
Há 16 anos, Araraquara não elege um deputado Federal, e o que ela tem feito de lá para cá, simplesmente é esmolar emendas parlamentares, juntando migalhas, pela falta de representatividade na Câmara de Brasília, ocasionando impotência em exigir o que lhe seria de direito para cobrir suas necessidades. Não fosse neste período de ausência de representantes junto ao Poder Legislativo, formatada por amizades e vínculos partidários, certamente que o caos seria maior.
Neste particular temos que entender – queiram ou não – que a amizade de Edinho com Lula é que tem sido a ponte da salvação, e os exemplos vêm carregados no bonde da história gerando fatos, muitos deles com sintomas de tragédia – inundações, crateras, mortes; assim, não fosse o companheirismo entre eles, as tragédias vivenciadas se juntariam a pobreza político-administrativa que vivemos na atualidade. Creio que, Araraquara não tem o instinto de mendigar e conviver com as migalhas do pão, caídas ao chão.
Sua história está atrelada as conquistas vindas do braço de um povo trabalhador, da sensatez política dos homens que nos dirigiram nos últimos 60 anos e do caráter de quem não se curvava ante a entrega de uma dúzia de bananas apregoando ser uma operação tapa-buracos, um grande feito. Falamos de projetos como o Parque dos Trilhos para revitalização da cidade no seu todo, da Saúde com remédio entregue na porta da casa de quem precisa, da Educação sem creches funcionando meia-boca.
Até acredito que a Educação dispensada na atualidade em Araraquara caminha na contramão da história, pois tivemos um prefeito com apenas 4° ano primário, estudando em escola rural, sendo eleito “Prefeito da Educação” no Estado de São Paulo na disputa com mais de 550 municípios na época. Rubens Cruz não queria que as crianças sofressem o que ele penou, então agia com sentimento e interesse coletivo, não com prepotência e muito menos a arrogância.
E ele sempre dizia – o passado judia, mas também ensina. Digo isso, pois trago comigo a recordação de que uma ideia genial em 1989 apresentada por Ivo Dall’Acqua Júnior e Antonio Deliza Neto, diretores do Sincomercio na época, alterou o comportamento político da cidade às vésperas das eleições gerais. Eles falavam de representatividade em Brasília e ausência de um deputado para nos defender.
Propuseram a realização de uma pesquisa entre os interessados em disputar o pleito, porém com o compromisso de que o vencedor teria o apoio maciço da população. E foi desta forma que Marcelo Barbieri se elegeu, nascendo para a política nacional. Como deputado Federal, Barbieri correspondeu a proposta do Sincomercio e fez virilizar uma ideia que embora simples restabeleceu a representatividade política de Araraquara em Brasília. Acabou sendo parlamentar por três mandatos.
Diriam que agora os tempos são outros. Sim, em cada esquina um candidato. Cada candidato um devedor de obrigações, não ao partido que defende e tão pouco a ideologia que sustenta. É devedor para estar supostamente incorporado ao tal fundo partidário, tem que ser candidato e apoiar político de fora – que chamamos de paraquedista – por conta de uma emenda partidária de 2 mil réis.
E nós entendemos que um deputado federal é fundamental para o município porque atua como o elo entre as demandas locais e o Governo Federal, garantindo recursos financeiros e defendendo os interesses da cidade em Brasília. É durante a votação do orçamento da União, que o deputado federal pode apresentar emendas parlamentares.
Assim, esses recursos ajudam a financiar obras de infraestrutura, pavimentação de ruas, construção de postos de saúde, escolas e aquisição de equipamentos públicos para o município.
O parlamentar facilita o contato da prefeitura com ministérios federais para destravar projetos, convênios e liberação de verbas.
Hoje, não seria nada democrático dizer – veja o candidato mais preparado e vote nele, acompanhe quem tem maiores predicados e chances de vencer; e, se isso não podemos exigir, somos claros ao dizer que – a coerência e o bom senso parecem indicar que por necessidade Araraquara precisa restabelecer seu prestígio político em Brasília.
Hoje, paro e penso em quem disse pela primeira vez – o ser humano por natureza não aposta em cavalo perdedor. E isso quer no parecer que, reflete o comportamento humano de buscar associação com vencedores para compartilhar do prestígio da vitória, afastando-se de causas ou lideranças que estão perdendo força.
Sem ideologias e compromissos partidários, temos que pensar na cidade onde moramos.
*Ivan Roberto Peroni, jornalista, diretor responsável do RCIA e membro da ABI, Associação Brasileira de Imprensa
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