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Pense em quem você vai votar para não chorar o leite derramado

Por Ivan Roberto Peroni

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Os nossos comentários têm sido pautados na maioria das vezes por questões meramente políticas, mesmo porque, assuntos que ficaram escondidos ao longo do tempo, homeopaticamente resgatados neste espaço, dão visibilidade ao passado e ao futuro. Olhar para frente sem perspectiva de se chegar a lugar nenhum é ficar dando tiro no escuro. O mundo que vivemos com esse processo de transformação não é mais para amadores.

Neste artigo somos então guiados pelo que ocorreu terça-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo, envolvendo os deputados Douglas Garcia, do PSL e Márcia Lia, do PT, espetáculo degradante que correu por este Brasil, denegrindo uma casa de leis, rebaixando ainda mais o nível da política brasileira que já rasteja há anos por conta de corrupção, formação de quadrilha, organização criminosa e tantos outros cenários que enojam as comunidades. Não é o bate-boca, agressões – se é que elas aconteceram – que vão melhorar o Brasil, a vida do João Ninguém que mora na periferia.

É simplesmente a forma com que estamos elegendo quem poderia nos representar com dignidade e respeito, nos dando o prazer de vivermos um mundo melhor, cada vez mais fraterno, polido pela sensatez, nunca com característica semelhante ao cenário de lutas marciais, muito menos – rinhas em que os galos brigam, se esfolam, se bicam, se arrebentam. Talvez os animais tenham até mais juízo que nós seres humanos que somos gananciosos em busca pelo poder.

Este comentário não é feito nem para um, nem para o outro, mas de maneira generalizada para a classe política envenenada por essa sede de poder. Para todos que admitem que naquele momento de baixaria dentro da Assembleia Legislativa poderia se ter bom senso, momento de calmaria, mas não. Cada um defendeu sua verdade aos gritos – num triste espetáculo e o mais lamentável exemplo para quem acredita que o Brasil poderá ser melhor.

A frase de um amigo nos meus tempos de rádio parece mostrar 40 anos atrás o que acontece hoje com a nossa política. Ele se perguntava – como o ano novo poderá ser melhor se as pessoas que nos dirigem continuarem sendo as mesmas? O quadro que a gente queria não é este, pois as pessoas que estão a nos dominar são as mesmas, com os mesmos vícios e defeitos. Isso tem se arrastado por anos. Não há perspectiva de mudanças.

Eleições estão aí. Façam uma análise. Um estudo sobre cada um dos políticos, cada um dos governantes. Entendam se foram bons ou ruins, se melhoraram nossas vidas, facilitaram nossas vidas para melhor, se não se corromperam atrás de um balcão de negócios.

É pena que tenhamos que chegar a este extremo e falar neste tom, para que daqui dois anos não tenhamos que ouvir reclamos, xingamentos, ofensas… Culpado então não será o político, o prefeito, o vereador eleitos… será você… você quis assim.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR