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Até quando o patrimônio esportivo da cidade vai passar por devassa?

Por Adilson João Tellaroli

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Evidentemente eu não era nascido quando se construiu o Teatro Municipal de Araraquara, na rua São Bento. Mas presenciei com tristeza sua demolição.

Eu ainda era criança, quando presenciei jogos memoráveis do futebol amador da cidade nas velhas arquibancadas do estádio municipal Siqueira Campos, hoje demolidas após a venda do patrimônio do município ao Clube Araraquarense.

E agora me vejo prestes a passar por outro dissabor! O antigo estádio do tradicional  Palmeirinhas da Vila Xavier está sendo vendido pela Prefeitura Municipal. Me lembro da luta do Gaeta e seus companheiros de diretoria, para convencer o prefeito da época a fazer a doação do terreno e dos esforços para construção do estádio Rubens Cruz. Tanto trabalho para culminar com mais um patrimônio abandonado, sem que se tenha feito nenhum esforço para tentar reformar e recuperar o local que poderia servir perfeitamente para o futebol amador da cidade que não tem casa própria.

Poderão os adeptos da atual administração municipal, argumentar que o estádio do Botânico foi construído para esse fim, etc. Só que se esquecem que desde que foi inaugurado, o local sempre teve problemas, especialmente em seu gramado. Minhas observações não têm nada a ver com política, até porque não se deve misturar as coisas e esporte com política nunca dará certo.  Mas é inconcebível que o município se desfaça de tantos patrimônios sem que se coloque algo em seu lugar.  De passagem, quero lembrar do estádio Flavio Ferraz de Carvalho, que foi a casa do Estrela; do campo da Atlética Ferroviária da Vila Xavier e que hoje também não servem mais ao esporte araraquarense.

Os tempos são outros, dirão alguns! Concordo, mas não se pode delapidar um bem que serve ao esporte, no caso, sem pensar se ele fará falta ou não a quem o pratica. Ademais, o dinheiro arrecadado quase nunca tem sido empregado em coisas do esporte. A finalidade-meio na maioria das vezes fica na intenção.

Longe de mim pretender ensinar administração a quem quer que seja, mas parece que os erros de planejamento saltam à vista em relação ao esporte da cidade. Afinal a cidade cresce e não adianta focar apenas na construção de campos de futebol em bairros, que acabam abandonados e terminam deteriorados exatamente pela falta de uma atividade planejada e permanente. Na verdade, algumas obras parece que são realizadas para atender apelos eleitorais, em detrimento de outras mais necessárias e que exigiriam prioridade.

Adilson João Tellaroli – bola branca

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