Com música, regente araraquarense em Berlim,  dá Bom Dia ao Mundo

Uma página nas redes sociais voltada para o turismo cultural e com penetração em todo mundo, focou nesta sexta-feira (24) o trabalho da regente araraquarense Gabriela Van Dijk, que em agosto do ano passado visitou a redação do RCIA. Regendo Orquestra JugendKammerOrchester diretamente da Universidade das Artes de Berlim, ela apresentou ao mundo trecho de “Saudade”, de Carlos Gomes.

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A regente araraquarense Gabriela Van Dijk, da Orquestra de Câmara Jovem de Berlim (Alemanha), acaba de participar da página Cultour mantida pela brasileira Tatiana Ribeiro que mora há muitos anos em Florença, na Itália. Professora de português e italiano e escritora, Tatiana criou essa página e agora durante a quarentena tem convidado músicos para darem um bom dia ao mundo.

Nesta sexta-feira (24), o Bom Dia com música destacou o trabalho da regente Gabriela Van Dijk que apresentou um trecho de “Saudade”, de Carlos Gomes com a Orquestra JugendKammerOrchester diretamente da Universidade das Artes de Berlim (UdK).

QUEM É GABRIELA

Em dezembro do ano passado, Gabriela estreiou como regente em Berlim

Araraquarense de 27 anos, Gabriela van Dijk nasceu com alma voltada para a música, um sopro de Johann Sebastian Bach. Uma menina de sorriso tranquilo e doce como um som de flauta, formada em Regência Orquestral pelo Instituto de Artes da Universidade Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Campus Barra Funda em São Paulo.

Há três anos morando em Berlim, onde atua como violinista, solista, regente e faz mestrado em musicologia pela Universidade de Humboldt, diz que seu sonho desde a adolescência foi residir na Alemanha e se preparou para tal estudando a língua. Ela conta que em sua universidade há muitos estudantes internacionais, oriundos de países de diversos continentes, como Sérvia, Rússia, Finlândia, China, Colômbia e até mesmo brasileiros.

No ano passado, durante sua passagem por Araraquara

Gabriela diz que estudar música fora do país sempre foi um desejo de alma: “desde os meus 11 anos já tinha em mente morar em outro país e, a partir dos 16 anos, fui estudar alemão por conta da música de Bach, pois já havia resolvido que um dia iria morar em Berlim. Foram 9 anos de paciência e de estudo para chegar aonde queria”.

A regente diz que adora viver na Alemanha: “além de se ter segurança, por ser um país com baixa criminalidade, há a liberdade de pensamento e cultura, principalmente em Berlim, que é uma cidade multicultural, onde todos os dias escuto diversas línguas e onde se vive com muita tolerância e respeito. Casa é onde nos sentimos bem e eu me sinto bem em Berlim. Sinto-me bem no Brasil também e sou grata a tudo que vivi aqui, à família, aos amigos e a todos os professores que tive. Estou feliz por estar aqui visitando minha família, mas sinto que minha casa é lá”. Ela afirma também que voltará ao Brasil somente para tocar, reger e realizar projetos de música, para residir não mais. Ela esteve em visita na cidade no ano passado e partiu novamente para a Alemanha.

A REGENTE COMEÇA

Jugendkammerorchester em concerto na Universidade das Artes em Berlim no dia 25.02.2018, aniversário de Gabriela. (Créditos da foto: Viola Hecht-Schwabenbauer Copyright © www.erinnerungskultur.eu)

Em dezembro do ano passado, Gabriela estreiou como regente em Berlim (no Brasil e em outros países já havia regido antes), em um concerto no qual regeu a Jugendkammerorchester Berlim (Orquestra Jovem de Câmara), para a execução de obras orquestrais brasileiras dos compositores Antonio Carlos Gomes (1836-1896) e Ernst Mahle (1929-). O convite para o concerto partiu de Till Schwabenbauer, regente titular desta orquestra e da JugendKammerEnsemble (Ensemble Jovem de Camara) da Escola de Música Schostakowitsch, duas das três orquestras com as quais Gabriela realiza projetos na capital alemã.

Com a die kleine Barockband, uma orquestra de câmara barroca, fundada e dirigida pelo oboísta Mathias Haase em parceria com a Escola de Música Leo-Kestenberg em Berlim, Gabriela tem realizado atividades de violinista spalla e solista, com o diferencial de que esta orquestra toca sem um regente à sua frente, à maneira barroca, com as funções deste sendo executadas em conjunto pelo spalla, cravista e demais membros da orquestra.

Gabriela explica que em Berlim cada bairro possui sua própria escola pública de música, com vários conjuntos e orquestras jovens e amadoras de muita qualidade. A Alemanha, país de pilares da música como Bach, Beethoven e Brahms, é um país de tradição musical, onde muito se investe em cultura e educação, “em uma mesma orquestra você encontra médicos, engenheiros, jardineiros, pessoas de todas as profissões fazendo música com a mesma seriedade dos profissionais da área, uma vez que a música acompanha a educação desde a infância”.