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Com maior fábrica de lápis do mundo em São Carlos, Faber-Castell pede aos EUA alívio no tarifaço

Maior fabricante do mundo afirma que o Brasil é o principal fornecedor de lápis para os EUA e ocupa uma posição de liderança difícil de substituir

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Fábrica da Faber-Castell em São Carlos (SP), uma das principais unidades de produção de lápis de madeira da companhia no mundo (Foto: Divulgação)

A maior fábrica de lápis do mundo fica em São Carlos, em São Paulo, e pertence à Faber-Castell. A unidade produz até 2 bilhões de lápis por ano e é uma peça estratégica no abastecimento do mercado americano. A operação brasileira, dividida em quatro unidades e responsável por cerca de 2 mil empregos, exporta para mais de 70 países.

Os Estados Unidos estão entre os principais destinos da produção. Cerca de um terço dos 3,7 bilhões de lápis que os americanos importam anualmente vêm do Brasil. Em 2025, os produtos brasileiros responderam por 30,8% do valor total importado pelo país.

A empresa afirma que essa posição de liderança seria difícil de substituir no curto ou médio prazo sem comprometer qualidade e preços. É justamente por essa dependência que a Faber-Castell protocolou, em 1º de julho, data de encerramento da consulta pública, um pedido ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para que os lápis de madeira sejam incluídos na lista de mais de 1.600 produtos isentos de uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão final do USTR é esperada para 15 de julho. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo.

Na petição, a empresa argumenta que tarifas adicionais sobre lápis de madeira levariam a “interrupções significativas na cadeia de suprimentos, aumentos substanciais de preços e danos econômicos mais amplos ao setor educacional dos EUA”. A companhia também alerta que preços mais altos poderiam levar famílias americanas a buscar alternativas mais baratas e de qualidade inferior, potencialmente fora dos padrões de segurança adotados pela Faber-Castell.

A empresa alemã é uma das gigantes industriais que enviaram comentários ao USTR pedindo que os Estados Unidos não implementem a tarifa. Ela não está sozinha: Coca-Cola, Nestlé, Tesla, eBay e Siemens também estão entre as companhias que pediram ao órgão a exclusão de seus produtos da sobretaxa de 25% sobre itens brasileiros.

Do outro lado da disputa, porém, há setores que pressionam na direção oposta. Produtores de carne bovina dos Estados Unidos defendem que a carne brasileira não seja incluída na lista de isenções, argumentando que a tarifa é necessária para pressionar o Brasil a reduzir o desmatamento ilegal associado à pecuária.

UMA EMPRESA DE 265 ANOS

Fundada em 1761 na cidade alemã de Stein, a Faber-Castell é uma das empresas industriais mais antigas do mundo ainda controladas pela mesma família. Atualmente, na nona geração dos descendentes do fundador Kaspar Faber.

Em 2021, os irmãos Charles, Katharina, Victoria e Sarah von Faber-Castell anunciaram uma nova estrutura de governança para assumir um papel mais ativo na condução dos negócios, com o objetivo de preparar a sucessão e preservar a continuidade do controle familiar em um mercado global cada vez mais competitivo. Hoje presente em mais de 120 países e com cerca de 6.500 funcionários, a companhia produz 2,3 bilhões de lápis e lápis de cor por ano, o que a coloca entre as maiores fabricantes do setor no mundo.

A disputa tarifária com os Estados Unidos ocorre em um momento delicado para a Faber-Castell. Em outubro de 2025, a empresa anunciou a aceleração de uma estratégia de transformação batizada de “ONE Faber-Castell”, plano de reorganização das operações para reduzir custos, aumentar a eficiência e fortalecer a competitividade.

Entre os desafios citados pela companhia estão a própria política tarifária americana, a desaceleração econômica mundial e a maior cautela dos consumidores.

No exercício fiscal de 2024/25, a receita do grupo caiu 2,7%, para 601,8 milhões de euros — recuo atribuído principalmente aos efeitos cambiais, já que, em moeda constante, o faturamento cresceu 0,3%. A rentabilidade também recuou em relação ao ano anterior.

Como parte do ajuste, a companhia iniciou uma revisão de sua rede global de produção. Uma das primeiras mudanças é o fechamento, previsto para este ano, da fábrica de Engelhartszell, na Áustria, que produz marcadores de texto. Os equipamentos serão transferidos para a operação da empresa em Lima, no Peru.

O presidente-executivo (CEO) Stefan Leitz afirmou que a Faber-Castell está revisando sua rede global de fábricas e centros de distribuição para adaptar a operação ao novo cenário de custos e demanda. (Informações: InvestNews)