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Em Ribeirão Preto, empresas só têm fôlego para mais dois meses

Estudo da Associação Comercial de Ribeirão Preto mostra que 40% das empresas pesquisadas tiveram queda superior a 40% no faturamento com a crise da covid-19

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Alguns corredores comerciais de Ribeirão, a exemplo de Araraquara estão desertos

Uma pesquisa realizada pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), nos dias 14 e 15 de maio, com 306 empresas associadas à entidade, revelou detalhes dos impactos negativos da covid-19 na economia. O levantamento traz um dado alarmante: 60,4% das empresas correm o risco de fechar suas portas em até 60 dias.

Quando perguntados quanto tempo conseguiriam manter seu negócio com o faturamento atual, 12,7% dos entrevistados afirmaram que já estão encerrando ou encerrarão suas atividades caso o quadro atual perdure.

Com a manutenção das atuais condições, 28,4% dos empresários afirmaram que conseguem manter suas empresas por mais 30 dias e 19,3%, por até 60 dias. Dos entrevistados, apenas 10,5% declararam que o faturamento atual lhes permite manter indefinidamente o funcionamento do seu negócio.

Outro dado revelado pela pesquisa foi a queda no faturamento de 90% das empresas. Deste universo, mais da metade (53,9%) teve queda superior a 20% nas receitas. Do total de empresas pesquisadas, 40,2% já sentiram redução superior a 40% no faturamento.

Além da queda de receita as empresas enfrentam também a dificuldade de obtenção de crédito para honrar seus compromissos. A pesquisa mostra que dentre as empresas que procuraram instituições financeiras, 58,2% tiveram a solicitação de crédito negada. As principais linhas de financiamento procuradas são relativas a folha de pagamento e fluxo de caixa.

Diante disso, empresas têm postergado e negociado pagamentos. As negociações foram realizadas principalmente com fornecedores, aluguéis e bancos. Já com relação ao pagamento de obrigações, 59% das empresas afirmaram que deixaram de pagar impostos; 22% não pagaram aluguéis; 27% assumiram dívida com fornecedores e 11% não conseguiram pagar em dia os salários.

PRESENÇA DIGITAL

A pesquisa revelou também que as empresas buscaram diversificar canais de venda e recebimento de pedidos. Os principais meios foram o Whatsapp (utilizado por 82% do total de respondentes), o tradicional telefone (ferramenta de 69,3% das empresas) e as redes sociais (49%). A venda presencial, seguindo as regras sanitárias, foi apontada em 43,1% dos casos. Os piores desempenhos foram com e-commerce (15,7%) e marketplace (12,4%).

Também chama atenção o fato de que as poucas empresas que tiveram aumento de vendas têm forte presença digital, vendendo por e-commerce ou realizando marketing digital. O mesmo acontece com a maioria das empresas que teve menos de 10% de queda nas vendas.

Já como canais de entrega, os respondentes apontaram o atendimento presencial e o delivery próprio como principais ferramentas para seus clientes, com 55,6% (170 respostas) e 48% (149 respostas), respectivamente. Solução para reduz custos com empresas de entregas.

DEMISSÕES E NEGOCIAÇÕES

O levantamento reforçou os altos índices de demissões nas empresas consultadas. Segundo a pesquisa, 39,5% das empresas tiveram que demitir ao menos um trabalhador. A compilação de dados mostrou redução de 9,79% do total de vagas nas empresas em comparação com o período pré-pandemia.

Das empresas pesquisadas, 25,6% do total tiveram que demitir mais de 30 funcionários. Outras medidas já tomadas ou previstas pelas empresas têm sido a concessão de férias, alternativa encontrada por 48,4% dos entrevistados; redução de jornada e salários proporcional, opção de 35,9%; home office parcial, 22,2% e divisão das equipes em turnos, adotada por 7,8%.

EMPRESÁRIOS

Outro indicador preocupante é a pequena reserva financeira dos empresários para suas despesas familiares. Problema grave uma vez que os empresários não possuem benefícios como FGTS e Seguro Desemprego.

Dentre os pesquisados, 40,8% apontaram ter recursos para até 30 dias de despesas familiares, enquanto 30,1% afirmaram ter condições financeiras para até 60 dias e 17%, até 90 dias. Ou seja, em três meses, 87,1% dos empresários não conseguirão pagar suas despesas pessoais.