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Araraquara uma das 13 cidades de maior risco de difusão de coronavírus

Estudo da Unesp alerta para necessidade de regras rigorosas de isolamento; lista inclui capital, Campinas e Santos. Mas, Araraquara aparece entre as 13 consideradas de risco para a propagação.

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Os pesquisadores afirmam que o estudo reforça a importância do isolamento em todo o estado, com regras mais rígidas para as 13 cidades destacadas, mas sem afrouxar a quarentena nas demais.

Treze cidades paulistas são centros de maior risco para a propagação do coronavírus pelo interior do estado, segundo estudo da Unesp (Universidade Estadual Paulista). O levantamento indica a necessidade de medidas mais rígidas de isolamento nesses locais.

A análise, feita por pesquisadores que integram o Centro de Contingenciamento do Coronavírus no estado, foi uma das que embasou a decisão do governador João Doria (PSDB) de ampliar em mais 15 dias a quarentena em todos os 645 municípios de São Paulo.

O levantamento levou em conta não apenas o número de casos confirmados de Covid 19 mas também os suspeitos, o número de internações por síndrome respiratória grave e a importância regional dos municípios.

“A análise de tendência precisa considerar os dados objetivos, que são os casos confirmados e a influência regional. Mas também informações que nos dão outras pistas já que sabemos existir uma demora na confirmação”, disse o professor Raul Guimarães, que coordena o Laboratório de Geografia da Saúde na Unesp.

Além de São Paulo, os municípios considerados de maior risco para a propagação são: Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Marília, Piracicaba, Santos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba e Votuporanga.

Entre as 13 cidades identificadas pelo estudo estão, por exemplo, municípios com número pequeno de casos confirmados. É o caso de Votuporanga, que até esta segunda-feira (6), tinha apenas três confirmações de Covid-19. No entanto, é considerado de alto risco de dispersão pela influência regional que exerce no noroeste do estado, além da identificação de outros dados que indicam a possibilidade de subnotificação. Todas as informações consideradas para o estudo são as contabilizadas pela Secretaria Estadual de Saúde.

“Existe uma difusão hierárquica do vírus, indo de cidades maiores para menores. Não adianta olhar só para o tamanho da população, mas também a influência econômica e social das cidades na região em que estão”, explicou Guimarães. Por isso, há a necessidade de isolamento em todo em estado, já que a mobilidade entre os municípios é intensa.

O estudo também identificou rotas de dispersão do vírus, que se concentram especialmente entre as cidades na extensão das rodovias Anhanguera e Presidente Dutra. Nessas regiões de maior circulação, mesmo municípios menores estão mais vulneráveis ao aumento da dispersão do vírus.

“Quem está mais próximo da borda de influência da macrometrópole de São Paulo fica mais suscetível. Por isso temos situações como a de Rio Claro, um município muito pequeno com um caso já confirmado, enquanto Presidente Prudente, mais afastado, está sem nenhum (considerando os dados da Secretaria Estadual de Saúde até segunda)”.

Para os pesquisadores, o sucesso das ações de bloqueio do avanço do vírus especialmente nesses 13 municípios é que pode garantir a proteção de cidades menores, em que a população é muito mais vulnerável ao coronavírus.

“A chegada da Covid-19 em municípios rurais e pequenos pode ser ainda mais dramática do que nos grandes centros. Nesses locais, a população é majoritariamente de idosos, e a rede hospitalar é muito menor”, disse o infectologista Carlos Fortaleza, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp.

Os pesquisadores afirmam que o estudo reforça a importância do isolamento em todo o estado, com regras mais rígidas para as 13 cidades destacadas, mas sem afrouxar a quarentena nas demais. “É mais um indicativo de onde reforçar os recursos para garantir o isolamento. Por exemplo, se eu tenho que direcionar policiais para orientar a população e coibir a aglomeração, é mais eficaz concentrá-los nas cidades polo”.

Por Isabela Palhares (Folha/Uol)