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Araraquara perde 2.174 postos de trabalho formais em cinco meses

Segmentos de Comércio e Serviços foram as atividades mais afetadas, correspondendo a 91% do total de empregos perdidos

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Pelo quinto mês consecutivo, Araraquara registrou saldo negativo na geração de empregos para o mercado formal. Entre janeiro e maio de 2020, o município já perdeu 2.174 vagas com carteira assinada, resultado 292% pior em relação ao mesmo período de 2019, quando o saldo entre admitidos e desligados foi positivo em 1.134 postos de trabalho.

De acordo com levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os segmentos mais prejudicados foram o de serviços, com redução de 1.074 vagas, e o comércio, que fechou 894 postos com carteira assinada.

A indústria também encerrou o período com resultado negativo: 321 empregos foram perdidos nos cinco primeiros meses do ano. Por outro lado, a construção civil e a agropecuária foram as únicas atividades econômicas a registrarem aumento do número de vagas ofertadas, com 75 e 40 novos postos de trabalho criados no período, respectivamente.

Para João Delarissa, pesquisador do Núcleo de Economia do Sincomercio, o cenário mais desfavorável para os setores de comércio e serviços tem relação com a quantidade e o perfil da mão-de-obra empregada. “Esses segmentos concentram a maior parte das vagas de trabalho ofertadas pelo município, mas admitem habitualmente trabalhadores menos qualificados e mais jovens, que são os primeiros a serem desligados nos momentos de recessão, como a atual.”

Evolução mensal das admissões, desligamentos e saldo de contratações em Araraquara – janeiro a maio de 2020
Fonte: CAGED. Elaboração: Sincomercio Araraquara

O exame dos dados mensais do Caged indica ainda o fechamento de 843 vagas em maio de 2020, decorrente de 1.152 admissões e 1.995 desligamentos. Os números são inferiores aos registrados no mesmo mês do ano passado, quando 2.906 trabalhadores haviam sido admitidos e 2.758 desligados – saldo positivo de 148 novas vagas.

IMPACTO NACIONAL

A redução mais expressiva no número de admitidos (-60,4%) em relação aos desligados (-27,7%) também foi observada em âmbito nacional durante o mês de maio: -47,8% contratações e -27,7% desligamentos ocorridos no país. Este cenário aponta para uma queda na rotatividade das ocupações e revela fragilidades tanto do lado dos funcionários como por parte dos empresários.

“O amparo das leis trabalhistas, fundamental nas negociações entre as partes, proporciona maior segurança aos trabalhadores formais, reduzindo as chances de demissão em períodos como o atual. Mas, por outro lado, aumenta os custos de demissão para as empresas, que se tornam mais cautelosas no momento das contratações, deixando a recuperação do mercado de trabalho mais lenta”, avalia Delarissa.

Para Marcelo Cossalter, também pesquisador do Sincomercio, a recuperação do emprego deve ser puxada primordialmente pelos setores informais. Segundo ele, sob a ótica da geração de novas ocupações, o aumento da renda advinda deste tipo de trabalho é positivo, ao menos no curto prazo, mas tem por trás aspectos que não são sustentáveis ao longo do tempo. “A menor qualificação destes trabalhadores os tornam menos competitivos, além de associá-los a um nível de produtividade menor, o que inibe o crescimento econômico em longo prazo.”

Cabe salientar, porém, que o mercado de trabalho informal ficou totalmente inviabilizado diante da atual crise sanitária, justamente por não contar com as proteções sociais asseguradas pela Consolidação das Leis do Trabalho. Por não serem contabilizados nos bancos de dados oficiais, empregados e empregadores do tipo não puderam usufruir nem das leis trabalhistas e nem dos auxílios disponibilizados pela MP 936/2020, para a manutenção do emprego e da renda, expondo ainda mais a vulnerabilidade da modalidade.

Saldo de Contratações por Grande Grupamento de Atividade Econômica – janeiro a maio de 2020
Fonte: CAGED. Elaboração: Sincomercio Araraquara


SEGURO DESEMPREGO

A atualização dos dados sobre o seguro desemprego em Araraquara revelou que 1.245 pedidos do auxílio foram registrados em junho. O número representa um aumento de 34,9% na comparação com o mesmo período do ano passado (1.116), mas também uma queda de 31,3% em relação ao mês anterior (1.811). No acumulado do ano, o benefício foi requisitado por 7.240 trabalhadores formais do município, valor 23,7% maior que o registrado no mesmo período de 2019.

A análise do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, com base nos dados da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, verificou ainda que tanto as solicitações feitas via web como as presenciais diminuíram. Foram 980 requisições feitas pela internet (78,7%) e 265 presenciais (21,3%). No mês de maio, 86,6% foram digitais (1.568) e 13,4% realizadas presencialmente (243).

O Projeto de Lei 3.618/20, atualmente aguardando despacho da presidência, determinará que, enquanto perdurar o estado de calamidade pública, decretado em consequência da pandemia do novo coronavírus, e nos seis meses subsequentes, será concedida a toda pessoa demitida o pagamento do seguro-desemprego em até sete parcelas. Atualmente, o auxílio ao trabalhador desligado é concedido em até cinco vezes, dependendo do tempo em que o empregado permaneceu na empresa.

Requerimentos de seguro-desemprego em Araraquara 2020
Fonte: PDET. Elaboração: Sincomercio Araraquara