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Dia do Migrante: A chegada de Jiseli no Assentamento Monte Alegre

É com o cheiro da terra que ela tempera suas horas de trabalho, plantando, cuidando de um pequeno rebanho de gado ou produzindo pães e bolos em uma confeitaria de assentados

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Família reunida para a comemoração dos 38 anos de casados de Jiseli e Elisiér

A agricultura familiar trouxe muitas pessoas para região, migrantes do Norte e Nordeste que estavam atrás de uma vida melhor ou um pedacinho de chão.

Uma das guerreiras é Jiseli Dias de Souza Santana que chegou à região com 23 anos com seu marido Eliéser Gomes Santana na época com 31 anos e se instalaram em Motuca.

Ela conta que saíram de Utinga na Bahia há 35 anos, na época do plano Collor, onde seu sogro vendeu a propriedade rural da família para tentar uma vida melhor na cidade.

Jiseli diz que quando chegaram, passaram por três fazendas, sempre trabalhando com a terra, pois é o que gosta de fazer, e foram funcionários por 15 anos. Em 2006 conseguiu uma área no Assentamento Monte Alegre, onde até hoje ela e o marido tocam a propriedade.

Ela criou dentro do seu jeito baiano, um mundo bem diferente da realidade vivenciada hoje em dia. É com o cheiro da terra que ela tempera suas horas de trabalho, plantando, cuidando de um pequeno rebanho de gado ou produzindo pães e bolos em uma confeitaria de assentados. Com orgulho carrega no semblante as marcas da enxada rasgando o chão, fazendo brotar uma esperança que alimenta seu jeito humilde de mulher destemida e vencedora. Já foi agraciada com o prêmio de mulher agricultora e o selo da agricultura familiar.

Hoje ela trabalha na Padoka e diz que “Já fiz cursos no Sebrac, conto com a assistência do  Sebrae, pois no início foi muito difícil e não pensávamos que seria a explosão que foram nossos pães e bolos, e continuamos firmes e fortes aqui”, afirma ela sempre sorridente.

Relembrando sua chegada há 35 anos ela diz que “trouxemos na bagagem algumas coisas de casa e roupas, construímos nossa vida aqui em Araraquara”, finaliza a Jiseli da Padoka como é conhecida pelos ciclistas que frequentam a padaria artesanal rural, e que tem o bolo de milho mais conhecido da região.

No dia 18 de junho o casal Jiseli e Elisiér completou 38 anos de casados ao lado de seus três filhos, Cristiane, Luciana e Eliéser Júnior que já lhe presentearam com quatro netas e um neto.

A vida nos apresenta vários caminhos, e tomar o rumo da nossa região como moradia, só nos faz crer que o Brasil é um celeiro de muitas gentes e de vários sabores.

DIA MUNICIPAL DO MIGRANTE

Araraquara passa comemorar em 19 de junho, o Dia Municipal do Migrante, em homenagem aos cidadãos migrantes que contribuem para a riqueza sociocultural e econômica do município. Na mesma data se comemora o Dia do Migrante no Estado de São Paulo.

A lei municipal é de autoria do vereador José Carlos Porsani, por indicação da Associação de Bueno de Andrada para Cultura e Turismo Rural – ABATur.

No Brasil, as maiores correntes migratórias são originárias das várias regiões Norte e Nordeste, em razão da desigualdade social existente nessas regiões, não só em conseqüência do clima seco e do solo pouco produtivo dos sertões, mas também pela má distribuição de terras e de renda entre a população. As regiões Sul e Sudeste do Brasil, bem desenvolvidas industrialmente, são visadas pelos migrantes, atraídos pelas perspectivas de trabalho.

Em Araraquara, a migração se deu em decorrência da possibilidade de acesso ao mercado de trabalho formal e aos direitos trabalhistas como parte integrante do processo migratório de interesse. Acolher migrantes, promove a igualdade entre todos como uma riqueza e oportunidade de se aprender com outras culturas do nosso país.

A migração para a área rural, se deu com a formação dos assentamentos rurais, Bela Vista do Chibarro, há 31 anos, Horto de Bueno e o Monte Alegre, na década de 90.