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Ferroviária 70 anos: A participação histórica na Taça de Ouro de 83

Vitória sobre o Grêmio em Porto Alegre pela Taça de Ouro de 1983 e a semifinal diante da Portuguesa no Paulista de 1985 escreveram um grande capitulo de superação e emoção na história da Ferroviária; ouça alguns dos gols daquele período

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O histórico escrete grená de 1983 - Em Pé: Marinho Paranaense, Pinheirense, Douglas Onça, Fernando, Paolilo, Abelha e Zé Rubens. Agachados: Claudinho, Zé Roberto, Sidnei Alástico, Marcão e Jorginho

Na quarta década de vida, a RCIARARAQUARA continua o seu especial voltado aos 70 anos da Ferroviária e apresenta a campanha dos anos 80, com grande destaque na Taça de Ouro de 1983, equivalente ao Brasileirão, sua única participação na elite nacional.

Antes, em 81, a equipe voltou a disputar a Taça de Prata, mas não conseguiu repetir a campanha do ano anterior e caiu logo na primeira fase. Sob o comando de Mazinho, a Ferrinha caiu no Grupo F, ao lado do América de Rio Preto, Comercial-MS, Criciúma, Internacional de Santa Maria. Novo Hamburgo, Palmeiras e São Paulo do Rio Grande do Sul.

Classificavam-se para a próxima fase os dois primeiros de cada grupo, mas o time araraquarense conquistou apenas sete pontos em sete jogos, sendo duas vitórias, três empates e duas derrotas (lembrando que a vitória nesta época valia dois pontos) e terminou na terceira colocação.

No confronto diante do Palmeiras, na Fonte Luminosa, empate por 1 a 1. Douglas Onça marcou o gol grená, enquanto, Paulinho empatou para o alviverde.

A Ferroviária foi a campo com  Tião, Aluísio, Vica, Samuel e Divini; Carlos, Douglas e Sidney; Claudinho (Gersinho), Radar e Bispo.

Já o Palmeiras foi escalado com João Marcos; Benazzi, Edson, Darinta e Jaime Boni; Vitor Hugo, Sena e Adauto (Romeu); Jorginho (Osni), Paulinho e Baroninho.

A TAÇA DE OURO DE 1983

O clube grená conseguiu o seu objetivo e finalmente disputou a Taça de Ouro de 1983. Com a campanha realizada no Paulista de 1982, onde terminou na 6ª colocação, carimbou vaga direta no principal campeonato de clubes do Brasil naquela época.

Uma curiosidade no Paulista daquele ano foi na partida diante do Corinthians, no Pacaembu. No dia 28 de novembro, derrota por 3 a 1 com a presença de 46.735 pagantes, sendo o maior público na história em um jogo da Ferroviária.

Ferroviária de 1982 conquistou o Torneio Seletivo da FPF ao bater o América – Em pé: Marinho Paranaense; Abelha; Vica; Hermínio; Zilinho ; Divino; Armandão(massagista); José Carlos Porsani (diretor social) Agachados: Marinho Rã; Miltinho; Douglas Neves; Sidinei Alástico; Claudinho

Já na Taça de Ouro, a equipe começou a construção de uma história que é lembrada e jamais será esquecida. Com a presença de 40 clubes, divididos em oito chaves com cinco equipes, a Locomotiva ficou no Grupo G, ao lado de Botafogo, Internacional, Colorado-PR e Brasília.

Naquele ano, o time grená continha jogadores muito jovens, mas o treinador Sebastião Lapola conseguiu implementar o seu estilo de jogo mesmo sem jogadores de renome para disputa de um torneio de maior calibre.

Mesmo assim, bateu de frente com grandes equipes do futebol brasileiro e surpreendeu. Venceu o Botafogo tanto no Maracanã, quanto na Fonte Luminosa, e o Internacional em casa.

De oito pontos possíveis, a Ferroviária conquistou sete e ficou na primeira colocação do grupo, avançando de fase.

Na outra etapa da competição, a equipe ficou no Grupo O, com América-RN, Atlético-PR e Botafogo de Ribeirão Preto. Com mais uma campanha impecável com três vitórias e três empates, a Locomotiva saiu invicta e avançou a terceira fase.

Na nova formação de grupo, a equipe caiu no considerado “grupo da morte”, com Sport, Grêmio e São Paulo.

Mesmo com o impeto maior destas equipes, a Ferrinha não se intimidou e bateu de frente, mas não conseguiu a vaga para a próxima fase. Foram quatro derrotas, um empate e uma vitória. Porém, o último triunfo entrou para a história.

