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Respirador: a ‘escolha’ de se dar ao filho do rico ou do pobre

Por Ivan Roberto Peroni

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Uma cena chamou minha atenção nesta quinta-feira, em um hospital brasileiro: a escolha de se colocar esta ou aquela pessoa em uma UTI e dar a ela o suposto milagre da vida, através de um respirador, máquina que ajuda os pulmões a inspirar e expirar quando a pessoa não tem a capacidade de operar seu sistema respiratório normalmente.

Até então tinha visto imagens da passagem do coronavírus pela Itália e lá a preferência era de se colocar no respirador pessoas com sintomas menos graves e mais novas, subestimando a capacidade do idoso sobreviver à Covid 19. Jamais poderia imaginar que também no Brasil, a cena deste filme tétrico seria mostrado com tamanha naturalidade.

Sinceramente, o que foi mostrado me desmontou. Não via ali a prioridade do paciente que poderia sobreviver, mas a escolha fatal de quem iria morrer. Logo, senti a pobreza de um país, pobreza que digo de respeito, ética, transparência e o excesso de malandragem, canalhice, de grande parte da classe política brasileira que permitiu ter um país nestas condições.

De um lado você vê a Constituição Brasileira pontuar em seu Artigo 96 que – a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Prá que serve então a Constituição? Penalizar doentes, principalmente os pobres, os negros, idosos, em detrimento da necessária sobrevivência de ricos, brancos e jovens. É verdade que não queríamos a morte de ninguém, mas na existência de um respirador, apenas um respirador, qual seria a escolha entre – o filho do José da Silva que mora na periferia e o filho do presidente da República, do Senador, do Deputado Federal, do Governador, do Prefeito ou do Vereador? É evidente que para o respirador só não vai o filho do José da Silva.

E lamentavelmente essa falta de assistência à saúde que se arrasta pelo tempo, é fruto da roubalheira provocada por tantos e tantos políticos levados ao poder justamente, pela maioria destas vítimas originadas pela pobreza. Votaram e agora pagam com a morte dos seus entes queridos.

Por ironia do destino, em meio a pandemia vejam só – Depois de mais de sete horas de julgamento, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região condenou, por unanimidade, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia. Os desembargadores aplicaram uma pena de 17 anos de prisão – quase cinco anos a mais do que a condenação em primeira instância.

Só que aqui não falo apenas do Lula – falo de todos aqueles que estão respondendo na Justiça pelo assalto aos cofres públicos. Quebraram o Brasil e agora permitem que o povo brasileiro seja assassinado pela falta de assistência à Saúde.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR