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‘Não temos uma porcentagem considerável da população vacinada e a transmissão não está controlada’

Dra. Estela Cattelani, Infectologista da Unimed Araraquara, responde dúvidas em relação à vacinação da COVID-19 e faz um alerta: “Não existe imunização que proteja 100% uma pessoa”

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Dra. Estela Cattelani, Infectologista da Unimed Araraquara. (Foto: Divulgação)

Com o avanço da vacinação na população de Araraquara, uma luz no fim do túnel começa a surgir com a queda do número de mortes por Covid-19. Mas segundo a Dra. Estela Cattelani, infectologista da Unimed Araraquara, o caminho para o controle da pandemia ainda é longo e passa, diretamente, pela conscientização das pessoas.

Para ela, além de se imunizar, completamente, é importante que os cidadãos mantenham as medidas de higiene conhecidas, como o uso de máscara, limpeza das mãos, além do distanciamento social. Tudo isso para evitar o contágio e a chance de mutações do novo coronavírus.

Em uma ação de combate às fake news, a convite da Unimed Araraquara, Dra. Estela Cattelani respondeu algumas das dúvidas mais comuns em relação a esse atual momento de esperança, porém de muito zelo, da crise sanitária que atinge o país desde março do ano passado, vitimando mais de 500 araraquarenses e cerca de meio milhão de brasileiros.

Unimed Araraquara – Como as vacinas funcionam?
Dra. Estela Cattelani –
Quando “pegamos” uma infecção, o nosso organismo reage produzindo um verdadeiro exército para combater a mesma. Na maioria das vezes, quando nos curamos, nosso corpo fica com “soldados”, que continuam nos protegendo. No caso das vacinas, nós já recebemos estímulos para produzir estes “soldados” e assim ficarmos protegidos de determinada infecção.

As pessoas que receberam as duas doses das vacinas que exigem as mesmas, na maioria das vezes, tem imunidade, ou seja, tem produção de uma tropa de soldados suficientes para protegê-las da infecção contra a COVID-19. Porém, nem todos têm essa proteção total. Isso pode depender da idade, tipo da vacina ou do próprio organismo da pessoa.

Mas, de qualquer maneira, as vacinas levam a produção de anticorpos que são os soldados que nos protegem e podem promover uma queda mais rápida da carga viral do vírus, ou uma resposta mais rápida do organismo, não havendo muitos casos graves ou óbitos pela doença.

Para se proteger das variantes, é importante vacinar o maior número de pessoas, comenta Dr. Estela.

Unimed Araraquara – Mesmo imunizada, a população corre risco de morte?
Dra. Estela Cattelani – Pessoas que tem imunização completa, ou seja, duas doses, podem ter doença grave e até morrer. Isso pode ocorrer com qualquer vacina que existe para qualquer doença, pois não existe vacina que proteja 100% uma população. Depende de fatores pessoais e da vacina. Mas, se num grupo de dez pessoas, sete se imunizarem, totalmente, e três não, estas sete não vão se contaminar e não vão transmitir para as três que estão vulneráveis. Por isso é tão importante vacinar o maior número de pessoas.

Unimed Araraquara – Qual o perigo da variante delta?
Dra. Estela Cattelani –
Vão surgir várias variantes pelo caminho e a delta é uma delas. Mas, por enquanto, a vacinação que temos deve continuar e acho que por enquanto é o suficiente.

Unimed Araraquara – Os cuidados de higiene, o distanciamento social, uso de máscaras, entre outros cuidados, devem ser mantidos, certo?
Dra. Estela Cattelani-
Lembrando que apesar da vacinação pelos motivos que já explanamos aqui, ainda é cedo para abandonarmos as medidas de cuidado com a higiene pessoa, uso de máscara, distanciamento e higiene de mãos. Pois ainda não temos uma porcentagem considerável da população vacinada e a transmissão não está controlada.