Em pleno estádio Olímpico, em Porto Alegre, a Ferroviária bateu o Grêmio, que se tornaria campeão Mundial de Clubes, por 3 a 1 e tirou as possibilidades de classificação dos gaúchos.

A equipe base do time araraquarense na competição foi: Abelha, Marinho Paranaense, Fernando, Pinheirense e Zé Rubens; Júnior, Douglas Onça e Zé Roberto; Claudinho, Marcão e Bozó.

Ouça o gol de Bozó na vitória da Ferroviária sobre o Colorado-PR por 2 a 0 na voz de Wilson Silveira Luiz, pela Rádio Cultura de Araraquara:

Em pé: Pinheirense, Júnior, Vica, Marinho, Abelha, Divino e o professor Tadeu. Agachados: Claudinho, Douglas Onça, Marcão, Zé Roberto e Bozó

DEPOIS DA TAÇA DE OURO, A SEMIFINAL DO PAULISTA DE 85

A Ferroviária continuou escrevendo o seu nome na história na década de 80 e desta vez foi em outra competição.

No Campeonato Paulista de 1985, foi cercado de bastante discussão, desde o seu regulamento, que foi decidido na justiça, até uma disputa no STJD envolvendo o próprio clube araraquarense.

Sobre a fórmula de disputa, ficou decidido que os campeões do primeiro e segundo turno seguiriam para as semifinais, enquanto os outros dois seriam escolhidos pelo índice técnico.

Portuguesa e São Paulo sagraram-se campeões dos turnos, enquanto o Guarani ficou com uma das vagas pelo índice técnico. Ferroviária e Corinthians chegaram na última rodada do returno empatados com 42 pontos e brigaram pela classificação até o fim.

O Timão encarou o Comercial, em Ribeirão Preto, enquanto a Locomotiva encarou a Portuguesa, no Canindé. A equipe corinthiana acabou sendo derrotada por 1 a 0 e resta a Ferrinha um empate para garantir a classificação, porém, acabou sendo derrotada pela Lusa por 1 a 0.

O que garantiu a classificação afeana foi a vitória do XV de Jaú sobre por Palmeiras por 3 a 2, passando assim com mais vitórias do que a equipe de Parque São Jorge. Mas não terminou por aí.

A 3ª Câmara do Tribuna de Justiça Desportiva alegou que o zagueiro Dama foi utilizado de forma irregular no empate contra o XV de Piracicaba, pois havia levado o terceiro cartão amarelo em uma competição nas categorias de base, e acabou tirando um ponto, o que deu a classificação ao Corinthians.

Orientado pelo presidente José Alberto Gonçalves, o departamento jurídico grená levou o caso ao Pleno do Tribunal de Justiça Desportiva, mas manteve a decisão da 3ª Câmara.

A Ferroviária insistiu, foi até o STJD do Rio de Janeiro e conseguiu a vitória por 5 votos a 3, uma conquista que também foi bastante comemorada na Morada do Sol, o que garantiu a Ferroviária novamente entre os quatro melhores do estado.

O adversário na semifinal foi novamente a Portuguesa, mas mais uma vez ficou no caminho. Em partida espetacular no primeiro confronto, os comandados pelo treinador Bazani, empataram por 2 a 2, com dois gols marcados por Wilson Carrasco. Jérson e Jones fizeram para o time da capital. Paulo Martins, pelos lados grená, foi expulso, enquanto Luciano e Toquinho foram expulsos pela equipe lusitana.

O time grená foi o seguinte: Washington; Balu, Mauro Pastor, Marco Antônio e Nonoca; Paulo Martins, Sídnei Alástico e Wilson Carrasco; Botelho (Cardim), Marcão (Marcos Ferrugem) e Nenê. Técnico: Bazani.

Ouça a narração do segundo gol da Ferroviária de Wilson Carrasco na voz de Antônio Carlos Araújo, pela Rádio Cultura de Araraquara:

Na partida de volta, no Canindé, vitória da Portuguesa por 2 a 0 e decidiu o campeonato diante do São Paulo, mas o Tricolor levou a melhor e foi campeão.

A Ferroviária foi a campo com Washington; Balu, Dama, Marco Antônio e Nonoca; Edmilson (Cardim), Sídnei Alástico e Wilson Carrasco; Serginho Dourado, Marcão (Botelho) e Nenê. Técnico: Bazani.

 

Em pé: Botelho, Washington, Marco Antônio, Mauro Pastor, Balu e Nonoca. Agachados: Cardim, Sidnei Alástico, Marcão, Serginho dourado e Vitor

Fontes: Blog “Ferroviária em Campo”, de Vicente Baroffaldi; Livro “Fonte Luminosa”, de Luis Marcelo Inaco Cirino