Bolsonaro manda jornalistas calarem a boca e nega interferência na PF

Visivelmente irritado, presidente chamou a Folha de S.Paulo de "canalha".

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Na manhã desta terça-feira, 5, o presidente Jair Bolsonaro chamou de “canalha” reportagem da Folha de S.Paulo sobre alterações na Polícia Federal e negou interferência no órgão.

Visivelmente irritado, ao ser questionado por jornalistas, mandou “calarem a boca”.

Bolsonaro irritado com a Folha de São Paulo na manhã desta terça-feira (5)

A declaração se deu em frente ao Palácio da Alvorada. Bolsonaro mostrou uma imagem que reproduzia a manchete da edição impressa do jornal desta terça-feira: “Novo diretor da PF assume e acata pedido de Bolsonaro“.

A reportadem refere-se à troca da superintendência da PF no Rio de Janeiro, decidida pelo novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Souza, nomeado um dia antes.

Durante sua fala, Bolsonaro foi questionado por jornalistas se foi ele quem pediu pediu a mudança – momento em que disparou para que os profissionais calassem a boca. “Cala a boca, não perguntei nada.” O presidente disse que não interferiu na corporação.

“Que imprensa canalha a Folha de S.Paulo. Canalha é elogio para a Folha de S.Paulo. O atual superintendente do RJ, que o Moro disse que eu quero trocar por questões familiares. (…) Não tem nenhum parente meu investigado pela PF. (…) Uma mentira que a imprensa replica o tempo todo, dizer que meus filhos querem trocar o superintendente.”

As acusações de que estaria interferindo na autonomia da Polícia Federal teve início com a crise entre Bolsonaro e Sergio Moro. No último dia 24, o então ministro da Justiça anunciou que estava deixando o cargo porque não podia aceitar a interferência política feita por Bolsonaro na Polícia Federal.

Isto porque o presidente comunicou a Moro que trocaria o diretor-Geral da PF – até então escolhido por Moro.

Em seguida, o presidente da República nomeou Alexandre Ramagem para o cargo, que é amigo da família Bolsonaro. A nomeação foi barrada no Supremo por liminar do ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro, então, revogou a nomeação de Ramagem e escolheu o delegado Rolando Alexandre de Souza para a diretoria do órgão.