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Rumo doa para Piracicaba locomotiva que estava em Araraquara

A máquina vai ficar em museu ferroviário em Piracicaba; os mais saudosistas além da frustração, lamentam a falta de uma política de conservação para os traços e os costumes em Araraquara

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Locomotiva deixando o páteo ferroviário da Rumo em Araraquara

Os apaixonados por ferrovia em Piracicaba poderão ver em breve uma locomotiva, oriunda da empresa Rumo, a ser colocada em alguns metros de trilhos de uma área de 3.113 m², anexa à Esalq- LOG (Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial), responsável pela construção do Museu “Luiz de Queiroz” de Logística.

Por incrível que pareça a locomotiva que nesta sexta-feira (7) saiu de Araraquara, um dos maiores berços ferroviários do país, está em Piracicaba e foi doada pela Rumo que ainda foi alvo da criação de uma lei que a impede de ficar buzinando no período das 22h às 6h ao atravessar nossa cidade com suas composições. A nota de doação foi aprovada, coincidentemente, no dia da aprovação do projeto pelos vereadores na Câmara Municipal. A passagem do caminhão transportando a máquina chamou a atenção dos curiosos.

A locomotiva, segundo o coordenador do Museu e membro do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba – SP), Vitor Pires Vencovsky foi doada pela Rumo, atualmente a maior concessionária de ferrovias no Brasil. “O Estado já teve a Fepasa (Ferrovias Paulistas S.A) e o governo federal era detentor da RFFSA (Rede Ferroviária Federal. Este museu é único no país e terá uma grande utilidade para as atividades de educação e pesquisa”, disse o coordenador ao portal. O pesquisador publicou em dezembro passado a obra “Ferrovia e Sociedade”, onde faz um panorama do que sobrou das estradas de ferro no país.

Lugar onde a locomotiva vai ficar para visitação já está pronto em Piracicaba

Entusiasta pelo tema, o docente defende em Piracicaba a criação de uma ferrovia para o turismo, nos mesmos moldes da “Maria-Fumaça” que percorre o trecho paulista Campinas-Jaguariúna. “Minha relação com as ferrovias se intensificaram ainda mais quando comecei, em 2006, a fazer os mapas para os produtos editoriais da Revista Ferroviária, empresa jornalística especializada no setor ferroviário que neste ano está completando 80 anos. Ao término do mestrado ingressei no doutorado na mesma instituição e continuei as pesquisas sobre as ferrovias brasileiras até a defesa da tese em 2011”, explica Vencovsky.

A locomotiva foi produzida nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 2003 e fazia parte da frota da extinta empresa Brasil Ferrovias. Curioso é que na página de Ferrovias & Trens, um seguidor de assuntos ferroviários assegura que “Essas locomotivas série 9200 -C30, foram compradas da sucata dos EUA. Ficavam mais quebradas na oficina do que andavam”.

Ainda assim, Araraquara vai deixando escapar parte da sua história.