos principais estados do cinturão produtor norte-americano. Apesar dos atrasos iniciais, se o clima melhorar, é possível que vejamos uma boa recuperação no ritmo da semeadura. E o clima nos últimos dias foi melhor, com menos umidade sendo registrada nos principais estados. Atenção ao dado de evolução do plantio que será divulgado nesta segunda-feira (16) após o fechamento do mercado. Se houver alguma recuperação, Chicago pode sentir uma pressão negativa.

Na América do Sul, os trabalhos avançam para a reta final no Brasil e se aproximam das últimas áreas na Argentina. No Brasil, restam poucas áreas a serem colhidas no Rio Grande do Sul e em alguns estados no Norte e Nordeste. A colheita revelou que as perdas no RS foram mais expressivas do que as estimadas inicialmente, o que levou a um novo corte de produção. A safra brasileira deve se consolidar entre 122 e 123 milhões de toneladas. Já na Argentina, a melhor climática registrada a partir de março impediu o aumento das perdas, e a safra deve se consolidar em torno de 42 milhões de toneladas. Não esperamos maiores mudanças nesses números, e os mesmos já se encontram precificados em Chicago.

O relatório do USDA de maio chamou bastante a atenção do mercado por trazer os primeiros números da nova temporada (2022/23). O USDA confirmou o sentimento do mercado ao indicar uma safra recorde nos EUA, embora tenha trazido um número superior ao esperado. Já no caso dos estoques, o USDA indicou uma recuperação, mas trouxe um número abaixo do esperado pelo mercado. O relatório foi considerado neutro, mas os players ainda devem digerir os números nos próximos dias.

Conforme esperávamos, novas vendas de soja dos EUA para a china foram anunciadas nesta última semana, fato que voltou a trazer suporte para os contratos da safra atual em Chicago. Este é um importante fator de sustentação para Chicago, visto que a demanda pela soja dos EUA continua firme em meio à menor oferta sul-americana. Devemos continuar vendo novos anúncios nos próximos dias.