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De fotógrafo a cuidador de gado: o uso de drones e robôs no agro

Com as mais diferentes funções e usos, os equipamentos estão na onda crescente da transformação digital do campo e já são cerca de 77,3 mil no País

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Uma grande onda de aeromodelos não tripulados tem ganhado notoriedade no mundo. Já nos acostumamos a vê-los sobrevoando campos de futebol, shows, eventos, autódromos para captar imagens. Mas no Brasil, é o agro que tem impulsionado o uso desses equipamentos devido ao crescente uso nas lavouras e na pecuária.

Por aqui, essas aeronaves estão mais concentradas na Bahia, Mato Grosso do Sul e Roraima. São, respectivamente, os Estados com maior número de drones no País, representando 55,1% dos equipamentos registrados. Até julho deste ano, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou 77,3 mil desses equipamentos.

É drone ou Vant?

Categoricamente são chamados de Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) quando se parecem mais como um pequeno avião. Mas quando são parecidos com helicópteros, são chamados de drone. Em inglês, drone significa “zangão”. O nome foi dado por causa do barulho das hélices que fazem o zumbido semelhante ao do inseto quando estão acionadas. Mas o termo drone pegou e até na Anac, que classifica esses equipamentos como Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARPs).

Mas seja Vant, drone ou ARP, o fato é que a transformação digital no campo é responsável pela maior presença de máquinas e robôs sofisticados no agro brasileiro. Confira quais os usos dessas aeronaves no campo.

Fotógrafo 3D

Equipados com câmeras fotográficas de última geração, os primeiros usos de drones no agro resumiam-se a tirar fotos. Com as imagens em mãos e um computador, as fotos se transformavam em mapeamentos detalhadosde fazendas e esboços em 3D de áreas. Das fotos se localiza falhas de plantio, incidência de pragas e dá para estimar a produção. Entre as atividades agrícolas que mais fazem o uso de drones estão a produção de madeira, para papel e celulose, e o cultivo de cana-de-açúcar.

Plantador de árvores

Alguns modelos podem carregar mudas de árvores para fazer plantios em projetos de reflorestamento de vegetação nativa. Cada muda é presa a uma espécie de estaca que, quando liberada do alto, se finca no chão com a planta. A operação é adequada para áreas de difícil acesso.

Aplicador de defensivos

Com o incremento de capacidade de carga e maior autonomia de voo, os drones ganharam tarefas mais sofisticadas como a depulverização de pesticidas e fertilizantes nos pontos exatos onde a plantação está acometida por uma praga. Mais recentemente, estão inclusive aplicando os defensivos biológicos.

Monitor de cultivos

Futuramente os drones poderão monitorar as plantações, identificar pragas e doenças, e saber o quando será produzido. Essa tecnologia está sendo liderada por cientistas da Embrapa Informática Agropecuária, de Campinas (SP). Eles trabalham no desenvolvimento de um sistema de inteligência artificial e aprendizado de máquina para garantir que ela possa identificar cada parte da planta. Os primeiros testes estão sendo feitos em produções de uva e milho.

Cuidador de animais

Também está em fase inicial uma pesquisa da Embrapa Informática Agropecuária para projetar drones que possam fazer a detecção e contagem de gado no pasto. Todo o trabalho também depende de inteligência artificial e aprendizado de máquina. A expectativa é que essa tecnologia permita, no futuro, que a máquina consiga coletar dados sobre a saúde e peso dos animais, por exemplo.

Um trabalho semelhante também está sendo feito na Nova Zelândia. Mas ao invés de um drone, é um robô que imita uma espécie de cão. Na série britânica Black Mirror, a máquina perseguia pessoas. Na vida real está ajudando a pastorear ovelhas e monitorar a produção de kiwi.

Com informações AgroSaber