Início Agronegócio

Pandemia deve frear entrada dos bancos no financiamento do agronegócio

Várias análises já apresentadas desde o início de janeiro, com experts do setor, mostravam um quadro otimista, porém os bancos teriam que criar instrumentos para remunerar seu capital.

14
Pandemia pode frear mais dinheiro privado para as empresas (Imagem: Unsplash/@pazarando)

O desafio que vai se impor à economia nos próximos tempos é como será a drenagem de recursos do sistema financeiro para as empresas. E a agricultura, que tem alguns sistemas de financiamento oficial, como o Plano Safra, com recursos finitos e procura cada vez menor (os juros ficaram mais altos que as taxas livres), deve estar se perguntando.

A próxima safra de soja já está nos planos dos produtores, além de outras culturas semi-perenes e perenes, cujas necessidades praticamente são regulares.

Várias análises já apresentadas desde o início de janeiro, com experts do setor, mostravam um quadro otimista, porém os bancos teriam que criar instrumentos para remunerar seu capital.

Mas agora, com a pandemia do coranavírus em franco crescimento no mundo, e o Brasil esperando a sua “explosão”, conforme os agentes de saúde e governo, certamente os bancos vão continuar seletivos e não vão arriscar diante do impacto em todas as atividades econômicas. Mais ainda porque o timing disso tudo é absolutamente desconhecido.

A situação ficou mais interessante para as empresas financeiras quando o Copom cortou s Selic para 4,25%. E os juros médios das linhas oficiais repassadas pelas instituições estão em 6%, no piso inferior.

Desse modo, Antonio da Luz, economista-chefe de Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), e Gustavo Soares, consultor do Bancoob/Sicred, avaliavam a possibilidade de os bancos privados assumirem um papel importante para o agronegócio, que nunca tiveram.

“As taxas controladas estão muito acima da Selic”, disse o segundo aqui há algumas semanas.

Inclusive o governo anunciou incentivos às cooperativas de crédito para também entrarem mais forte, aumentando seu percentual de participação, desde que fossem revisados modelos e linhas de crédito. E se a Selic cair mais, com o impulso que o governo pudesse vir a dar para a economia suportar a travessia da pandemia, mais atraente poderia ser para o sistema financeiro. Mas devem ser ignoradas pelos bancos até que haja alguma resposta positiva sobre a contenção do coronavírus e sinal de retomada econômica nacional e mundial.

Mas a próxima safra já está no radar do agronegócio.