“Morada do Vôlei – Mais que um Esporte, Uma Paixão”

O filme que tem o objetivo de recuperar a história do voleibol na cidade, desde seu inicio, entre 1950 e 1960, passando pelos Jogos da Primavera, promoveu emoção e alegria em uma noite especial no SESC.

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Ao completar 202 anos, Araraquara foi presenteada com o filme “Morada do Vôlei – Mais que um Esporte, Uma Paixão”. A entrega deste presente aconteceu na noite desta terça-feira (20)  no teatro Sesc Araraquara.

Na platéia estavam presentes professores, ex- atletas e dirigentes esportivos que participaram do filme documentário.

Fernando Mori e Mario Nigro, produtores do documentário

Com os depoimentos emocionantes e imagens inéditas, o documento “Morada do Vôlei – Mais que um esporte, uma paixão” é o primeiro filme produzido em Araraquara sobre a modalidade. Um filme de Fernando Mori e Mario Nigro, com a realização da Secretaria Especial da Cultura Federal e do Ministério da Cidadania.

O intuito deste trabalho é recuperar a história do voleibol na cidade, desde seu inicio, entre 1950 e 1960, passando pelos Jogos da Primavera, uma espécie de “Jogos Olímpicos local, de uma modalidade só”, competição criada em 1962, que ao longo do tempo, atraiu milhares de pessoas. Os jogos fizeram de Araraquara a “Capital do Vôlei no Interior”, com a participação de mais de 3 mil atletas de diversas escolas da cidade e da região. A história caminha até a inédita conquista de uma vaga na elite do vôlei paulista e nacional, em 1993.

Com imagens de filmes históricos registradas e cedidas pelo Professor Ricardo Simões, os diretores Mori e Nigro deixaram por conta dos ex-atletas revelados pela modalidade, contarem as suas histórias, enaltecendo a iniciativa dos professores Horácio Serafim e Eulália Schiavon, (ambos in memorian), criadores dos Jogos da Primavera, bem como a sua manutenção através do Prof. Urias Braga (in memorian).

O ex jogador Roberto Ramalho – o mão de veludo

As cenas do filme trazem registros fotográficos de uma era romântica da paixão pelo voleibol representado com amor nas quadras de terra e chão batido, saibro, ou de cimento pelas crianças e adolescentes no inicio da modalidade em Araraquara. Da existência da rivalidade das duas equipes Clube Araraquarense e Associação Ferroviária de Esportes disputando no mesmo período o campeonato paulista. Roberto Ramalho (mão de veludo), considerado atualmente o jogador mais antigo, um jovem talento naquela época, levantador, relembra com seus companheiros Francisco Castro (Loco), Mario Tarallo, Paulo Schwartzmann, a disposição do talento e dos sonhos a servir uma cidade nos jogos oficiais de representar o município e pelo próprio idealismo, em troca de apenas um par de tênis oferecido pelo treinador Tito Peixoto, técnico da Associação Ferroviária de Esportes. Ramalho ressaltou a forte influência do Prof. Julio Mazei na sua carreira como jogador de vôlei na sua primeira convocação da seleção de Araraquara, misturando jovens talentos como Bruno Opce de Mattos e José Capelatto.

Ex atletas de vôlei que participaram do documentário (Foto :Jonas Bezerra)

As imagens também exibem a beleza das meninas que desfilavam em quadra o talento, que era garimpado dentro dos Jogos da Primavera para vestir a camisa de Araraquara. Representando todas as mulheres que um dia jogaram vôlei, Marisa Sacabelo, Regina Tarallo (Pé de Pato, carinhoso apelido na época), Heraída Pimentel, Jucerley, em seus depoimentos no filme remeteram-se ao passado, e viram cada uma a sua época todo o esforço dedicado sendo expressado na maior revelação Araraquarense do Vôlei Feminino, Fernanda Hemerick, vestindo a camisa da seleção brasileira e sagrando-se campeã sul americana contra a forte seleção do Peru.

Paulo de Campos lembra com carinho dos inúmeros foram os talentos revelados que saiam das quadras descobertas das escolas publicas e privadas para as seleções das diversas categorias da CCE e depois Fundesport.  Atletas que simbolizam o orgulho para as suas famílias, os irmãos Leto (in memorian) e Duda Brunetti; Dermeval Mascarin; Heraldo e Heraída Pimentel; Fabio Reina; Eduardo Barros (Duda); dos irmãos Paulo, Fernando e Alexandre Mori; João Paulo e Sérgio Borin; Marcelo Palone, simbolizam tantas outras famílias que o voleibol trouxe para quadra.

Dos talentos que foram selecionados para a Seleção Paulista Fernando Gaetinha, Sapo e Mário após enfrentar a Pirelli de Santo André de igual para igual e fazer surgir através de um jornal de Santo André o apelido no voleibol do interior “A Atrevida Araraquara”, que não se intimidou com o recém titulo de campeã Mundial de clubes conquistado pela Pirelli daquela época e fez uma partida memorável.

Professor Horácio Serafim pai dos Jogos da Primavera

O sonho do professor Horácio Serafim foi coroado ao ver Araraquara ser representada por uma equipe de alto rendimento no cenário nacional do vôlei masculino. Dos meninos que começaram nos Jogos da Primavera, com o comando de Eduardo Barros (Duda, ex atleta da Primavera e Araraquara),  conquistaram a vaga para elite da divisão especial do paulista em 1993. A saga do vôlei masculino de Araraquara e coroada com o titulo de vice campeão sul americano, tendo na equipe como atleta Mario Gonzales que representava todos os seus colegas do passado. Na comissão técnica o comando do Prof. José Paulo Peron, ex atleta dos Jogos da Primavera e de Araraquara, Paulo Mori que a exemplo de Peron, dignificaram esta semente plantada na década de 50.

O filme retrata uma valiosa história do vôlei de Araraquara e deve merecer todas as honras daqueles loucos e apaixonados pelo esporte, como uma forma de homenagear os homens e mulheres que protagonizaram este roteiro, um registro de uma verdadeira realidade construída ao longo dos anos, em que sentavam-se na mesma mesa os homens de honra para destinar um apoio incondicional que resultava no sucesso das escolas do município nas quadras de vôlei.

O público presente (foto:Jonas Bezerra)

Semelhante a uma imagem a ser vista no retrovisor do carro em movimento, os Jogos da Primavera foi ficando distante daquilo que foi. Das meninas e meninos que eram liberados das aulas onde torciam para as equipes, lotando o Gigantão, pois atualmente é disputado em um novo formato de festival com poucas equipes, e de arquibancadas vazias. Esta foi a forma que o Prof. Fabio Reina conseguiu para não deixar que o descaso do poder publico em todas as suas esferas municipal, estadual e federal, da cultura, educação e esporte, definitivamente sepultasse o sonho dos seus idealizadores.

O filme de Mori e Nigro é uma voz que sai, clamando para que, sentem-se na mesma mesa os homens certos, sem interesses individuais e mesquinhos, sem ideologias políticas, com o puro idealismo voltado exclusivamente para o bem da criança e do adolescente através do segundo maior esporte praticado no Brasil, e organizarem de maneira honrosa novamente os Jogos da Primavera, para quem sabe, iremos encontrar a resposta indagada durante o filme, na voz forte e destemida de uma mulher, da Professora Eulália Schiavon (in memorian), que disse: “Onde estão os Jogos da Primavera?”