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Araraquara e Torres Vedras compartilham experiências no combate à Covid-19

Prefeito Edinho e prefeito da cidade portuguesa, Carlos Bernardes, participaram de transmissão ao vivo nesta terça-feira (16)

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A Prefeitura de Torres Vedras tem previstos 3,9 milhões de euros para apoiar famílias, empresas e instituições sociais afetadas pela pandemia da covid-19, um programa aprovado e anunciado pelo executivo

O prefeito Edinho e o presidente da Câmara Municipal da cidade portuguesa de Torres Vedras (cargo que equivale ao de prefeito no Brasil), Carlos Bernardes, participaram de uma transmissão ao vivo nesta terça-feira (16) e compartilharam as experiências de enfrentamento à pandemia da Covid-19.

Na live, exibida pelo Facebook e pelo YouTube da Prefeitura, os dois prefeitos dos municípios parceiros abordaram as medidas de isolamento social para organização do sistema de saúde e a evolução no número de casos em cada cidade.

A conversa foi iniciada com uma apresentação de Carlos Bernardes sobre a situação de Torres Vedras, município com cerca de 80 mil habitantes. Por lá, são 68 casos confirmados da Covid-19 e um óbito registrado.

“Em 12 de março, quando os primeiros casos foram assinalados no país, reuni a Comissão Municipal de Proteção Civil e acionamos o Plano Municipal de Emergência, instrumento máximo que temos para fazer face às calamidades que nos assolam. Torres Vedras tem experiência de inundações, queimadas, ciclones. Mas esta experiência [da Covid-19] é única, porque ninguém conhecia o que é o novo coronavírus, apenas os cientistas”, declarou.

“Trabalhamos intensamente com a nossa comunidade. Igrejas, escolas, empresas, um conjunto de entidades. Deveríamos estar preparados para o pior. Foi um momento importante de sensibilização da comunidade para protegermos uns aos outros”, explicou o chefe do Executivo de Torres Vedras.

Segundo Bernardes, a população seguiu as orientações das autoridades de Portugal e cumpriu a quarentena. “Isso foi determinante para Portugal se tornar referência mundial no combate ao coronavírus. Foi importante as pessoas ficarem em casa para agora, paulatinamente, estarmos fazendo o desconfinamento”, relatou.

O estímulo à solidariedade também foi adotado na cidade portuguesa, assim como em Araraquara. “Mais de 700 costureiras produziram cerca de 100 mil máscaras para a comunidade. Foi um momento importante de nós mostrarmos o que é ser solidário e partilhar uns com os outros. A máscara é fundamental no combate ao coronavírus”, afirmou Bernardes.

BRASIL E ARARAQUARA

As duas cidades trocando experiências sobre o combate ao coronavírus

O prefeito Edinho lembrou que o Brasil se tornou o epicentro internacional da doença, sendo o segundo país em número de mortes (mais de 44 mil), atrás apenas dos norte-americanos. “Os Estados Unidos não têm sistema público de saúde, ao contrário dos países europeus e do Brasil. A gestão da saúde no Brasil é tripartite: União, estados e municípios”, explicou Edinho a Bernardes.

Porém, o prefeito de Araraquara destacou que a falta de unidade política dificulta o combate à doença, mesmo tendo um sistema público de saúde presente em todos os municípios brasileiros. “Enquanto a imensa maioria dos prefeitos e governadores defendiam o isolamento para organização da rede de saúde, o Governo Federal era contra o isolamento. É difícil unificar o país em uma ação de saúde, com esse grau de exigência que o coronavírus impõe, se o Governo Federal não unifica a Nação nesse enfrentamento”, declarou.

Edinho ainda elencou as ações tomadas pela Prefeitura no combate à Covid-19: desde o decreto de calamidade pública, em 23 de março, antes mesmo dos primeiros casos confirmados na cidade (31 de março), até a construção do Hospital da Solidariedade (20 leitos de UTI e 31 de enfermaria), a implantação do polo de triagem da Vila Xavier (nove leitos de UTI e 19 de enfermaria) e a estruturação da rede básica de saúde, entre outras ações.

Até esta terça-feira, Araraquara registra 609 casos da Covid-19 (172 permanecem em quarentena e 430 já foram curados), além de sete óbitos. Estão internadas 24 pessoas, sendo 11 em UTI e 13 em enfermaria.
 
“Não estamos em colapso do sistema de saúde porque fizemos a lição de casa. Ampliamos os nossos leitos, construímos o hospital de campanha e temos cerca de 15% dos nossos leitos de UTI ocupados, enquanto a região tem 40%”, disse Edinho, mas alertando também que as próximas semanas devem registrar crescimento da doença em todo o interior do estado.

O prefeito de Araraquara também lembrou a criação da Rede de Solidariedade para ampliar a assistência alimentar e de produtos de higiene para a população em vulnerabilidade social e que teve a situação agravada pela pandemia. “Foi algo bonito de ver o quanto que se despertou a solidariedade humana em Araraquara. Foram muitas doações para que pudéssemos socorrer mais de 6 mil famílias. O desemprego e a situação econômica se agravaram muito”, concluiu Edinho.

PARCERIA

Araraquara e Torres Vedras mantêm em atividade, desde 2018, um termo de cooperação que estabelece parceria econômica e cultural, assim como a troca de experiências nas políticas públicas.

Uma das iniciativas mais recentes foi realizada por meio da Secretaria Municipal da Educação, com o projeto de intercâmbio cultural “Derrubar Muros, construir pontes”, promovido pela Fábrica de Histórias – Casa Jaime Umbelino, de Torres Vedras, com a atuação dos alunos do Centro de Educação (CE) Piaquara Lectícia Vitta Filpi.

Outra parceria entre as duas cidades aconteceu em agosto de 2019, na Facira, que contou com a 1ª Feira Internacional de Negócios — 8 expositores do setor alimentício vieram de Torres Vedras.

Araraquara e Torres Vedras já são parceiras desde 2014 na realização do programa Arte ao Centro, que têm aproximado gestores políticos e culturais, acadêmicos, pesquisadores, artistas, educadores e empreendedores sociais.