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Educação – A chave para o Empoderamento Feminino

Por Adriana Grifoni

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Adriana Grifoni

“Scientia Potentia est” – Conhecimento é poder!

Essa frase de Francis Bacon implica que, com a aquisição do conhecimento por meio da Educação, o nosso potencial e habilidades na vida aumentarão. Ter e partilhar conhecimento é também reconhecido como a base para aumentar a reputação de alguém e de influenciar os outros, portanto, ter poder.

Ao longo da história, a ignorância sempre foi a causa de atraso e de submissão de povos e indivíduos. Por isso, o controle do saber foi preocupação permanente de regimes autoritários e de sociedades hierarquizadas.

Se analisarmos ainda o processo educacional, em cada sociedade, vamos perceber, no que se refere a mulher, as barreiras de acesso a instrução são muito grandes. A busca por instrução feminina era considerada heresia social, portanto, um pecado.

Com o desenvolvimento econômico no mundo, as revoluções industriais e a inserção das mulheres no mercado de trabalho, a ampliação de conquistas sociais impostas pela luta dos trabalhadores e dos movimentos feministas, as barreiras para o acesso da mulher a instrução vêm caindo, mas será que só isso, basta? A educação hoje é acessível a todos e a todas?

Em 09 de outubro de 2012, com apenas 15 anos, Malala Yousafzar foi baleada no crânio por defender o direito da mulher (meninas) a Educação na região do Paquistão.

Com apenas 11 anos Malala, começou a escrever um blog, “Diário de uma estudante Paquistanesa”, usando um pseudônimo. Nesse blog ela contava a rotina sua na região, o amor pelos estudos, e as dificuldades que ela e outras meninas estavam enfrentando. Após ter sua identidade revelada, ela começou a ser procurada para dar entrevistas para Tvs e jornais, como também a ser perseguida por grupos talibãs até ser baleada e passar por diversas cirurgias.

Desde então, se tornou a mais jovem defensora dos direitos da mulher e da educação. Escreveu um livro contando sua vida e infância, as dificuldades enfrentadas, a educação feminina e o empoderamento.

Mas, afinal o que é Empoderamento?

Em tempos de comunicação globalizada, é muito mais comum que novas palavras sejam “emprestadas” de alguns idiomas e adaptadas a outros.

Empoderamento é um desses casos. O termo “empowerment” derivado a partir da palavra poder (power), foi cunhado para defender que era preciso dessa ferramenta para certos grupos e suas minorias defendessem ou tivesse condições e autonomia para se desenvolver.

No Brasil, Paulo Freire criou sua versão do termo. Para o educador, a pessoa, grupo ou instituição empoderada, é aquela, que realiza, por si mesma, as mudanças e ações que a levam a evoluir e a se fortalecer, e isso só poderia ser feito por meio da universalização da Educação.

Portanto: Educação – Conhecimento – Poder – Empoderamento

Mas o que dizer do empoderamento feminino. Este termo foi o mais procurado no Brasil, em 2016, segundo um estudo sobre tendências visuais na internet., mais do que sexo e relacionamentos, palavras que sempre lideraram as pesquisas.

Por causa disso, podemos dizer, que muitas vezes o termo é usado de forma fútil e frívola. Ele tem sido usado indiscriminadamente por jovens meninas ávidas por ganhar espaços de aceitação e influência. Exposições do corpo desnecessárias, frases vulgares e gestos obscenos ganham várias likes ou curtidas ao lado de frases “mulher empoderada”.

Por isso, nada mais urgente e atual do que levar esse tema em foco novamente e realmente desvendar o processo de empoderamento feminino e sua luta por ele. Empoderamento não é o mesmo que ter privilégios ou ser dominante sobre algo ou alguém.

Empoderar é exercer o poder sobre si mesmo, sou sobre sua condição, seja ela social, física ou intelectual. É aceitação.

O empoderamento tem a ver com a consciência de sua capacidade e do peso de suas ações na vida de outras pessoas.

Empoderamento tem a ver com transformação – O poder de transformar a realidade. E qual a nossa realidade hoje?

A dificuldade em ocupar os espaços, sentar-se neles e falar, garantindo assim o direito a equidade de gênero.

Cada vez é mais urgente a busca por mulheres que acreditam em seu potencial e estão desejosas por poder sair dos espaços privados e ocupar os espaços públicos, sentar-se neles, falar e ser ouvida.

E esse é um convite que faço, na semana que comemoramos o Dia Internacional das Mulheres para se juntar e lutar para ocupar os espaços, sentar-se neles e falar. Isso é empoderamento!

“Há duas forças no mundo: uma é a espada, a outra é a caneta. Mas há uma terceira força, mais poderosa ainda do que as anteriores: a das mulheres.” (Malala Yousafzai)

*Adriana Grifoni – Presidente do PSDB Mulher

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR