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Dois anos sem André Matos: fãs locais ainda lamentam a morte do maestro do heavy metal

Para Carlos Oliveira e Aline Costa, o falecimento do mesmo ainda parece um grande pesadelo; o editor de cultura do Portal RCIA, Matheus Vieira, também nos conta suas histórias envolvendo o músico paulistano

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Formado em Regência e Composição, Matos fez história ao lado das bandas Viper, Angra e Shaman. (Foto: Divulgação)

O dia 8 de junho de 2019 ficou marcado na história da música como o sábado no qual o maestro do heavy metal se calou. Aos 47 anos, o cantor, compositor e pianista paulistano André Matos foi vítima de um infarto fulminante.

E hoje, dois anos depois, a tragédia ainda parece ecoar no coração dos fãs no mundo inteiro como um sonho. Ou um pesadelo. Os araraquarenses Carlos Oliveira e Aline Costa concordam com essa premissa.

“Foi tudo tão rápido que, às vezes, parece que é mentira. Tudo ocorreu em um momento no qual o André retomava à carreira, com diversos planos. Lamento e muito o seu falecimento. O que nos resta é o seu legado”, comenta Oliveira.

Matos e Aline em show na capital paulista. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Aline, a genealidade musical de André Matos é só mais uma característa positiva do artista. Poliglota e culto, Matos sempre respeitou seus fãs e carregava a fama de ser uma pessoa humilde e, extremamente, humana.

“Ele é meu ídolo, uma referência. Vou sempre chorar com uma canção, um disco. Infelizmente, fez e fará muito falta para o mundo da música, de uma maneira geral”, comenta.

CARREIRA

Bacharel em Regência Orquestral e Composição Musical na Faculdade de Artes Alcântara Machado, André Matos Coelho sempre percorreu, em sua carreira, uma via que misturava música clássica ao heavy metal. Começou a fazer sucesso aos 15 anos, em meados de 1985, como vocalista da banda paulistana Viper, pioneira do gênero power metal no Brasil.

A consolidação no cenário mundial veio com o Angra, com quem gravou, na década de 90, os CDs —”Angels Cry” “Holy Land”, “Fireworks”, o EP “Freedom Call” e o ao vivo “Holy Live”. Turnês concorridas pela Europa e Brasil tornaram-se constantes.

Após divergências, no ano de 2000, Matos fundou a banda Shaman, com quem tocou seis anos. Depois, o artista decidiu seguir em carreira solo. Nos últimos tempos, vivia entre Brasil e Suécia, onde tinha uma esposa e um filho.

Uma semana antes do seu falecimento, André Matos estava, novamente, no palco, ao lado do Shaman, com quem fazia uma turnê de reunião. Em 2019, o ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, instituiu o 8 de junho como o Dia Municipal do Metal.

Matos faleceu aos 47 anos. (Foto: Divulgação)

NOTA DO EDITOR

Este que vos escreve é um grande fã do André Matos. Tenho orgulho de ter uma coleção que faz um passeio por diversos momentos de sua carreira, bem como trabalhos nos quais atuou como convidado.

“Boa parte deste material está autografado. Em 2012, a banda Viper apresentou-se no Araraquara Rock. Minha banda, a Dead or A Lie, faria a abertura do show, marcado para 15 de julho.

Neste dia, encontrei com Matos na passagem de som. Realizei o sonho em conversar com ele de maneira bem despojada. Me tratou como se fosse um músico do nível dele. Autografou tudo que levei e ainda disse que só aceitaria um álbum da minha banda se eu fizesse uma dedicatória em seu nome.

No mesmo dia, aproveitei para levar uma edição do Jornal Tribuna Impressa daquele dia. À època, eu atuava como editor do caderno de cultura do veículo. E, naquele exemplar, tinha uma grande entrevista com ele.

No bate-papo que tivemos na semana, por telefone, curiosamente, Matos parou a conversa e disse: ‘Você pode esperar um pouco, estou com um problema numa torneira aqui em casa e não consigo resolver’. Você faz muita falta, André”.

(Por Matheus Vieira)

Matos com Matheus Vieira no Araraquara Rock 2012; ao lado, a coleção do jornalista. (Foto: Arquivo Pessoal)