Início Cultura e Lazer

As 5 mil peças do professor Carlos Alberto. Coleção é de causar inveja.

Araraquarense mantém uma das maiores coleções de miniaturas do país, instalada na parte superior da sua casa.

667
O colecionador e a esposa Sandra exibindo os modelos dos carros usados pelos Bombeiros - ontem e hoje

Foi aos 15 anos que Carlos Alberto Orlando ganhou do pai sua primeira miniatura de carro e desde então, despertou nele o amor por colecionar miniaturas, seja de carros, aviões, relógios ou super heróis. Hoje são cerca de 5 mil peças que tomam uma sala no andar superior da casa, e só sobe as escadas quem é convidado.

Aos 54 anos, o professor de natação e karatê acredita que colecionar é viciante, sejam suas miniaturas ou qualquer outra coisa. Conta que muitas peças ganhou de amigos que viajam e se lembram dele assim que se deparam com carrinhos, outras ainda garimpa na internet. “As vezes ganho alguma coisa que já tenho, mas nunca compro nada repetido”.

Sandra se envolveu com as coleções

Logo na entrada da sala um tabuleiro de vidro jateado com todos os personagens do filme Star Wars, estrategicamente colocados em embate do bem contra o mal.

Para montar a sala, Carlos fez um curso de marcenaria no Senai, pois queria ele próprio criar as prateleiras para guardar suas centenas de pequenos aviões, carros e relógios e outras peças que coleciona.

Perguntado se tem uma peça preferida, ele diz que são como filhos, ama igualmente a cada um, mas gosta muito das antigas motocicletas de corrida. Em sua coleção pode-se encontrar taxis do mundo todo, carros de polícia e bombeiros, aviões, helicópteros, relógios de bolso, carros de corrida e serviços e caminhões.

Caminhonete GMC dos anos 50; lembra do caminhão que entregava Balas Kids; Caminhão FNM, réplica da linha 1950 e a primeira miniatura que ganhou aos 15 anos de seu pai

O professor diz que a peça mais difícil de conseguir foi uma McLaren F1, que é de uma marca espanhola, mas ela não detinha o direito de produção, pois era de uma fábrica italiana, sendo lançada e recolhida. Antes disso, consegui um exemplar.”Se não for a única, deve existir poucas” – diz ele orgulhoso. “E também com poucas peças no mercado, a NASCAR (National Association for Stock Car Auto Racing), lançava miniaturas de seus carros  e presenteava os patrocinadores; consegui um exemplar também”, afirma.

Uma das peças que chama a atenção é uma miniatura de um kart que ganhou do araraquarense Valdemar Zago e que foi decorado por Nilton Boca do Kartódromo Catani. “Tenho um carinho especial por este modelo” – diz ele.

McLaren de Senna no GP do México em 92 e GP do Brasil em 1984 – o carro da Toleman

Pode-se encontrar na sala ainda, um grande Opala amarelo, que Carlos comprou todas as duas mil peças para montá-lo, e no mesmo esquema tem também uma Ferrari, que são réplicas fiéis: dão partida, ascende as luzes e têm peso em escala. “O que me fascina é isso – a fidelidade ao modelo original” – diz Carlos. Só de modelos Ferrari há mais de cem unidades em sua coleção.

Uma de suas prateleiras é composta de carros nacionais, com direito ao Fiat 147 e o Fusca da Telesp. Até mesmo os carros do famoso desenho animado Corrida Maluca têm uma parte especial em sua sala, ao lado dos Flintstones, o adorado carro do De Volta para o Futuro, Batmóvel de todos os tempos, réplicas de todos os carros da série 007, Scooby-Doo entre outras centenas de réplicas.

Carlos nos mostrou um trem que ganhou de integrantes da Ferronorte, que não existe disponível para venda. Super heróis de chumbo fazem pose em meio à coleção.

Os pequenos carros de Fórmula 1 estão presentes na vida deste colecionador, dando destaque aos que Ayrton Senna fez uso em todas as temporadas, do primeiro até o último. Além de todos os brasileiros, Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Rubinho Barrichello, inclusive ganhou de uma aluna um capacete autografado por Fittipaldi, da época em que ele corria pela Coopersucar.

Capacetes de Emerson Fittipaldi e Senna

A esposa do colecionador, Sandra Tita Orlando, diz que o marido colocou fogo nela quanto a colecionar, pois não se interessava muito por isso, e portanto deu a ele somente um cantinho na casa, um corredor com uma prateleira de alvenaria, depois reformou a casa e o piso superior onde era a sala de televisão, mas o marido foi ocupando todos os espaços com carrinhos, que chegou a um ponto onde não cabia mais nem mesmo a televisão, então colocamos a TV no quarto e hoje o espaço é de toda a família que também contempla a coleção.

A parte da limpeza fica a cargo de Carlos, que diz que o maior inimigo de miniaturas são crianças e faxineiras, pois tudo é cheio de detalhes e tem que ser limpo com pincel.

Os filhos do casal, Carlos Alberto Orlando (21) e Isabel Orlando (24),  mesmo quando crianças, nunca mexeram na coleção; ajudavam a segurar em uma bandeja para que a limpeza fosse feita, perguntando a história de cada um. O pai explicava pacientemente, mas sempre entenderam que não se tratava de brinquedos e sim de algo que fazia parte da casa.

Em um cantinho ficam expostos os relógios de bolso, que segundo Sandra, têm uma história especial de uma tia. Ela conta que o pai desta tia, morreu carbonizado na Estrada de Ferro Araraquara, e sobrou apenas o RG e o relógio que a tia guardava. Antes da tia falecer, fez uma visita a Carlos e olhando a coleção disse: “vou deixar para você o relógio de meu pai, porque sei que aqui estará bem guardado”, e lá está o relógio funcionando.

Sandra também conta que quando o filho Carlos Alberto nasceu, ela preparou um ursinho lindo para colocar na porta do hospital, mas logo que o marido chegou, arrancou o urso e pendurou um fusquinha preto. Então desde que nasceu já tinha sua primeira miniatura.

Para a filha Isabel, ele colecionou bonecas, para incentivar os filhos ao amor por coleções.“Nesta sala há muitos presentes de aniversário, pois todos os anos procuramos algo para presenteá-lo” – diz a esposa, que aprendeu com o tempo a amar a coleção da mesma forma que Carlos.