Faleceu neste domingo Jarbas Malheiro de Camargo Lima, aos 96 anos de idade, um dos mais importantes produtores rurais da região de Araraquara, ex-diretor da Associação dos Fornecedores de Cana (Canasol) e um dos fundadores do Sindicato Rural de Araraquara em 18 de julho de 1965.
Por cerca de um século, Jarbas não teve outro objetivo a não ser manter a tradição da família no agronegócio regional e também assegurar traços e costumes deixados pelo pai Jarbas Camargo Lima (ex-presidente da Canasol período 1957/1958) que assumiu a Fazenda Atalaia, em 1929. “Jarbinhas” como era conhecido, veio a assumir o comando da propriedade ao lado dos irmãos Joaquim e Simirâmis, em 1966, após o falecimento do pai.

Até hoje a sala de visitas da casa da sede na Fazenda Atalaia – queda do “y” em sua denominação a partir de 1929 – ainda mantém os móveis trazidos da França por volta de 1894, quando o prédio foi inaugurado. Outras peças foram produzidas por um marceneiro empregado na manutenção da fazenda, 10 anos antes da virada do século 19.
Este perfil de preservação da sede e de aparelhos, ferramentas, utensílios e implementos agrícolas, transformaram a fazenda num roteiro de Turismo Cultural nos últimos anos. Um dos documentos, por exemplo, explica que com a proibição do tráfico negreiro, em 1850, e com a abolição da escravidão, em 1888, a mão-de-obra escrava foi substituída pelos colonos europeus que migraram ao Brasil devido ao grande problema de desemprego enfrentado por alguns países da Europa.
E foi com os altos investimentos feitos pelos proprietários da terra e, sobretudo, com o trabalho de colonos italianos, que a Fazenda Atalaia desempenhou importante papel na economia do Brasil no final do século 19 e início do século 20.
Com a preservação original do terreiro de secagem dos grãos de café, da máquina de beneficiamento, das tulhas e dos utensílios empregados na produção, a Fazenda Atalaia vinha oferecendo com Jarbas um passeio pela história em um cenário real, tornando-se uma verdadeira aula prática sobre a produção do café em sua fase áurea.
Via de regra, os estudantes ou visitantes eram acompanhados pelo proprietário da Atalaia, Jarbas Malheiro de Camargo Lima e podiam acompanhar a demonstração prática do processo de produção do café como era feito pelos colonos da fazenda. Esse processo ia desde a colheita dos grãos até o beneficiamento e torra, incluindo a lavagem e a secagem do café nos terreiros. Convém destacar que a máquina de beneficiamento, do início do século 20, importada da Alemanha, ainda se encontra na propriedade – em funcionamento.
A conservação e a manutenção das características originais em 2002 implicaram na escolha da Fazenda Atalaia, para ser cenário da novela Esperança, da Rede Globo.
A produção da novela visitou mais de 80 fazendas do interior de São Paulo, até escolher duas: Atalaia e Santa Gertrudes, no município do mesmo nome, a 150 quilômetros de São Paulo; fundada em 1821 para plantio de cana, a Santa Gertrudes se transformou depois em fazenda de café e sempre foi propriedade de condes, barões e marqueses, influentes em todos os aspectos da vida nacional.
A Fazenda Atalaia tem atravessado o tempo e sua imagem continua modelo para o mundo apartado entre a cidade e o campo.
A Canasol, nesta segunda-feira (14), através do RCIA se manifestou publicamente – prestando sua solidariedade aos familiares e amigos, pois sempre teve em Jarbas Malheiro de Camargo Lima, um nome extremamente respeitado dentro do agronegócio, dirigente responsável como presidente e diretor da instituição por muitos anos, disse o presidente Luís Henrique Scabello de Oliveira. Ele cita que o trabalho realizado por Jarbas foi de extrema importância para os produtores rurais pois ele viveu um período de transformação da cultura canavieira e do próprio agronegócio brasileiro. “Um exemplo a ser seguido”, completou o gestor da Canasol.