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Saul Klein quer adquirir 100% das ações da Ferroviária

Acionistas da Ferroviária S/A teriam feito proposta de R$ 20 milhões ao bilionário; presidente do conselho nega

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Ferroviária 100% de Klein? Investidor estaria interessado em ter todo o clube - Crédito: RCIA Araraquara

por Rafael Zocco

O novo homem forte da Ferroviária, Saul Klein, não chegou apenas para bancar toda estrutura de investimento no clube, desde a formação de jogadores até o futebol feminino, e de um moderno CT, mas também de ser o dono de tudo.

De acordo com apuração da RCIARARAQUARA e de fontes que não terão seus nomes revelados, o herdeiro das Casas Bahia quer os 100% das ações da Ferroviária S/A e o clube sob o seu total controle.

Nas últimas reuniões realizadas, tanto do Conselho Administrativo da sociedade anônima, quanto dos acionistas, além de ter as ações envolvidas na MS Sports, Klein se interessou em comprar as ações por parte de outros empresários minoritários para estabelecer ainda mais a sua autonomia dentro do clube.

O preço estabelecido pelo conselho para compra foi de R$ 20 milhões pelos 100% e que o valor fosse repartido entre os acionistas. Klein achou a pedida alta, desistiu temporariamente da aquisição e ficou com os 50% por parte da empresa.

Para ter um percentual maior, Klein teria adquirido parte das ações do presidente do Conselho Deliberativo da S/A, Welson Alves Ferreira, o Juninho. Os valores não foram divulgados.

O plano é que Klein consiga, futuramente, pagar o valor para cada acionista que investiu na sociedade anônima e tenha autonomia do clube.

Atualmente, a Ferroviária S/A tem como principal acionista a MS Sports (50%). A Associação Ferroviária de Esportes detém 10% e o restante das ações são divididas entre empresários minoritários que entraram em 2003, quando surgiu o clube-empresa.

PRESIDENTE DESMENTE

Em contato da reportagem, Juninho desmentiu todas as informações, dizendo que “não passa de boatos”.

“De forma alguma foi aventado vendas das minhas ações e nem interesse da compra por parte da MS”, afirmou.

“Eles não querem serem os donos da Ferroviária. O interesse deles é fazer investimentos nas categorias de base, negócios a longo prazo. O investimento fica como crédito e nas futuras vendas vai abatendo o valor investido. Na realidade, eles precisavam de um clube confiável, que tenha uma boa sintonia entre diretoria, conselho e eles, que falam a mesma língua para terem segurança a longo prazo”, conta.

“Eles devem investir este valor [de R$ 20 milhões], aproximadamente, em uma área próxima ao Parque Pinheirinho para fazer um CT com seis campos de futebol, alojamentos e hotel, muito parecido com o do Athletico Paranaense. Estão realmente pensando em investimento a longo prazo”, revelou.

PERDA DE VÁRIAS AMIZADES

A saída do São Caetano deixou Saul Klein praticamente solitário para seguir o seu futuro na Ferroviária. Amigos de longa data não aceitaram a atitude do principal colaborador ter deixado o Azulão para se aventurar em outro clube e cortaram todas as relações.

Entre os que tinham um laço forte e tido como braço direito, era Genivaldo Leal Rodrigues de Lima, diretor de futebol do São Caetano. Muitos acharam injustas as críticas feitas e como foi tratado o então presidente Nairo Ferreira, que hoje não está mais a frente do clube.

Porém, Roberto Campi, o popular Bia e amigo de Klein, assumiu a presidência, mas já a renunciou, dando lugar para o também amigo do bilionário, Carlos André de Freitas Lopes, sinalizando que voltou a investir no Azulão.

O PODER DA FAMÍLIA KLEIN

A dinastia Klein começa exatamente em 1952, na cidade de São Caetano do Sul, quando o imigrante polonês, Samuel Klein, começou como mascate (transportava produtos de origem para outras regiões) e, em cinco anos, conseguiu capital para fundar a sua primeira loja de varejo, a Casas Bahia, homenagem ao povo nordestino que tentava a vida em São Paulo, buscando as classes C, D e E.

Com passar do tempo, a família Klein se tornou uma das mais poderosas do país. Nos anos 2000, atingiram a marca de 560 lojas espalhadas por todo o Brasil, sendo o maior depósito de distribuição do Brasil.

Os filhos de Samuel, Michael e Saul, começaram a fazer parte do negócio. Em 2009, anunciou fusão com o Grupo Pão de Açúcar. Saul, que detinha 33% da empresa, acabou vendendo a sua parte e Michael foi o único a representar a família nos negócios.

Quando Samuel faleceu em 2014, Michael decidiu vender a sua parte e os irmãos começaram a se dedicar em outros negócios.

Em 2016, a Revista Forbes listou os 70 maiores bilionários do país e a família Klein apareceu na 29ª colocação, somando R$ 5,71 bilhões.

Já em junho deste ano, Michael readquiriu parte dos investimentos do Grupo Pão de Açúcar, colocando a família Klein novamente nas Casas Bahia. Dentro da aquisição, Saul é dono de 3% da rede de varejo.

Michel Klein (esq.), Samuel Klein (já falecido) e Saul Klein, o novo acionista da Ferroviária – Crédito: Divulgação