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Agressão ao vereador Negrini: Thainara volta à delegacia para dizer que faltou com a verdade

A agressão sofrida pelo vereador Elton Negrini (PSDB), no dia 30 de julho em frente à Câmara após sessão costumeira das terças, foi filmada e colocada nas redes sociais pela vereadora Thainara Faria que por coincidência estava na janela do seu gabinete e acompanhou o tumulto. Ela só foi falar que filmou e colocou a agressão nos grupos de amigos do whatsapp, após ser chamada pela segunda vez para depor, quando a polícia reconstruiu o cenário do ataque feito pelo morador de rua.

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O RCIAARARAQUARA teve acesso nesta semana ao Termo Circunstanciado que investigava o caso da agressão sofrida pelo vereador Elton Negrini (PSDB), dia 30 de julho de 2019 ao sair da Sessão da Câmara. O autor do ataque ao parlamentar foi feito por um morador de rua chamado Rodrigo Aparecido da Silva, que desferiu um soco no rosto do parlamentar.

Coincidentemente um vídeo começou a ser gravado da janela de um dos gabinetes da Câmara e justamente no momento quem que Rodrigo passava pela calçada até a agressão de fato. A polícia investigava o caso para saber quem teria feito o vídeo e as razões da gravação em tempo real.

A partir daí começaram as investigações. Dia 21 de julho de 2019 a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), intimou pela primeira vez a vereadora Thainara Faria (PT), para falar sobre o caso da agressão sofrida pelo vereador tucano que é autorizado a andar armado por força da sua atividade de delegado e em atividade no município.

Já na DIG, Thainara informou num primeiro depoimento, já que a janela do seu gabinete dá de frente para o local onde ocorreu o fato – que havia terminada a sessão da Câmara e ao sair do prédio escutou um barulho. Que, lembra-se que os funcionários da Câmara começaram a se movimentar e quando saiu na rua viu que o vereador Elton Negrini estava sobre uma pessoa e que a assessora do vereador Negrini teria dito que ele fora agredido por aquele rapaz com um soco no rosto.

Questionada pelo delegado Fernando Bravo se tinha conhecimento de quem teria sido o autor das imagens captadas dos fatos, Thainara respondeu que não sabia indicar quem fez a filmagem veiculada nas redes sociais e pela imprensa. Que, em relação ao autor da agressão Rodrigo, antes deste fato, nunca tinha visto por ali.

Sua assessora, Nayara Amaral da Costa, também foi ouvida pelo delegado da DIG e relatou que no dia dos fatos, ao saírem da Câmara dos vereadores viram um tumulto e ao se aproximarem presenciaram o vereador Elton Negrini sobre um rapaz que estava caído no chão e imobilizado por ele. Que, escutou da assessora do vereador Elton Negrini que o rapaz deu um soco no rosto de vereador. Que, não conhecia o agressor e nunca o viu por aquele local. Questionada se tinha conhecimento de quem havia filmado a ação, respondeu que não.

Outros vereadores também foram ouvidos, sendo eles: Toninho do Mel, Jeferson Yashuda, pois ambas as janelas de seus gabinetes entraram como ambiente suspeito e de onde poderiam ter saído às imagens exibidas nas redes sociais. Juliana Damus, em seu depoimento disse que ao sair do estacionamento com seu carro na rua, viu que um rapaz que estava com um cachorro veio em sua direção. Acreditando que ele pretendia pedir dinheiro olhou para o rapaz, que passou a lhe ofender. Não se recorda quais foram as palavras proferidas, entretanto ouviu ele falar sobre acionar a seta do veículo. Como ele estava gesticulando com as mãos e aparentava estar nervoso, acelerou o carro e foi para sua residência.

Rodrigo Aparecido da Silva, autor da agressão ao ser questionado se alguém teve participação no evento, ou seja, se foi contratado para agredir a vítima naquele local e naquele momento respondeu que não. Disse ainda que não sabia o motivo pelo qual agrediu o vereador Negrini, mas acredita que foi por estar embriagado.

SEGUNDO DEPOIMENTO DE THAINARA
No dia 06 de setembro, a DIG, encaminhou para o Delegado de Polícia Dr. Fernando Teixeira Bravo o Relatório de Investigação, após reconstruir através de câmeras o cenário da filmagem.

Ao analisar as imagens obtidas de todas as câmeras de monitoramento da Câmara Municipal para identificar a pessoa que fez as imagens dos fatos ocorridos tendo como vítima Elton Hugo Negrini e agressor Rodrigo Aparecido da Silva, diante de diligências, e com as imagens analisadas, foram relacionados e analisados os fatos com os eventos na sequência cronológica, de acordo com as câmeras.

Tabela extraída dos autos

 

O conteúdo do relatório informa que analisando as imagens pode-se concluir que um veículo sai do estacionamento da Câmara e o motorista conversa com Rodrigo; depois disso Rodrigo desce a Avenida Duque de Caxias e aguarda a chegada do vereador Elton, momentos depois do encontro acontecem as agressões, sendo que neste momento são registradas as imagens de um celular enquanto Thainara e sua assessora estão dentro da sala, sendo que não prestam socorro enquanto Vereador Elton se livra da continuidade das agressões e imobiliza Rodrigo.

Somente depois disso Thainara sai de sua sala com “um sorriso no rosto”. Nota-se no vídeo que ninguém entra ou sai de outros gabinetes, embora alguns possuam janela virada para o local dos fatos. Vale ressaltar que nos “momentos que antecedem as agressões” são realizadas as filmagens de Rodrigo descendo a rua através de um aparelho celular do interior do gabinete da vereadora. Além disso, as agressões também foram filmadas por aparelho celular do interior de seu gabinete.

