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Jogador não é máquina, treinador não é robô!

Por Adilson João Tellaroli

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As declarações recentes do técnico Abel Ferreira, quase campeão mundial pelo Palmeiras, não têm nada de absurdo, nem mesmo cheiram desculpa pelo título perdido. São sinceras, de alguém que chegou com esperança de fazer um bom trabalho em um grande clube brasileiro e esbarrou com o eterno problema do nosso futebol: o calendário. Ele percebeu em pouco tempo, o que nós insistimos em não ver!

Não é de hoje que tenho levantado essa questão, como muitos outros colegas já o fizeram. Se já era impossível trabalhar, imaginem com a pandemia “empilhando” jogos em cima de jogos!

Muitos treinadores ao longo dos anos, também se queixam desse detalhe, mas a maioria dos dirigentes e principalmente a CBF continuam se fazendo de surdos para o problema que atinge não apenas os treinadores que são as maiores vítimas, mas também os jogadores. Quem tem elenco maior, ainda pode se virar, mas é inegável que a qualidade técnica que já é deficiente, caiu ainda mais. Muitos jogadores não rendem fisicamente e a culpa acaba caindo nas costas dos treinadores, que não têm tempo para realizar um treinamento de acordo com as necessidades. Como disse Abel, “é jogar hoje, recuperar amanhã e jogar no dia seguinte”. E eu completo. Aqui se paga um preço alto por ser melhor! Chegar nas finais de uma ou mais competições, custa contusões, falta de descanso e tempo inexistente para treinos. E quando os resultados não vêm, vão se os treinadores!

A única providência que a CBF tomou, até hoje, foi pedir às Federações que encurtassem os calendários estaduais. Péssimo para os clubes pequenos.

Certamente que falta união entre os técnicos e também entre os dirigentes. Alguns procuram preservar o emprego, (no caso dos treinadores) e os dirigentes vêm à sua frente, as despesas que se avolumam. O time não vai bem e as providências são sempre as mesmas. Demitir o técnico e contratar jogadores, pagando salários fora da realidade brasileira. Um circulo vicioso que afunila na Copa do Mundo, onde tem ficado cada vez mais claro, o abismo de qualidade técnica entre o futebol brasileiro e o europeu.

Como quase não temos mais (conta-se nos dedos) os jogadores que decidem, necessitamos de um time mais coeso, melhor treinado, mas há tempo para isso?

Não culpem a Covid ou qualquer outra coisa. O calendário brasileiro fragiliza seu futebol e faz tempo! Alguns dizem que são muitos clubes numa mesma disputa. Pode até ser, mas as soluções não são estudadas e nem testadas.

Há quanto tempo ouvimos que o ideal seria adequar nosso calendário ao da Europa? E não se tenta isso nem outra coisa. Assim, o problema vai se arrastando com o passar dos anos. Nossos dirigentes, (CBF principalmente) não se deram conta que a qualidade técnica do futebol brasileiro caiu muito. Recuperar o tempo perdido é urgente e que o torcedor não se iluda. Se não houver um pacto entre dirigentes, técnicos e jogadores, para um trabalho com mais profissionalismo.

*Adilson João Tellaroli – conhecido como “bola branca”, é jornalista esportivo e faz parte do Portal RCIA

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR