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Araraquara: uma cidade deserta que nem em sonho poderia estar

Vimos a nossa cidade às 16h50 nesta segunda-feira (23) através da solidão de uma Via Expressa, um dos principais corredores de tráfego rápido. Só tristeza.

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Quando a escritora Kathleen O’Meara (1839-1888) escreveu “E todos ficaram em casa”, é evidente que não poderia estar desenhando o retrato da via de escoamento de trânsito mais rápida de Araraquara – 170 anos depois. De fato, o silêncio caiu sobre a cidade e nem mesmo o sopro do vento se fez ouvir neste cair de tarde.

O comércio quase todo fechado por conta da apreensiva chegada de um mal que não tem morada, foi o anúncio do período mais crítico dos últimos 100 anos. E assim, a cidade escurece em meio ao céu acidentado de um outono que ninguém vai querer lembrar. Nem mesmo os rastros invisíveis de algo que não se sente, haverão de ser pano de fundo para uma dramática quinzena de confinamento.

Muitas das pessoas que acompanham o RCIA entendem que – a nossa fragilidade como ser humano está submissa por completo ante um adversário que chamado para a luta tem vencido parte do planeta, sem mostrar as razões de estar aqui.

A cara da Via Expressa não é de todo o fim para conter a velocidade dos que por ela passam todos os dias; há nela o desafogo para a reflexão e o sintoma igualitário que inibe a ganância e o poder, quem sabe até, que em se tratando de um caminho, seja ele menos pesaroso para quem passar por ela depois da tempestade.