No dia 19 de setembro, o Delegado Dr. Fernando Bravo, considerando o relatório da investigação, encaminhou outra intimação para a assessora Nayara Amaral da Costa e também a vereadora Thainara Faria, para prestarem novos esclarecimentos.

No dia 25 de setembro cumprindo o que exigira o delegado as duas compareceram à DIG, para prestar novos esclarecimentos sobre a autoria dos vídeos divulgados, já que em seu depoimento prestado em 21.08.2019, alegaram que desconheciam a identidade de quem filmou a ação, só que agora o relatório da investigação indicava que o vídeo mencionado fora gravado no gabinete da vereadora Thainara. “Ciente do teor da diligência, a declarante confirmou que faltou com a verdade em seu primeiro depoimento e por isso desejava se retratar”, mostra o texto do termo de averiguação.

Nayara, assessora da vereadora informou que no dia dos fatos, estava dentro do gabinete com Thainara, quando escutaram uma gritaria na rua. Como a vereadora estava iniciando um vídeo para os seus eleitores, ela se dirigiu para a janela e viu que a pessoa que estava gritando era um rapaz com um cachorro. Ela filmou o rapaz e em dado momento Thainara falou que aquele rapaz estava brigando na rua, entretanto não se recordava se ela comentou que era com o Dr. Elton Negrini. Foi até a janela e viu que pessoas estavam se reunindo ao redor do tumulto. A seguir a assessora e a vereadora foram até o local dos fatos e pegaram o cachorro do autor, por solicitação do Dr. Elton.
Questionada pela autoridade se ela (Nayara) ou a vereadora tiveram participação no evento, responderam que não. Questionada sobre o motivo de ter faltado com a verdade no primeiro depoimento, respondeu que acreditou que a questão sobre o vídeo não era importante para as investigações.

Se em 21.08.2019, Thainara Faria alegara que desconhecia a identidade de quem filmou a ação, entretanto, o relatório da investigação agora indicava que o vídeo fora gravado de seu gabinete. Ciente do teor da diligência Thainara confirmou que faltou com a verdade em seu primeiro depoimento, pois teria sido ela quem realizara as filmagens.

A HISTÓRIA MUDA
A vereadora petista, disse que “naquele dia estava em seu gabinete e se preparava para fazer um vídeo para seus eleitores, quando escutou alguém gritando na rua. Como seu telefone estava preparado para filmar no app “Instagram”, o qual permite filmagens de 15 segundos, filmou a ruae a câmera captou um rapaz andando com um cachorro. Como a filmagem parou, passou a examinar seu telefone e escutou uma nova gritaria. Imediatamente acionou a filmadora do Instagram e realizou nova filmagem, vendo neste momento que o Dr. Elton estava sobre aquele rapaz. Logo após a vereadora e sua assessora Nayara foram para frente da Câmara Municipal e o Dr. Elton pediu para cuidar do cachorro do autor, tendo em vista que ele seria levado para a delegacia. Questionada se teve alguma participação no evento, respondeu que não. Questionada sobre o motivo de ter faltado com a verdade, respondeu que foi por medo, pois passou aquela gravação para grupos de amigos e elas acabaram sendo divulgadas pela imprensa, porém não sabe indicar quem foi que as divulgou”.

Diante de uma nova oportunidade dada pelo delegado que considerou a retratação das duas, não foi instaurado inquérito policial para apurar o crime de falso testemunho, sendo oferecido para o juiz o relatório final somente sobre a agressão sofrida pelo vereador Elton Negrini.

VEREADOR ELTON NEGRINI
O Portal RCIA procurou pelo vereador Elton Negrini, que disse que toda a investigação poderia ter sido resolvida em um primeiro momento “é muito feio quando um agente público mente”.

Já a vereadora Thainara Faria quando indagada pelo RCIARARAQUARA, enviou uma nota à redação, a qual publicamos na íntegra:
“Em primeiro momento cumpre ressaltar que estivemos à disposição das autoridades todas as vezes que fomos convidadas a prestar esclarecimentos do ocorrido.
Na primeira intimação, tendo conhecimento do teor do Boletim de Ocorrência que versava única e exclusivamente sobre a agressão física, entendemos necessário prestar esclarecimentos do que presenciamos no dia dos fatos, junto a outros servidores desta casa que ali estavam.
Tendo conhecimento posterior de que o objetivo do inquérito não era apurar apenas o que consta no boletim de ocorrência (lesão corporal) e sim também acerca de filmagens veiculadas, estivemos como ainda estamos, à disposição da justiça, para prestar informações dos fatos contidos no boletim, pois entendemos a importância da elucidação de todos os episódios para a apuração do fato de agressão ocorrida e sabemos que o ato de filmagem em via pública, não é penalmente tipificado, sobretudo quando inexiste dolo, como no presente caso.
Ressaltamos aqui que, após todos os diálogos, já nos colocamos à disposição do Dr. Fernando Bravo bem como do Dr. Elton Negrini, para que os equívocos fossem devidamente esclarecidos, conforme já se procedeu em retratação. No mais, destacamos que toda e qualquer alegação excedente ao que consta nesta nota, não passa de mera invenção ou má-fé”.

* Nota da Redação: Vale ressaltar que todas as informações sobre os depoimentos que constam nesta matéria foram extraídos em sua integra do Termo Circunstanciado do qual o RCIARARAQUARA teve acesso.